8 de Março é das trabalhadoras de um mundo novo


Dia da Mulher Trabalhadora – Breves biografias de dez mulheres. Aos poucos, como as costureiras dessas histórias que vamos contar, vamos costurando essa colcha de retalhos tão rica que é a experiência de lutas dos povos do mundo. Como as educadoras, vamos passando isso pra adiante, para os filhos e filhas do povo, que já nascem com o punho levantado. Essas mulheres junto com aquelas 129 queimadas dentro da fábrica, junto com todas as lutadoras do povo que já se foram e as que seguem, recebam nossa modesta homenagem.

Companheiras libertárias


Malvina Tavares
Seu nome completo era Júlia Malvina Hailliot Tavares. Natural de Encruzilhada do Sul, RS, nasceu em 24 de novembro de 1866. Pioneira do ensino laico no Brasil.  Formada, foi lecionar na vila de Encruzilhada, em 1898, ministrando aos seus alunos um tipo de educação laica e libertadora, espécie de Escola Moderna, nos moldes daquela defendida pelo educador espanhol anarquista Francisco Ferrer. Malvina faleceu em 16 de outubro de 1939. Há uma rua com seu nome em Porto Alegre.

Fonte:  Os anarquistas do Rio Grande do Sul – João Batista Marçal

Dorvalina Martins Ribas
Nasceu em Porto Alegre, RS, em 12 de agosto de 1900. Ainda estudante se tornou discípula de Francisco Ferrer e adepta do ensino laico. A escola funcionava na Rua Ramiro Barcelos, 197, na então chamada Colônia Africana, espécie de gueto negro localizado onde fica hoje o bairro Bom Fim. O “Correio do Povo” de 3 de maio de 1919 informa que nas comemorações do 1º de maio a passeata operária parou na frente da Escola Moderna e ali foi saudada por seus alunos com o hino “Porvir”. Os trabalhadores – segundo a mesma fonte – responderam a homenagem cantando o hino “Filhos do Povo”. À frente dos alunos, a professora Dorvalina Ribas. Dorvalina e Jesus integravam o Grupo Anarquista Internacional, em 1928, quando ela proferiu uma concorrida palestra na homenagem que a FORGS prestou à memória de Francisco Ferrer. Este ato ocorreu na rua Jerônimo Coelho. A partir dos anos 30, Dorvalina e o marido seguem dedicando-se è educação infantil, construindo o Instituto de Assistência e Proteção à Infância, junto à pedreira do Morro de Santo Antônio. A idéia surge depois que o casal recebe a denúncia de que um grupo católico mantinha crianças em um porão sujo, alimentadas de restos de comida de restaurantes da burguesia. Criam o instituto para abrigar as crianças, reunindo as poucas economias do casal, com muito empenho e apoio da comunidade. A educadora virá a falecer de câncer em março de 1944, com 43 anos.

Fonte: Os anarquistas do Rio Grande do Sul – João Batista Marçal

Espertirina Martins
Natural de Lajeado, RS, Espertirina era a mais jovem das irmãs Martins, nascida em 1902. Foi aluna da Escola Moderna de Malvina Tavares, e com apenas quinze anos, em 1917, carregava a bomba com que Djalma Fettermann enfrentou a carga de cavalaria da Brigada Militar na batalha campal travada na Várzea, hoje avenida João Pessoa, entre anarquistas e brigadianos, em janeiro deste ano. O confronto se deu durante o enterro de um trabalhador assassinado pela repressão. Espertirina levava essa bomba disfarçada dentro de um buquê de flores… Meses depois, em julho, estouraria a greve geral que ficaria conhecida como “A Guerra dos Braços Cruzados”, que pararia Porto Alegre e outras cidades do estado, e da qual Espertirina e sua família participaram ativamente. De novo em Porto Alegre, já moça, tornou-se uma feminista convicta . Em 1925 foi residir com Eulina e Zenon em Campos (RJ), ligando-se novamente aos grupos anarquistas, quando promoveu reuniões e pronunciou conferências”. Foi residir no Rio, na Ilha do Governador, Praia da Bandeira, ligando-se a Edgar Leuentoth, junto a quem prosseguiram nas atividades revolucionárias, até voltarem para Porto Alegre. Aqui. Espertirina veio a falecer em 22 de dezembro de 1942, em virtude das complicações de um parto prematuro e apendicite.

Fonte: Os anarquistas do Rio Grande do Sul – João Batista Marçal

Elvira Boni

Filha de imigrantes italianos, nasceu em 1889 no Espírito Santo do Pinhal, estado de São Paulo, começou ainda criança com suas irmãs e irmãos, assistindo a palestras na Sociedade Dante Alighieri. Começou a trabalhar aos 12 anos de idade como aprendiz de costureira na rua Uruguaiana. Inicialmente não recebia salário e depois passou a receber 10 mil réis por mês. Já conhecia a Liga Anti-Clerical, com sede na Av. Marechal Floriano. Por essa época (1911-12), a jornada de trabalho começava às 8 horas e terminava à 19 horas e quando o serviço apertava, prolongava-se até às 20 e 22 horas.

Aos poucos Elvira forma-se profissionalmente, começa alargar seus horizontes  lendo os jornais operários e anarquistas. Impulsionada pelo anarco-sindicalismo, em maio de 1919, com 50 companheiras de profissão, forma a União das Costureiras, Chapeleiras e Classes Anexas, passando a funcionar na sede da União dos Alfaiates do Rio de Janeiro.

A primeira iniciativa da associação das operárias costureiras, ainda em 1919, foi deflagrar greve pelas 8 horas de trabalho. Muitas grevistas foram punidas com a demissão sumária. Não obstante as medidas repressivas, as mulheres trabalhadoras continuaram sua luta, publicando manifestos e, no 3º Congresso Operário Brasileiro, Elvira Boni e Noêmia Lopes representaram as costureiras e por extensão as mulheres. Elvira presidiu a sessão final do Congresso, que ocorreu em 1920.

Tomou parte também na representação de peças anarquistas e anti-clericais de grande importância para a propaganda libertária, levadas à cena por grupos amadores nos palcos dos salões das associações operárias do Rio de Janeiro.

Fonte: “Companheiros” e “Alvorada Operária” de Edgar Rodrigues

Elena Quinteros
Nasce em 9 de setembro de 1945 em Montevidéu, Uruguai.

Estudou Magistério no Instituto de Professores Artigas, onde inicia sua militância no grêmio estudantil. Em 1966 aos 21 anos de idade, obtêm seu título como professora e começa a trabalhar em uma escola de Pando, Canelones. Nessa época se integra à Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e também a Resistência Operária Estudantil (ROE), da qual foi ativa militante. Atuou no meio sindical e integrou as Missões Sociopedagógicas, uma iniciativa dos professores do Instituto Cooperativo de Educação Rural.

Em 16 de novembro de 1967 foi detida pela primeira vez e liberada no outro dia. Em outubro de1969 foi detida, processada e enviada à prisão, onde permaneceu até outubro de 1970. Em 1975 é destituída de seu cargo pelo governo ditatorial.

Em 26 de junho de 1976 é seqüestrada nos jardins da Embaixada de Venezuela e levada ao Batalhão nº 13 de infantaria, e posteriormente retirada dali em 28 de junho sob forte custódia, para que não estabelecesse contato algum com sua organização. Enquanto é escoltada, salta de improviso o muro da Embaixada da Venezuela, grita seu nome e pede asilo; o pessoal da embaixada busca socorrê-la, mas a escolta consegue frustrar o auxílio e fuga. Se produz um forcejo entre o pessoal da embaixada e os efetivos militares, os quais terminam por arrastar Quinteros para um carro. Com a perna quebrada ao tentar a fuga, é levada de volta ao Batalhão n° 13, onde funciona um centro de tortura da ditadura uruguaia.Desde aí não se tem mais notícias do que houve com Quinteros. O embaixador da Venezuela no Uruguai, Júlio Ramos, se comunica por telefone com o Ministério de Relações Exteriores Uruguaio e denuncia o fato ao subsecretário Guido Michelín Salomón, posto que o Ministro Juan Carlos Blanco não se encontrava na sede ministerial. Esta situação se converte em um incidente diplomático de envergadura que finaliza com a ruptura de relações diplomáticas por parte de Venezuela.

