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resposta às críticas do artigo “O racismo de Ziraldo, infeliz herdeiro de Monteiro Lobato”


No artigo  “O racismo de Ziraldo, infeliz herdeiro de Monteiro Lobato”, de autoria da escritora negra e autora de “Um defeito de cor”, Ana Maria Gonçalves, aliás excerto de sua carta aberta a Ziraldo, acabei por receber críticas que, aqui expressas num artigo, por medida de extensão, resolvi responder.

A obra de Monteiro Lobato, é uma trama social tecida pela conjuntura sociológica de sua época, em que as correntes eugenistas, professavam a lo largo que a inteligência branca purificada sempre seria superior às demais, incluídos, os negros, mestiços, índios, etc.  Em seus trechos, que apesar de estar escrevendo a um “público infantil”, explicitamente evidencia em negrito suas posições da superioridade racial, assim como intrínseco a essas linhas, podemos perceber a relação do homem  negro, “surgido” na “civilização” ocidental européia e eurocêntrica, com os “nativos”, ou melhor, brasileiros de sangue misto, mestiços. A cultura brasileira nada mais é que esta miscigenação onde o aporte eugenista jamais poderia ter frutos. Isso está também esclarecido pela mitologia da raça pura, na convicção de que “raças” possuem características superiores ou inferiores às outras, através do processo hereditário. Sem dizer que a cnstrução racial sempre esteve ligada à relação econômica, ou seja, interiorizado no discurso das classes dominantes. Recentes pesquisas do DNA do homem europeu comprovaram que seus genes tem mais de africanos do que se pensava (Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1181964/?tool=pmcentrez), e por sua vez, com o resultado das mistura étnica no Brasil, por exemplo, a maioria da população construía um imaginário racial “ideal” para si, o que acabou se confrontando com outra áspera realidade: nos meados de 2000 pelo IBGE, o brasileiro se declarava em absoluta maioria como branco e somente 6% como negros. Hoje, tal quadro é enganoso e o atual mosaico de cores é multifacetada. De fato, a eugenia não pode ser nunca aplicada ao pé da letra, por mais que autores famosos a defendam. Neste sentido, hipoteticamente, Monteiro Lobato já desferira um tiro no próprio pé.  Longe de denunciar as atrocidades da escravidão através  dos seus meios de acesso ao grande público, escolheu o caminho inverso, “fantasiar” contos populares baseados na concepção racista da época enaltecendo suas piores matizes. Um pelo fator psico-pedagógico e, dois pelo fator político-cultural. Sabendo exatamente qual era o público alvo, ele passa a escrever suas histórias para a platéia de crianças brancas, já que na década de 40 (época em que Lobato ainda era vivo) o nível de alfabetização constituía bem marcados uma discrepância estatística, uma população branca de 56% contra 20%.  Desta forma, alimentando o ideal da superioridade racial em meio a um caldeirão de problemas sociais, me parece, no mínimo uma atitude política irresponsável e indigesta. Esse apaziguamento sobre a radicalidade racial, preconcebida pelos setores intelectuais da sociedade atuais, demonstram quão denso ainda entrava a discussão. A alienação da comunicação e da educação do passado apenas trouxeram para o nosso presente esta batata quente, em que setores passam um para o outro, a fim de mascarar a realidade por trás do mito da democracia racial. Que sejam publicadas todas as cartas e venham a público, para assim poupar-nos da complexidade de fazer entender que racismo, seja científico ou não,
por escolha ou não, militante ou não,  existe e ainda é caracterizado por conflitos raciais abertos. Na epoca de Lobato, se acreditava piamente que o enbranquecimento social do brasileiro seria evolutivo, exterminando assim os negros de uma vez. Para essa leitura vide o sociológo Oliveira Vianna em “A Evolução do Povo Brasileiro” de 1923, qual tenho a sorte de ter em mãos para testificar que a ascensão social do negro era vista como um sério problema à nação em desenvolvimento. É através desta ideologia racista que o nosso pensamento contemporâneo reflete nas salas de aula, nos bares, nas piadas no trabalho, nos estádios, nas ruas e pior, nos meios de comunicação. O fato de não reconhecimento deste racismo “oculto” mas não disfarçado, demonstra que existe uma ideologia avernizada para mascarar o problema racial brasileiro. Intelectuais contrários às cotas, encerramento de escolas públicas em comunidades carentes pelo Estado, a apropriação cultural dos meios de resistência pela camada burguesa da população, a exclusão da discussão sobre a existência ou não da cor negra, as propagandas midiáticas sobre o “novo dna europeu” brasileiro, a acusação frequente de que o movimento negro é igualmente racista, são prodígios de uma eliminação gradativa do negro. O fato de não discutir são característicos da esfera da classe de dominação.