De Elena, assim se recordam seus companheiros da FAU: “Dizia como era persistente. E persistente classista. Detestava o ascensionismo, o reformismo, o eleitoralismo… Lutava por uma revolução do povo, um protagonismo do povo, uma justiça do povo e não por soluções de Mazorcas. Nunca pelas soluções autoritárias e exploradoras largamente experimentadas e largamente tão desastrosas para os trabalhadores.” (…) “Sem falar de sua moral política impecável. Sua fraternidade, sua generosidade que também formam parte desta companheira que sempre formará parte de nós.”

Fonte: Wikipédia, FAU

Margarita Ortega
Como outros grupos revolucionários – zapatistas, villistas e etc – o movimento anarquista da México, encabeçado pelo Partido Liberal Mexicano, havia lançado-se às armas contra a brutal ditadura do general Porfirio Díaz. Com a luta e sob terrível repressão, a influência das idéias anarquistas de Magón e seus companheiros estendia-se cada vez com maior força no seio das sociedades camponesa e operária do norte do México e Baixa Califórnia, do mesmo modo que no sul acontecia a rebelião zapatista.

No inicio de 1911 uma das pessoas encarregadas do contato entre combatentes libertários magonistas era uma mulher: Margarita Ortega. Sua arriscada tarefa consistia em atravessar as linhas inimigas guiando os grupos que transportavam as armas, víveres e medicamentos até as agrupações que estavam armadas, e que viviam escondidas nas montanhas ou misturadas nas cidades e vilas. Sua valentia em combate e sua habilidade como amazona – que lhe permitiram escapar de várias emboscadas -, era proverbial entre os guerrilheiros.

A história daquela extraordinária mulher, que aparecia em canções populares, era bem conhecida e admirada entre os revolucionários. Ainda que filha de uma família estabelecida, desde de muito cedo preocupou-se com o destino dos trabalhadores e, como ela dizia, dos deserdados, vítimas da injustiça social. Seus familiares – que aspiravam fazer parte da burguesia endinheirada – não só rechaçavam as idéias que a filha tinha, como odiavam e repudiavam sua atitude. E nessa ambiente, Margarita se casou e em pouco tempo, deu a luz a uma filha que pôs o nome de Rosaura e devotará a ela um grande afeto.

Durante a infância de Rosaura, a mãe se vinculou ao movimento anarquista de Flores Magón. Desde o primeiro momento desenvolveu uma atividade organizativa extraordinária que lhe valeu a confiança dos grupos clandestinos. Mas a medida que chegava o fim da sangrenta ditadura, a luta tornava-se mais dura. Em princípios de 1911, alguns meses antes da queda do ditador, Margarita – segundo o próprio Magón – propôs ao marido irem juntos combater na guerrilha: Eu te amo – ela disse -, mas amo também a todos que sofrem e pelos quais luto e arrisco minha vida. Não quero ver mais homens e mulheres dando sua força, saúde, inteligência, seu futuro para enriquecer os burgueses; não quero que por mais tempo haja homens mandando em outros homens. O marido negou-se. Então Margarita dirigiu-se a sua jovem filha, Rosaura Gortari: E você, minha filha, está disposta a me seguir ou prefere ficar com a família? Rosaura não duvidou em seguir a sua mãe e ambas ingressaram como combatentes nos grupos armados.

Quando em 21 de Maio de 1911 cai Porfirio Díaz, uma explosão de alegria sacode todo o México. O povo saiu para a rua acreditando que a liberdade e o fim da miséria estavam ao alcance da mão. Também Margarita Ortega e sua filha regressaram a cidade e compartilharam com sua gente a ingênua ilusão de que o fim da exploração estava próximo.

Entretanto, pouco durou a alegria e a esperança. Uma vez que Madero foi nomeado presidente, ele nega ao povo tudo aquilo porquê havia lutado. Não acontece a reforma agrária, nem a devolução das terras comunais. E nas oficinas continuam as jornadas abusivas e salários infames. Os mineiros permanecem escravizados aos interesses das companhias estrangeiras que saqueiam o país… Em poucos meses, as prisões se enchem de novo. Os fuzilamentos e execuções sumárias se sucedem por todo o país e muitos revolucionários têm que retornar às montanhas. Entre eles Zapata, Flores Magón…

Naqueles dias, o general Rodolfo Gallegos ordenou que se levasse as duas mulheres até o deserto e as colocasse em marcha sobre o imenso areal, debaixo de um sol abrasador, sem água, sem alimentos e a pé, com a advertência de que seriam passadas pelas armas se voltassem ao povoado.

Durante vários dias, mãe e filha arrastaram-se por aquele imenso areal, que fazia fronteira com os Estados Unidos. A sede e a fome foram minando a resistência de ambas. Rosaura, a menina, foi a primeira a cair exausta com os lábios inchados e o rosto queimado. A mãe, ao vê-la cair desmaiada e com os olhos fechados, acreditou que tudo havia terminado decidindo assim suicidar-se, mais ao apontar o revólver para a cabeça viu que a filha a observava. Tirando forças sabe-se lá de onde conseguiram alcançar as cercanias do povoado de Yuma, já nos EUA.

Ainda não recuperadas do sofrimento, os inspetores da imigração norte-americana arrastaram as duas mulheres e pretendiam deportá-las para o México, entregando-as a uma morte certa. Afortunadamente, em Yuma havia uma importante seção do movimento anarquista de Flores Magón que, em seguida, organizou a fuga. Margarita e sua filha, – que todavia não haviam superado as penalidades vividas no deserto – foram transferidas pelos compatriotas magonistas para Phoenix, Arizona, trocando seus nomes respectivos por os de Maria Valdés e Josefina. Entretanto, apesar dos cuidados da mãe e dos companheiros a pequena Rosaura não pode salvar-se, falecendo logo que chegou. Durante algum tempo a mãe pareceu desesperar-se mas, com o passar dos dias, tendo os olhos dirigidos para a terrível fronteira que havia levado a sua filha, pouco a pouco foi reanimando-se em Margarita a necessidade de continuar a luta que havia iniciado com a sua querida filha. De algum modo, Rosaura continuaria vivendo nela, se manteria a esperança em um ideal comum. Assim o fez. Com o companheiro Natividad Cortés – conta Flores Magón – empreendeu a tarefa de organizar o movimento revolucionário no norte de Sonora, tendo como base de operações o vilarejo de Sonoyta, do dito estado.

Mas a tragédia a perseguia sob o nome do general Rodolfo Gallegos, agora partidário do novo chefe Carranza e contra o ditador Huerta que havia assassinado Madero e ocupado o cargo de presidente da República.

Em outubro de 1913, Gallegos havia sido encarregado por Carranza de vigiar a fronteira e cumprindo este trabalho policial, em uma triste casualidade, pôs as mãos nos anarquistas. Natividad Cortés foi fuzilado no ato, e Margarita levada prisioneira até a Baixa Califórnia, onde Gallegos mandou deixá-la em um lugar que forçosamente seria vista e aprisionada pelos huertistas, deixando a esses a tarefa de assassina-la.

Apenas um mês mais tarde, em 20 de novembro, Margarita foi entregue as tropas do ditador Huerta. Em um campo próximo a Mexicali. Submetida a tortura para que delatasse os companheiros que lutavam contra a nova ditadura e que sustentavam a organização anarquista clandestina, Margarita resistiu em silêncio. Durante quatro dias a obrigaram a ficar de pé e quando caia a levantavam por meio de chutes e coronhadas. Diante de seu obstinado silêncio, na manhã de 24 de novembro de 1913 a jogaram no deserto e ali a fuzilaram, deixando seu cadáver estirado.

No ano seguinte chegada a brutal notícia ao conhecimento de Flores Magón, este escreve uma dolorida crônica – que serviu de base para estes apontamentos – que segue, passo a passo, o terrível, enérgico testemunho desta mulher indomável, que será como uma premunição de si mesma.

Fonte: M. Genofonte – Revista La Campana

Lucia Parsons
“Lucia González de Parsons? ¡Ah!… sim é uma mulata que não chora”, escreveu José Martí em suas crônicas sobre os acontecimentos de Chicago em 1886 publicadas pelo jornal argentino La Nación.

Seu verdadeiro nome era Lucia Eldine González e nasceu em 1853 em Johnson Country, Texas, poucos anos depois de que este Estado deixasse de ser mexicano, sendo tomado pelos americanos invasores.

Lucia era filha de uma mexicana (possivelmente de origem africana) e de um índio creek, e se considerava mexicana. Aos três anos de idade ficou órfã, sendo criada por um tio materno em um rancho do Texas. Investigações recentes assinalam que provavelmente Lucia foi escrava nesse rancho. O historiador James D. Cockcroft a definiu como “uma mulher hispano falante de mistura índia-africana-mexicana e uma ativista operária toda sua vida”.

Foi em Austin (cidade que junto com San Antonio integrava o cordão do algodão, onde residia grande número de mexicanos) que Lucia González conheceu Albert Parsons. Ali ambos se casaram em 1871 ou 1872, e desde então ela passou a ser conhecida como Lucia Parsons.

Devido a sua condição de republicano radical e a que sua recém fundada família era uma mistura de raças, o irmão de Albert, que era general, obrigou-o abandonar o Estado. Com seus escassos pertences os esposos Parsons se trasladaram a Chicago em 1873. Lucia abriu uma pequena loja de roupa para ajudar na economia do lar e Alberto começou a trabalhar numa gráfica.

Chicago era uma cidade de “estrangeiros”, arrastados pelo sistema mundial de acumulação capitalista à periferia de uma cidade industrial onde já havia começado a gestação dos acontecimentos de 1886. Durante o inverno de 1872, milhares de pessoas famintas e sem lar por causa do Grande Incêndio, realizaram manifestações pedindo ajuda. Muitas delas levavam cartazes proclamando “pão ou sangue”. Receberam sangue: corridos ao túnel sob o rio Chicago, foram baleados e golpeados. Em 1877, uma onda de greves se estendeu pelas redes ferroviárias alcançando a Chicago, e as assembléias operárias eram dissolvidas pela polícia a balaços.

A burguesia industrial de Chicago gozava de uma merecida fama de selvageria e o Departamento de Polícia atuava como uma força privada a seu serviço. A maioria dos policiais, além do pagamento que recebiam do município, percebia dinheiro das organizações patronais e tinham assumido que todo grevista era um agente estrangeiro ao serviço do anarquismo ou do socialismo.

Lucia, que tinha qualidades de organizadora, se apaixonou pela leitura e em 1878 começou a redigir artigos sobre diversos temas, entre outros sobre os sem-teto, os desempregados, os vagabundos, os veteranos da Guerra Civil e sobre o papel da mulher na construção do socialismo. Também contribuiu a formar a União de Mulheres Trabalhadoras de Chicago, a mesma que em 1882 “Os Cavalheiros do Trabalho” reconheceram e somaram a suas fileiras (nesses anos não se permitia a militância de mulheres nas organizações). Alem disso, participou na fundação da International Workin People’s Asociation (IWPA), de idéias anarquistas, que promovia a ação direta contra os capitalistas.

Em 1885, em plena efervescência pela jornada de oito horas, foi muito ativa na organização das costureiras da indústria de grãos (sweat-shops). Colaborava com artigos para o jornal O Alarme que editava seu esposo

O 1o de maio de 1886, levando da mão a seus pequenos filhos (Lulu de oito anos e Albertinho de sete) Lucia e Alberto caminhavam para o lugar do comício repetindo a consigna que estava na boca de milhares de trabalhadores e trabalhadoras: “não queremos trabalhar mais de oito horas”. O mesmo dia, o Chicago Mail advertia no seu editorial: “Há dois rufiões perigosos que andam em liberdade nesta cidade; dois covardes que se ocultam e que estão tratando de criar dificuldades. Um deles se chama Parsons, o outro Spies. Marquem-nos hoje. Mantenham-nos à vista. Indiquem-nos como pessoalmente responsáveis de qualquer dificuldade que ocorrer. Façam um escarmento realmente exemplar com eles se de verdade se produzem dificuldades”. Estavam condenados de antemão. Mas aquele 1o de maio acabou sem incidentes.

O 4 de maio se realizou um comício na Praça Haymarket para protestar pela repressão policial, que tinha vitimado seis vidas operárias na frente da fábrica Mc Cormik quando uma bomba matou o policial Degan. Lucia e Alberto, depois que este falara no comício, se encontravam junto de seus filhos no Salão Zept’ s, o que demonstra que nada tiveram a ver com aquela bomba, pelo qual se condenou a quem depois se converteriam nos Mártires de Chicago ao morrer na forca ou purgar longas condenações na prisão.

Parsons, convencido de que seria culpado, conseguiu fugir no meio da confusão, e dias mais tarde, depois discutir o assunto com Lucia, decidiu apresentar-se. Subitamente apareceu perante da Corte exclamando: “Nossas Honorabilidades, tenho vindo para que se me processe junto de todos meus inocentes companheiros”. Lucia, acompanhada pelos seus filhos percorreu todo o país durante quase um ano. Dirigiu-se a mais de 200 mil pessoas em 16 estados, falando de noite e viajando de dia. Escreveu centenas de cartas a sindicatos e diferentes autoridades, tanto dos Estados Unidos como de todo o mundo.

Quando o 9 de outubro de 1886 se proclamou a sentença de morte Lucia estava na sala, apertou seu punho contra o rosto e não quis derramar lágrimas frente aos algozes. Lucia disse: “Se de mim depende que Albert peça perdão, que o enforquem”.

Pouco antes que o enforcassem, Alberto escrevia: “A minha pobre e querida esposa: Tu es uma mulher do povo e ao povo te lego. Devo fazer-te um pedido: não cometas nenhum ato temerário quando eu tenha ido, mas assume a causa do socialismo, já que eu me vejo obrigado a abandona-la”. Depois do enforcamento de seu esposo, Lucia seguiu percorrendo o país, organizando as trabalhadoras e escrevendo em jornais sindicais. Participou nas mobilizações de 1890, quando se comemorou pela primeira vez o 1o de Maio nos Estados Unidos.

Em junho de 1905 esteve presente na constituição de Trabalhadores Industriais do Mundo (IWW, pelas suas siglas em inglês), organização influenciada pelo anarco-sindicalismo. Naquela oportunidade manifestou: “Somos escravas dos escravos. Exploram-nos mais impiedosamente que aos homens. Onde queira que os salários devam ser reduzidos, os capitalistas utilizam as mulheres para reduzi-los, e se há qualquer coisa que vocês os homens devem fazer no futuro, é organizar as mulheres”.

O 15 de dezembro de 1911 realizou um balanço sobre os efeitos da publicação “Os famosos discursos dos Mártires de Haymarket”, declarando que já tinha vendido 10 mil cópias ao tempo que anunciava uma sexta edição de 12 mil exemplares. Em 1913, aos 60 anos de idade, foi detida pela polícia de Los Angeles.

Aos 89 anos, Lucia seguia ativa, quando a morte a surpreendeu em Chicago ao incendiar-se sua casa em 1942. Finalizavam 62 anos de militância político-sindical, mas ainda que morta, a polícia a seguia considerando uma ameaça, pois seus documentos pessoais foram confiscados.