Assim, longe de discutir a validade literária ou sobre a inclusão ou não de Monteiro Lobato nos livros das escolas, acredito que devemos nos debruçar no aspecto histórico e trazer para o presente determinadas avaliações. Isso fortalecerá o crescimento compreensivo? Pode ser que não. Porém, ao invés de dizer que sim ou não, votar a favor ou contra, vale a pena muito pensar e refletir sobre o racismo e as conseqüências que trazem junto a si. O racismo não é tão recente como alguns costumam afirmar. É uma instituição que já se expressa na Idade Antiga. Mas é somente no século XX que as suas variadas formas assumem um papel preponderamente ativos, junto às doutrinas filosóficas e científicas, fascistas e nazistas. Diante de tal panorama, ações corretivas como essa da Secretaria da Educação em reavaliar os livros, não somente de Monteiro Lobato, mas de tantos outros autores antigos, são louváveis e politicamente instrutivas. A criação de leis que criminalizam o racismo como as ações afirmativas, são um pequeno passo rumo a uma verdadeira noção de humanidade. As imagens do inconsciente coletivo de uma nação tão impregnada pelo estigma racial não se dissolvem em aparatos do Estado, mas nas ações do cotidiano.

Repetindo, na carta enviada ao seu amigo Godofredo Rangel, Lobato afirma que a miscigenação era uma vingança dos escravos: “Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível — amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde.” Assim como em outra carta, enviada de Nova York em 1928 para Arthur Neiva, ele lamenta a ausência, no Brasil, de uma Ku Klux Klan: “Um dia se fará justiça ao Kux Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca — mulatinho fazendo o jogo do galego”, escreveu. Para ele, a mestiçagem do negro destruía “a capacidade construtiva”.

O pesar da consciência deve se pronunciar ao imaginar que alunos possam ler seus escritos.

Pablo Mizraji

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Conferência Mundial na Bolívia


Na próxima semana, Cochabamba, na Bolívia, transformar-se-á no centro das discussões sobre mudança climática.
Cerca de 11.500 pessoas de várias partes do mundo lá se reunirão, entre os dias 19 e 22 de Abril, para participar na “Conferência Mundial dos Povos sobre Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra”.
Logo a abrir a conferência, na tarde de segunda-feira (dia 19), indígenas de diversas regiões realizarão uma Assembleia frente à Mudança Climática e pelo Bom Viver.
Entre as sugestões da Conferência estão a criação de um Tribunal de Justiça Climático para julgar os países que não cumpram o Protocolo de Kyoto e a realização de um referendo mundial sobre as estratégias de defesa da Mãe Terra. Além disso, 17 grupos de trabalho realizarão propostas sobre temas como: harmonia com a natureza, direitos da Mãe Terra, povos indígenas, dívida climática, perigos do mercado de carbono, e agricultura e soberania alimentar.
A Conferência acontece num momento muito especial. Se os governos poderosos se negaram a dar a sua contribuição durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas, ocorrida em Copenhague, a resposta vem agora da base, de povos de todos os continentes que pa rticiparão ativamente com centenas de atividades durante estes quatro dias de encontro.
A conferência foi convocada pelo presidente boliviano Evo Morales e o evento leva em consideração a conjugação de forças para reverter o quadro de mudança climática no planeta, que afetará, sobretudo, as populações mais pobres, destruindo os seus lares e as suas fontes de sobrevivência. Essas pessoas, alerta a convocatória, serão obrigadas a migrar dos seus locais de origem, enquanto os responsáveis pelos mais altos níveis de emissões de gases estão nos países ricos e industrializados.
“O aquecimento global é a consequência das ações humanas que romperam a relação de harm onia com a Mãe Terra. O mal-estar da Mãe Terra é consequência das práticas ocidentais que romperam com o Bom Viver dos povos indígenas que, por séculos, mantêm uma relação de reciprocidade com a natureza, porque ela dá vida. O futuro do planeta depende da sabedoria ancestral dos povos indígenas que se sintetiza na proposta do Bom Viver”.
Indígenas de diversas regiões trocarão experiências e indicarão estratégias ante a crise climática. Tais propostas, de acordo com comunicado da convocatória assinado pela Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (CAOI), serão colocadas numa Declaração dos Povos e Nacionalidades Indígenas do Abya Yala, a qual será apresentada na Conferência dos Povos, em Cochabamba, e na COP16, que será realizada em Novembro próximo, no México.
Mais informações em: http://cmpcc.org/