Fonte: Enildo Iglesias- Rel-UITA

Louise Michel
Nasceu em 29 de maio de 1830 em Haute Marne (França). Era filha de uma servente, não reconhecida pelo pai, o patrão da sua mãe. Através do apoio do avô recebeu educação e se converteu em professora. Louise instrui as crianças conforme suas convicções e não como exige o governo imperial. Explica às crianças que Napoleão é um criminoso, um tirano, um traidor, os ensina cantos revolucionários e outras coisas. Os pequenos mostram-se muito contentes com a estranha professora mais o diretor chega logo à conclusão de que ela não serve para o magistério.

Louise vai então para Paris e começa a lecionar em uma escola livre, pois nas públicas tinha que prestar juramento de fidelidade ao imperador. Estas escolas pagavam muito mal, e Louise para poder sustentar e ajudar a mãe que dela dependia também dava classes particulares de música e desenho. Apesar disso não deixou de participar dos clubes revolucionários onde conheceu vários militantes de esquerda. Toma parte do grupo “O direito da mulher”, formado por socialistas e feministas .

Louise participa em todas as tentativas revolucionárias contra Napoleão III e quando o trono imperial cai destruído por ocasião da guerra franco-alemã. Ela é a primeira a atacar a chamada República de Setembro, a república da burguesia francesa.

Durante a Comuna de Paris, em 1871, animou o Clube da Revolução e suas milícias, comandando um batalhão feminino que se enfrentou com os reacionários nas barricadas de Paris. A condenaram a dez anos de exílio depois de ter declarado em juízo o seguinte:

“Não quero me defender. Pertenço por inteiro à revolução social. Declaro aceitar a responsabilidade dos meus atos. O que peço é para ser conduzida ao Campo de Satory, onde foram conduzidos e metralhados os nossos irmãos. Já que, segundo parece, todo coração que luta pela liberdade só tem direito a um tanto de chumbo, exijo minha parte. Se me deixarem viver, não cessarei de clamar vingança e de denunciar, e, vingança de meus irmãos, aos assassinos desta Comissão.”

Deportada para a ilha de Nouméa, uma colônia penitenciária francesa situada no Oceano Pacífico, no arquipélago de Nova Caledônia, colaborou com aqueles que lutavam pela independência política dessa colônia francesa. Lá eram assassinados centenas de índios canacos que fartos da exploração francesa, haviam levantado-se esgrimindo facas, lanças e flechas contra os poderoso canhões e fuzis do exército francês. Louise aprendeu seu idioma, se internou na selva e montou uma escola e uma dispensa.

Dois anos depois do seu regresso à França em 1881, foi processada por encabeçar uma manifestação de desempregados que culminou em uma expropriação dos comércios. Obteve uma nova condenação de seis anos de prisão. Escreveu “Memórias da Comuna”, em 1898, além de novelas e dramas sociais como “A Miséria”, “Os Filhos do Povo”, “Os delitos de uma época”, entre outros. Em 1889 Louise falava em um ato quando um espectador situado atrás dela lhe disparou duas vezes na cabeça. Detido imediatamente, Louise mesmo ferida pediu que o soltassem, entendendo ser um pobre miserável a quem pagaram para matá-la.

Em 1890 foi viver na Inglaterra, onde conheceu outros famosos libertários: Malatesta, Emma Goldmam, Kropotkin, Pedro Gori. Em Londres funda a “Escola Dominical Internacional” junto com Sebastian Faure e H. W. Nevinson.

Morreu em 1905, enquanto dava uma conferência para trabalhadores em Marselha. Milhares de pessoas seguram seu féretro. Foi enterrada envolta pelo estandarte da Comuna de Paris.

Fonte: Revista “La Campana”, Rudolf Rocker, Wikipédia

Emma Goldman
(27 de junho de 1869 – 14 de maio de 1940).

Célebre anarquista de origem lituana conhecida por seus escritos e seus manifestos libertários e feministas, foi uma das pioneiras na luta pela emancipação da mulher.

Nasceu no seio de uma família judia de Kaunas, na Lituânia, que regiam um pequeno hotel. Sofreu uma infância violenta, tendo sido estuprada com apenas 12 anos.Durante o período de repressão política que seguiu ao assassinato de Alexandre II, e quando tinha 13 anos, se transladou com sua família para São Petersburgo.

Emigrou aos Estados Unidos com uma irmã depois de um enfrentemento com seu pai, que pretendia casá-la aos 15 anos. Passou a trabalhar como operária têxtil. O enforcamento de quatro anarquistas depois do motim de Haymarket, em Chicago, animou a jovem Emma Goldman a unir-se ao movimento anarquista e converter-se aos 20 anos, em uma autêntica revolucionária. Nessa época casou com um emigrante russo, mas o casamento durou apenas 10 meses. Emma se separou e foi para Nova Iorque. Continuou legalmente casada para conservar sua cidadania americana.

Emma foi presa em 1893 na penitenciária das ilhas Blackwell. Publicamente instigou os operários à greve “Peçais trabalho, se não dai-vos, peçais pão, e se não dai-vos nem pão nem trabalho, tomem o pão”. Esta citação é um resumo do princípio de expropriação preconizada pelos anarco-comunistas como Piotr Kropotkin. Voltairine de Cleyre saiu em defesa de Emma Goldman em uma conferência dada depois de sua prisão. Enquanto permaneceu na prisão, desenvolveu um profundo interesse pela educação das crianças, para o que iria dedicar-se anos mais tarde.

Junto com nove pessoas foi novamente presa em 1901 acusada de participar de um complô de assassinato contra o presidente William Mc Kinley. Um deles, Léon Czolgosz que havia dado o tiro, havia assistido uma conferência de Emma Goldman e se tornado anarquista desde então.

Entre 1906 e 1917 publica a revista anarquista mensal “Mãe Terra”. Em 1910 escreve “Anarquismo e outros ensaios”. Em 11 de fevereiro de 1916 é detida e presa de novo pela distribuição de um manifesto em favor do aborto. Durante vários anos, e cada vez que dava uma conferência, esperava ser detida, por isso sempre carregava um bom livro.

Em 1917 é encarcerada junto com Alexander Berkman por conspirar contra a lei que obrigava ao serviço militar nos Estados Unidos. Fez públicas suas críticas à Primeira Guerra Mundial e seu caráter imperialista.

Seu apoio a Berkman na tentativa de assassinato do industrial Henry Clay Frick a fez ainda mais impopular frente as autoridades americanas. Berkman foi preso durante vários anos.

Em 1919 foi expulsa dos EUA e deportada para a Rússia. Durante a audiência que tratava de sua expulsão o presidente da mesma qualificou a Emma como “uma das mulheres mais perigosas da América”.

Residiu na URSS com A. Berkman entre 1920 e 1922 e participou da sublevação anarquista de Kronstadt. Dessa época datam seus escritos “Minha desilusão com Rússia” e “Minha posterior desilusão com Rússia”. Desconforme com o autoritarismo soviético, se instalou definitivamente no Canadá. Em 1931 escreve sua autobiografia “Vivendo minha vida”. Morreu em Toronto em 1940 e está enterrada em Chicago.

Fonte: Wikipédia

Ida Mett
Ida Gilman nasceu em 20 de julho de 1901 em Smorgone (atual Bielorrússia). Seus pais, comerciantes de telas pertenciam à comunidade judia, permitiram-na estudar medicina.

Jovem passou a freqüentar círculos anarquistas em Moscou. Algumas semanas antes de receber o diploma em 1924, foi presa pelas autoridades soviéticas por “atividades subversivas”. Com 23 anos se viu obrigada a deixar a Rússia. Vive dois anos na Polônia e em seguida chega a Paris, em 1926. Mudou seu sobrenome para Mett, como fizeram outros revolucionários russos.

Em Paris se encontra com Nestor Makhno, Volin , Valensky, P. Archinov, assim como com Nicolas Lazarévitch, que se converte em seu companheiro. O grupo editava o jornal “Dielo Trouda” (“A obra do trabalho”), o qual Ida se soma.

O grupo produz neste ano a “Plataforma Organizativa para a União Geral dos Anarquistas”. A “Plataforma” faz uma avaliação crítica da participação dos anarquistas na Revolução Russa, que dispersos, sem uma organização, não conseguiram atuar com eficácia. Propõe uma declaração de princípios e formas organizativas.

Em 1928 Ida e Nicolás organizam campanhas informativas sobre a realidade da classe operária na Rússia soviética. Editam o periódico em francês “A libertação sindical” até que são expulsos do país em 25 de novembro de 1928.

Refugiada e Bélgica junto a seu companheiro conclui seus estudos de medicina e obtêm o diploma, embora não seja autorizada a exercer a profissão nem na Bélgica nem na França. O encontro com Ascaso e Durruti os leva a partirem para Espanha em 1931, onde participam de reuniões, atos, e auxilia Ascaso quando este é ferido em um tiroteio. De retorno a Bélgica, criam em 1933, com Jean De Boe, o periódoco “O Despertar sindicalista” e sofrem sucessivas condenações por sua militância.

Em 1936 voltam a França e Ida se converte em secretária do Sindicato de Gás da União de Trabalhadores.

Em 8 de maio de 1940, Nicolás e Ida são presos e separados. Ida fica internada durante um ano junto de seus filhos no campo de Rieucros, do qual sairá graças à Boris Souvarine, que lhes consegue moradia em Var.

Em 1948 trabalha como médica, além de empregar-se como tradutora. Neste ano publica seu famoso livro “A Comuna de Kronstadt” . A obra foi a primeira análise com rigor histórico que se fez sobre a rebelião dos marinheiros, que seriam assassinados por ordem de Trotsky. Coloca em evidência o papel jogado pelo Estado e pela cúpula bolchevique na repressão, não só de Kronstadt mas do movimento de rebelião e luta que se estendeu até fins de 1920 e princípios de 1921 por toda Rússia (greves em Petrogrado, a rebelião camponesa de Tambow…).

Ela também escreveu o estudo “O camponês na Revolução Russa e Pós Revolução”, que apareceu em 1968, entre outros.Another work, Medicine in the USSR appeared in 1953.

Morre em Paris em 27 de junho de 1973.

Fontes: Ediciones Espartaco, Enciclopédia Livre do Ateneo Virtual, Nick Heath – Libcom.net
Related Link: http://www.vermelhoenegro.org/fag/index.php

Morre o polêmico blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito


O polêmico blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito, de 52 anos, foi encontrado morto dentro da sua casa, por volta das 16 horas desta terça-feira (13).

Mosquito, apelido dos tempos da faculdade, ou Muska, era odiado e temido por muitos políticos catarienses, especialmente de Florianópolis, por suas duras e ácidas críticas, postadas no blog Tijoladas do Mosquito.

Amilton foi encontrado enforcado em seu apartamento, em Palhoça, o que sugere suicídio, segundo as autoridades policias que apuram o caso, mas a possibilidade de homicídio ainda não está descartada, apesar de não haver qualquer sinal de arrombamento na residência ou sinais aparentes de violência.

Dentre os 25 Boletins de Ocorrência policial feitos pelo blogueiro, levantados agora pela polícia, alguns eram sobre ameaças de morte.

Em seus últimos minutos de vida, estava conversando com um padre, amigo seu, através do computador. Ele teria deixado de teclar, e logo depois, o padre foi até a residência do blogueiro, encontrou a porta semi-aberta e o amigo enforcado com um lençol no corredor da escada. Mosquito morava só há oito anos, no loteamento Pedra Branca, em Palhoça.

Segundo, eu amigo, o jornalista e também blogueiro Sérgio Rubim, do Cangablog, “O secretário de segurança Walter Gruba determinou que uma equipe da diretoria de informação e inteligência do SSP se deslocasse até a casa de Amilton Alexandre. Por ser um personagem polêmico e visado, Gruba quer uma apuração detalhada sobre o caso.”

Informações sobre um mandato de prisão, que teria sido expedido contra o Mosquito neste final de tarde, foram desmentidas.

O polêmico jornalista florianopolitano foi preso em 1979 por participar de protesto contra o general João Batista Figueiredo, último presidente da ditadura militar, e enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Formado em Administração de Empresas pela UFSC, ele foi líder estudantil. Seu blog “Tijolhadas” lhe rendeu cerca de 30 processos por calúnia e difamação.

Izidoro Azevedo dos Santos (62 anos), advogado que defendeu Amilton em dois processos, levanta dúvida sobre o suicídio do blogueiro “terá mesmo o blogueiro se suicidado, ou sua morte terá sido obra dos incontáveis desafetos que cultivou, com suas enérgicas e contundentes denúncias de corrupção e lambanças políticas as mais variadas.”

Santos, que é conhecido como Herbert, conta que “Um deles (dos desafetos), numa audiência em que eu estava presente, chegou a afirmar, na frente da Juíza, que saíra de casa para matar o Amilton, mas fora dissuadido do seu intento pela família e por amigos.” Cuidadoso sobre essa ameaça, Herbert também postou em seu blog “Não posso afirmar que a morte do Mosquito tenha sido obra de gente ao serviço dele, citando a circunstância para lembrar o estado de exasperação em que chegaram os denunciados pelo blogueiro, com palavras contundentes e, não raro, consideradas infamantes, as quais engendraram inúmeros processos criminais e cíveis, contra os quais o acusado travava uma luta desigual, mesmo estando apoiado por simpatizantes.”

Neste dia em que Moska será enterrado, Sérgio Rubim postou em seu blog “Ainda ontem li no twitter um jornalista dizendo que tudo que ele não fazia era jornalismo. Despeito!

Talvez para esse jornalista, praticar jornalismo é fazer assessoria de imprensa e colunas elogiativas de autoridades. Está enganado. Mesmo com diploma de Administração, o Mosquito fazia jornalismo. Morreu em plena atividade da profissão.”

Rubim também comentou sobre o estado psicológio do Amilton Alexandre: “Sobre a sua morte, ele já vinha há dias mandando sinais de que pretendia dar cabo da vida. sozinho, sem dinheiro, com o seu blog fechado pela justiça, estava deprimido e parecia não encontrar saida para o fosso em que se meteu.”

Amilton Alexandre encerrou seu blog no dia 9 deste mês, onde postou:

“Quem tem acessado o blog nas últimas semanas notou um vem e vai de informações, postagens deletadas e até comentários sobre a coragem do blogueiro nas suas manifestações.

O blog foi construído com o objetivo de denunciar corrupção, tratar de assuntos ligados a cidadania e versar sobre os mais diversos temas da blogosfera.

Durante todo esse tempo, minha atividade foi manter o blog com informações e denúncias.

O blogueiro, apesar de muitas vezes advertido, carregou nas tintas contra os políticos. Passou dos limites em alguns casos. Claro, colheu processos e condenações, aos quais recorre.

Mas contribuiu para tentar sanear a política catarinense. Não foram poucos os assuntos tratados aqui  transformados em inquéritos no Ministério Público e ações civis públicas.

Quem achou que havia financiamento de grupos interessados em obter vantagens com o que era publicado aqui, se enganou.

Tanta dedicação ao blog levou-me a um isolamento familiar, com oposição a minha atividade, problemas de saúde e outras dificuldades. Nas últimas semanas acusei o nocaute. Não tenho mais como enfrentar as ameaças e retaliações pelo que publico. É sensato dar um tempo.

Como diz um amigo meu: O que vc ganhou com o blog?

O ganho não foi pessoal, mas coletivo. Talvez um dia eu tenha a resposta para a minha parte.

Agora vou tentar me reestruturar numa atividade menos tensa. Preciso dar mais atenção a quem precisa: eu mesmo.