Ato Público em frente ao Shopping Iguatemi 05/06/2007


Posso sair daqui pra me organizar
Posso sair daqui pra me desorganizar
Da lama ao caos, do caos a lama
Um homem roubado nunca se engana
Ô Josué eu nunca vi tamanha desgraça
Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça
Com a barriga vazia não consigo dormir
E com o bucho mais cheio comecei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Porque

Da lama ao caos, do caos a lama
Um homem roubado nunca se engana

Chico Science – Do Caos à Lama

Hoje estão previstos para a tarde inteira, uma série de manifestações contra o empreendimento do Shopping Iguatemi, bairro Santa Mônica em Florianópolis, um dos alvos da Operação Moeda Verde da Polícia Federal. Várias entidades locais, comunitárias, acadêmicas e do terceiro setor se mobilizam junto à Vara Federal Ambiental para cobrar medidas mais drásticas contra o projeto que fora aprovado, segundo a relatoria da PF, ilegalmente. A construção do enorme bloco de concreto comercial justamente está assentada sobre uma área de preservação permamente, região de manguezal, com sérios riscos de comprometimento da estrutura ecossistêmica.

Os resultados da inspeção judicial feita no dia 13 mostram que, definitivamente, os pontos acordados não foram cumpridos pelo sócio-proprietário Paulo Cezar Maciel da Silva, e estipula-se uma multa de cerca de R$ 2 milhões. Mesmo assim, o mega-empreendimento foi embargado várias vezes em demonstração de pura ousadia aos processos políticos e judiciários. A alegação dos advogados de Paulo Cezar é a de que no mesmo local, ou seja, em cima da região de manguezal, a concessionária Santa Fé Veículos mantinha integralmente sua área de 30,2 mil metros quadrados. Na época, o alvará de construção tinha sido liberado pela prefeitura numa quarta-feira à noite, com a parceria do grupo português Sonae Distribuição e com a oferta de um investimento de R$ 110 milhões. De acordo com as informações da própria assessoria de comunicação da Santa Fé, o grupo Sonae também é investidor do hipermercado BIG com 7,5 mil metros quadrados, num aterro às margens da Via Expressa, em Florianópolis.

Verificamos ainda que laudos técnicos já haviam sido preparados desde 1999, na Ata da 101ª sessão ordinária, da 13ª Legislatura, realizada em 29 de novembro que já assinalava situações irregulares e pedia esclarecimentos quanto à edificação dos prédios da empresa Santa Fé Veículos, o Posto de Gasolina (em frente) e o Centro Comercial, localizados no bairro Santa Mônica. A defesa, tanto dos proprietários da Santa Fé quanto os do novo shopping, é uníssona em afirmar que as acusações contra as mesmas, afirmando que a área é de mangue, são inverídicas, conforme atestaram peritos.

Dada a ilegalidade flagrante e as investigações entre as partes envolvidas, mais embargos poderão ser efetuados. Posteriormente, o prédio estará passível de demolição, caso seja confirmada a agressão ambiental nos laudos, como já ocorreu em outros casos. A comunidade espera que, desta vez, ao contrário de terminar em sopa de siri, os órgãos federais junto com a mobilização popular tenham sucesso no que diz respeito à manutenção de todo o ecossistema ali presente. Essas medidas também estão sendo tomadas contra o Floripa Shopping, Grupo Energia, Habitasul e Il Campanário.

A manifestação marcada para hoje, Dia do Meio-Ambiente, vem de encontro com outras atividades realizadas por associações comunitárias, como a mostra de artes de alunos do Maciço do Morro da Cruz na Assembléia Legislativa em Florianópolis.

FONTE: Pablo Mizraji

La yerba de la mañana


Con un cuchillito levantando a la noche
la mañana respecta tu cubierta
me sento a la ventana
contente con los aromas del frescor
del agua caliente a ti me recuerdo
Lejos y cerca, de tus lindos ojos negros
Mi alma no se aburre de verte
una melancolica sonrisa inocente
me llaman los sueños de repente
para tentar acostumbrarme del color de tus pelos