Passando pelo Cangablog vejo que o arsenal de maldades dos políticos não para. Vou deixar o Canga linkado aqui permanentemente. Devo dar alguns pitacos lá.

Aos meus leitores desejo bom Natal e um Ano Novo com saúde e paz.”

A última postagem no blog do Mosquito, que não está mais no ar, havia o seguinte texto de Jerônimo Gomes Rubim:

E encerra suas atividades o polêmico blog Tijoladas do Mosquito. Por três anos, legislativo, judiciário, executivo e outras ôtoridades de SC tremeram nas bases com as denúncias e xingamentos do Mosquito.

Ele foi o primeiro a denunciar o escândalo da árvore de natal da Beira Mar Norte. O primeiro a falar sobre os estupro de uma menor envolvendo Sirotskys. Várias denúncias do blog, bem documentadas, estimularam investigações do Ministério Público e condenações. Chegou a ser citado na sentença de um juiz que condenava um prefeito do interior a devolver dinheiro público.Talvez não tenha feito jornalismo na forma e padrão convencional, disparando adjetivos tortos e alguns “filhos da puta” a mais. Ganhou mais de 50 processos por isso. Dependendo da teoria de análise, alguns vão dizer que nem jornalismo fez, era só denuncismo. Mas foi um defensor apaixonado da ilha e seu povo (nós), e fez o que o jornalismo local não faz: desmascarou, denunciou, investigou e provou irregularidades. Mostrou ali, no blog público e acessado por mais de cinco mil pessoas por dia, a mão grande e a completa desfaçatez de quem é muito bem pago para escolher por nós – e que faz questão de escolher apenas por eles.Deixa seguidores fiéis, que viram nesse justiceiro dos bytes a voz comunitária da indignação. A pressão, vocês devem imaginar, é terrível. No último achaque do poder, dava depoimento em processo movido por Dário Berger quando recebeu uma ilegal voz de prisão ao responder pergunta do promotor – que tem cargo público e não poderia estar ali.Tá tudo documentado no blog dele, aparece lá. Descubra um pouco mais sobre o que realmente acontece na sua cidade. Como ele mesmo escreveu, o blog entra para a história de Florianópolis.

“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.” – George Orwell”

Rádio Criciúma

Manifesto do Bar Canto Do Noel, DIVULGUE!


A Travessa Ratclif, hoje convertida num dos principais pontos de encontro de Floripa por conta das atividades da Travessa Cultural, Jazz e Samba do Bar Canto do Noel, todas gratuitas, têm sido alvo de processos e denúncias de alguns poucos vizinhos que acabaram por conseguir a suspensão total das atividades abertas ao público, queixando-se do “barulho” que a música encerra em seus ouvidos, embora esses eventos primem pelo respeito ao horário limite das 22hs.

Tendo em vista que nesta sexta, dia 02/12 é o Dia Nacional do Samba, estamos programando uma manifestação, com saída da Travessa Ratclif, com destino ao Mercado Público (onde estará rolando o grande evento de comemoração ao Samba), em favor da cultura, da arte e do desenvolvimento social, com concentração a partir das 17 horas.

Tradicional reduto cultural de Florianópolis, ponto de encontro de intelectuais, músicos, poetas, teatristas, jornalistas, artesãos e boêmios, sambistas, moradores das comunidades do Maciço do Morro da Cruz, por décadas abrigando o Museu da Arte Metálica, a Travessa assumia as fantasias carnavalescas com o Desfile das Escolas de Samba desde sua transferência para suas imediações na Avenida Paulo Fontes até a criação do Sambódromo em 1989.

Hoje, o local abriga um Ponto de Cultura e várias atividades artísticas, gratuitas a todo público, como o Jazz e Sambas do Canto do Noel e cursos no Instituto Arco-Íris, e tem a pretensão de contribuir com os inúmeros projetos como o de Revitalização do Centro Histórico do CDL e PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) das Cidades Histórias.

Hoje, com a remoção do principal terminal de transportes, a região leste do Centro perdeu sua pujança com a diminuição do tráfego de pessoas. Esses fatores implicam numa necessidade imperiosa de revitalização da ocupação desta área, resgatando sua vocação gastronômica e cultural, conforme manifesta o próprio CDL de Florianópolis, propiciando atividades que sejam atrativas à população local de forma a incentivar investimentos em restaurações do patrimônio histórico e atrair, também, o turista visitante, fomentando o desenvolvimento sócio-econômico da região.

Travessa Cultural, além de ser um Ponto de Cultura é, também, uma rede de parcerias que tem como foco a questão o desenvolvimento sócio-cultural através das artes, da comunicação e da inclusão digital.

Janaina Canova (Instituto Arco-Íris)

LASTRO comemora 12 anos com lançamento do Projeto de Extensão Editoria Em Debate


DATA: 6 de dezembro de 2011 – 19 horas
LOCAL: Miniauditório do CFH (sala 328) – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Florianópolis

O projeto de extensão Editoria Em Debate comemora o 12º aniversário de criação do Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO) da UFSC. No coquetel de lançamento, serão apresentados ao público presente 7 livros, o número 6 da Revista Digital Em Debate e a Galeria Virtual.

A Editoria Em Debate tem como meta desenvolver e aplicar recursos de publicação eletrônica que permitam o acesso irrestrito e gratuito aos trabalhos de autoria dos membros dos núcleos, laboratórios e linhas pesquisa da UFSC e de outras instituições. Pretende também editar, sob demanda, versões impressas do que for compatível com seus objetivos.

Muito do que é produzido na universidade não é publicado por falta de oportunidades editoriais, tanto em editoras comerciais como nas universitárias. Além de coibir o acesso a novos conhecimentos por parte de estudantes, pesquisadores e leitores em geral, essa situação traz prejuízos aos autores, visto a tendência de se pontuar a produção intelectual conforme as publicações.

A Editoria Em Debate quer contribuir para alterar essa realidade. O público ligado às ciências humanas, incluindo professores e alunos do Ensino Médio, tem nesse projeto um forte aliado para suas pesquisas e atualização científica.
No endereço eletrônico da Editoria Em Debate, a ser inaugurado em tempo real no coquetel de lançamento, será possível ver o que acontece na festa:

www.editoriaemdebate.ufsc.br

O projeto de extensão Editoria Em Debate é desenvolvido no Laboratório de Sociologia do Trabalho (www.lastro.ufsc.br), do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC.

DATA: 6 de dezembro de 2011 – 19 horas
LOCAL: Miniauditório do CFH (sala 328)
UFSC – Florianópolis – SC
Informações: editoriaemdebate@gmail.com / Tel.: (48) 3338-8357 / 3234-1094

Sarau Musical com Milongas Urbanas, Jéferson Dantas e Pablo Mizraji, repertório próprio.

Novo estatismo econômico e antiga proletarização


A escola keynesiana que defende a intervenção do Estado ou New Deal no mercado interno, não implica a sua substituição por modelos alternativos. De forma a gerar um mercado cada vez mais includente e de incentivos a novos empreendorismos, tende a sustentar a lógica do capital sob o abrigo do Estado.  Toda a geração de renda e emprego estão subordinadas a este controle igualmente, de modo que a economia não poderia curar as crises por si própria, mas se utilizar do Estado o seu controle, pode administrar melhor o capitalismo.  No meio de crises sistêmicas como recentemente em 2008 e as revoltas populares no coração do pensamento do Welfare State, pode existir uma lacuna na teoria econômica, tanto do “controle estatista” quanto ao liberalismo, em seu “Estado Mínimo“. Desde que a “questão social”, a “terceira via” está posta em cheque nos países do capitalismo clássico, como Inglaterra, Espanha e França, as medidas keynesianas de contenção de crises tende a expressar uma incapacidade de resolver problemas graves que só pertencem à lógica do mercado. A austeridade em cortes públicos ou uma política inflacionária que alinha uma a outra, ou acordos trabalhistas entre Estado e empresas, o rigoroso controle do Estado sobre a economia, num mundo universo cada vez mais globalizado por transnacionais desreguladoras dos comércios, torna a visão keynesiana obsoleta. O capital transgrediu nações e o sistema financeiro atropelou as políticas públicas e decisões que eram tomadas no nível micro.

A tal “sociedade da informação” tende a superar em lote o número de trabalhadores legalizados e informais que como massa de “mão-de-obra informatizada” ainda continuam a andar no terreno da alienação do trabalho, como no século XIX, andavam operários – agora com o incentivo reformista dos sindicatos. O projeto atual de salvação do capital está fadado a intervalos menores entre as crises. Desde os anos 20, as intervenções estatais, que nada tem de socialistas, um ledo engano para os intelectuais da esquerda estatista, apenas fizeram assegurar a manutenção e a concentração do capital em suas mãos. Do modo imperialista de acumulação para o Capitalismo de Estado, hoje EUA e China, por exemplo, as relações de trabalho tecem dois pólos, centro e periferia.  O desenvolvimentismo progressista e tecnológico crescente vem firmando suas bases desde o enfraquecimento da luta de classes nos refluxos da Guerra Fria, somando-se aos novos infoproletários, uma massa gerada pela indústria da tecnologia que só tende a acentuar o nível de desigualdade social com trabalhadores integrados e aqueles periféricos. Por exemplo, as transformações iniciadas após a chamada “revolução digital”, que negam o avanço do capitalismo a nível global, tendem a complexificar toda uma cadeia de elementos concretos. Experts da ciência tecnológica defendem que a atualidade representa um salto a uma Era Digital. Este discurso mercantil da megaprodução em “escala global” e da “cultura digital” reproduzem que o quantitativo de seus “progressos” mediante números de acesso, onde de fato, o analfabetismo funcional e capacitacional, indicam que só o acesso à informação não garante conhecimento, são os “desconectados” do mundo real material, das dependências cibernéticas, desagregação do sentido de identidade, gerada muitas vezes por uma descarga acelerada de informação em massa. Partidos de um fundamentalismo tecnológico, essa nova classe emergente de gestores culturais, info-gerências, ativistas “independentes”, administradores de banco de dados empresariais, alimentam a cada dia o imaginário do virtualismo real como uma “nova era”, destinada a prosseguir para a próxima fase sem as velhas bandeiras das ideologias. Articulados com a “nova ideologia” tecnocientífica, dirigem suas verdades abstratas para uma massa de trabalhadores que por condições sociais severas, são imputados novos estigmas, como a analfabetização digital, por exemplo, já não bastasse suas reais condições de sobrevivência.

Os “novos excluídos” agora lotam o exército de reserva, uma massa de milhões de pessoas já precarizadas pelo sistema global. Do centro à periferia, o modelo das relações de exploração segue a norma da profunda desregulamentação do trabalho e, consequentemente o acirramento de forças sociais como tem acontecido nos países do centro. Diferentemente das crises anteriores, como escalas de superprodução e, a crise atual encena um quadro de recessões a nível global em que a periferia dos países do antigo centro começam a desestabilizar a “harmonia” existente. A acumulação de capital organizada pela estrutura dos grandes blocos de megacorporações e pelo sistema financeiro privados ampara-se num momento da pior crise dos sujeitos críticos ao expansionismo capitalista. A falta de organização e inserção social nas lutas contra o capital são dividendos da crise da esquerda estatista.

Por Pablo Mizraji

Manifesto na Marcha pelo Estado Laico


Florianopolis, 01/09/11

O termo “laico” (do grego λαϊκός, laikós – “alguém do povo”) já denota sua importância conceitual.

“As nações modernas, após a Revolução Francesa, haviam quase todas, em virtude das muitas religiões existentes no mesmo país, resolvido separar oficialmente as duas castas. O Estado não reconhecia nenhuma religião, respeitava todas, tornava-se leigo. Nas suas escolas não se ensinava religião, que ficaria a cargo dos sacerdotes nos seus templos. Esse Estado leigo não dispensa a contribuição dos sacerdotes no serviço de escravização popular pelo temor do inferno. Apenas deixa de reconhecer só uma em detrimento das outras. Em suma, reconhece tacitamente a todas, o que mais lhe assegura a colaboração unânime de casta sacerdotal. Assim, no Estado moderno, permanece, com toda sua eficiência, a feição religiosa. Os homens acham-se, portanto, submetidos a uma dupla idolatria estupidificante: a cívica, dirigida pelo Estado, e a religiosa, dirigida pela Igreja ou igrejas. Os grandes industriais, compreendendo as vantagens dessa idolatrização intensiva, promovem movimento de toda sorte com tais tendências.”

A Doutrina Anarquista ao alcance de todos, José Oiticica

“Clérigos, instrumentos cegos dos ricos, só servem para embrutecer ao povo, conservando-o no maior obscurantismo, dizem a seu rebanho: Filhos! Trabalhai, sofrei, respeitai aos nossos patrões, aos poderosos, porque quanto mais sofreis na terra tanto mais gozarás no céu!”
Anarquismo e Anticlericalismo
, Eduardo Valladares

 O que propomos, de forma alguma, não é a exclusão fundamentalista da existência das religiões, enquanto sejam elas expressões populares da identidade de um povo, de uma cultura, mas deixar bem claro que o papel da subjetividade e da crença não seja o referencial político dentro da esfera das ações públicas como a escola e demais instituições. As tendências religiosas mescladas ao protagonismo político, em especial ao Legislativo, na criação de leis que apenas legitimam uma religião em sobreposição a outras, além de ferir gravemente o direito de laicidade do cidadão, observamos um fundamentalismo baseado na exploração e opressão. Portanto, devemos denunciá-las em todos os lugares como verdadeiras inimigas da liberdade.

Ora, a contradição existente em sua unilateral explicação para o tipo ideal de sociedade, geralmente excludente, opressora, castradora de direitos, não condiz com a prática. Devemos desconfiar sim daqueles que pregam a compaixão e o amor como fundamentos, quando incitam o ódio e a violência; desconfiar daqueles que pregam tolerância, quando criam leis que são reflexos de sua intolerância; desconfiar dos sermões do alto dos palcos dos seus altares, quando na verdade, promovem a defendem a tradição do conformismo. Historicamente, as desigualdades sociais passam pelo crivo da domesticação do ser humano frente aos momentos de contestação social, em ações vigilantes do clero. Não satisfeitos com as guerras santas, com as intervenções colonialistas mascaradas pelo catequismo, subserviências aos governos fascistas, com a luta contra a ciência, protetorados do capital, agoram nutrem a ambição exploradora do mercado de votos.

Eis a sombra de um idealização para um controle totalitário sobre a vida política das pessoas, sobre os corpos e sobre os direitos de contestação. Igreja e Estado juntos, um consagrado pelo outro, compreendem a mais absolutista representação da dominação social e política. De monarquia a república, mesma tutela do patriarcado religioso. “Homens de bem”, “de virtude”, “de família”, “de valor” foram e serão os mesmos tosquiados pela mão de seus tutores. Patrões, padrinhos, políticos e padres que subjugam trabalhadores, peões, povo e fiéis, num eterno ciclo que pouco se altera. Gritam aos quatro cantos sua nova democracia, trazem em suas malas as boas novas dos velhos valores, redigem leis contra o direito de propriedade do corpo, liberdade de pensamento, liberdade sexual e de vida. Nos ensinam como devemos nascer, como devemos crescer, aprender, pensar e agir, e como devemos morrer. São os guardiões do modo de vida correto de milhões de pessoas no mundo. Porém, como instituição política cada vez mais próxima do mundo dos homens, as igrejas são as mais mundanas entre as demais forças sociais. São elas deveras democráticas? Como nasceram, como levaram a cabo seus projetos maiores e como se constituem hoje? Em relação às mulheres, aos povos não-cristianizados, aos homossexuais, aos pobres em geral, ou ainda, a outras crenças? Manchados de crimes desde suas origens, a Igreja após o término das inquisições, passa a adotar outras alternativas em relação ao poder, e adequa-se sutilmente ao Estado.

Assim, propomos:

– Defesa do Principio de Laicidade do Estado enquanto garantia do direito de liberdade de consciência.

Criticar o Estado enquanto detentor das forças sociais e políticas que o compõem, incluindo as religiosas,que em vez de isentar e separa-las, agrega-as e rompe com o direito laico constituinte.

– Por uma educação pública laica.

Criticar as políticas educacionais em relação às obrigatoriedades do ensino religioso quando são unicamente respaldadas pelas instituições eclesiásticas vinculadas ao Estado e não uma historização do pensamento mítico-religioso isento de discriminação. Por uma escola pública livre, gratuita, independente e laica.

– Supressão de todo tipo de financiamento público às igrejas.

– Licença para o ensino de Educação Sexual nas escolas públicas.

– Contra os projetos de lei que desrespeitam e discriminam os homossexuais

Projetos nº 280/2011, Projeto Orgulho Hetero

– Repúdio aos projetos de lei que determinam a obrigatoriedade da leitura de versículos bíblicos em instituições públicas do Estado e fixação de símbolos religiosos em estabelecimentos, assim como a validade legal de casamentos realizados apenas pelas entidades religiosas.

versão I

ANTICLERICALISMO: novas contestações e tendências contemporâneas


Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, no momento em que a Igreja Católica passa por uma onda de críticas e protestos em massa sobre temas fundamentais, como AIDS, homossexualismo, pedofilia, laicismo, aborto, casamento, entre outros, vem articulando uma série de medidas políticas junto aos Estados. Talvez em péssima hora, sua visita marcada em países como a Espanha, por exemplo, fizeram ressoar em meio ao turbilhão de insatisfação popular, velhos ecos do anticlericalismo desde a Guerra Civil em 1936.

Televisionado por alguns documentários críticos, como da rede BBC de Londres, intitulado “Sexo, Crimes e Vaticano”, o Estado Papal reage vigorosamente contra a desconfiguração de sua vitrine. As acusações midiáticas não perdoam o Vaticano de insinuar que o fenômeno da pedofilia teria tornado-se um escândalo que se sucede há pelo menos alguns anos. A informação está cada vez mais democratizada e, portanto, novos casos surgem com mais frequência ou verdadeiramente há uma supermanifestação de ordem criminosa por parte do clero nos últimos tempos? O Papa João Paulo II não foi isento das acusações de negligenciar  tomadas de medidas mais severas em sua empresa. Toda uma pressão internacional, por parte da imprensa, órgãos ligados às entidades de direitos humanos, fizeram desde os recentes abusos, divulgação pesada sobre a ausência jurídica do Vaticano. João Paulo afirmava que a Carta de Proteção à Criança e ao Jovem” ainda era obsoleta em relação às tradicionais leis canônicas, salientando que precisava de tempo suficiente para que se chegasse a um consenso. A ineficiência dos argumentos eclesiásticos não alterou nem diminuiu a carga de centenas de vítimas inocentes. Segundo a justiça estadunidense na epóca, os abusos sexuais praticados pelos sacerdotes poderiam ultrapassar a marca das mil vítimas, desde a década de 1940, origem das primeiras notícias.

Seu sucessor, Bento XVI, logo ao assumir seu posto, ordenou rapidamente o protocolo oficial de combate à “imoralidade sexual”, que expunha com rigor crítico, a política da obrigatoriedade da ordenação de mulheres, a condenação do uso de preservativos e a prática do aborto. Seu passado, junto à militância hitlerista durante a Segunda Guerra Mundial, deixa-se atestar, para o reconhecimento de uma postura semiextremista, em relação aos diversos movimentos sociais, como os de gênero e de classe. Exames para a futuridade podem-se basear nos protestos de outras religiões que também foram gerados em razão de sua inadequação diplomática com outros setores religiosos, como por exemplo, na sua fala contra Maomé e a afirmação de que a Igreja Católica seria a única portadora da “verdade”, a “única que salva”, gerando milhares de críticas dentro e fora do mundo religioso. Seus livros que são conhecidos pela moralidade cristã, e temas sobre a sexualidade humana, atingiu a marca dos cinco milhões de euros, com recordes de vendagem, sendo que parte dessa verba, já está destinada a fundos de pesquisas para os cursos de Ensino Teológico em todo o mundo. Como mea-culpa, Ratzinger parece ter reconhecido que a Igreja não agiu de forma consistente e rápida para coibir novos casos de abusos sexuais de crianças por parte de seu sacerdócio, o que de fato, já legitima, por sua vez, os escândalos midiáticos, outrora chamados pela Igreja de “sensacionalistas e corruptivos”.

No entanto, além dos problemas que a Igreja já vem enfrentando, está surgindo das cinzas, um antigo inimigo herético: o anticlericalismo. Movimento político que se define como resposta à existência da instituição religiosa integrada junto às instituições públicas da sociedade, que mediante sua influência direta e de imposição de suas crenças e doutrinas, exerce a sustentação do poder teocrático, em oposição ao poder democrático. Correntes ateístas, agnósticas, anarquistas e socialistas foram defensoras de uma laicidade concreta e filosófica. Essa falta de flexibilização do Vaticano frente a novos movimentos contestatórios sociais, refletem o tamanho da dimensão da intolerância e do extremismo. No caso da Espanha, em particular, seio da Guerra Civil de 1936, em grande parte construída em cima dos alicerces teóricos do anticlericalismo, revê em sua juventude, desacreditada de todo discurso parlamentar e, quiçá, de “moralidade”, sua nova contestação ampliar-se e midiatizar-se a todos os cantos do planeta. As revoluções árabes, as contestações dos jovens no Chile e as barricadas em Londres, nas últimas semanas, demonstram que as consequências das crises da globalização, desemprego, racismo, faltas de perspectivas políticas são, de alguma forma, compartilhadas por pessoas em outros lugares.  Atestando a isso, a visita do Papa Bento XVI em Madrid na Jornada Mundial da Juventude, com todo o apoio do aparato do Estado e Monarquia espanholas, agregou-se milhares de jovens amotinados nas ruas que conclamavam a grito seus direitos.
O famoso “beijaço gay” foi realizado em meio à multidão como protesto à ordenação de proibição do casamento entre homossexuais. Como era de esperar e sob o regime do aparato da violência estatal, o ato foi energicamente atacado pelas forças policiais. De forma a defender seus princípios, não somente a condenação ao homossexualismo, Bento XVI, criticou severamente a exclusão do Ensino Religioso, antes obrigatório em todas as  escolas públicas do país, referindo-se diretamente ao crescente movimento em favor da laicidade entre os poderes estatais e clericais.
Como no exemplo da Espanha, um dos próximos compromissos da comitiva do Vaticano é a vinda para o Brasil, em 2013, na mesma Jornada Mundial da Juventude. Já a realidade no Brasil, na relação histórica entre a Igreja e o Estado sempre deixou subentendido ambas posições. Por um lado, a antiga monarquia brasileira teve o apoio da Igreja, assim como por outro, no período de vigência do Golpe Militar de 64, deixou ambíguas conclusões a respeito. O chamado apoio da Igreja Católica no momento em que se deu o golpe militar, aparece no discurso anti-esquerda de Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo, que teve entre suas ligações, diversos agentes ativos durante o processo de militarização do país naquele período. Anos depois do golpe, surge dentro das pastorais, movimentos contrários ao regime, como a Teologia da Libertação, no que evidencia uma bipolarização no contexto eclesiástico, de moções contrários ao autoritarismo, que posteriormente teve em suas perseguições, diversos padres e seminaristas envolvidos. Essa parte da história é bem demonstrada no filme “Batismo de Sangue” de Helvécio Ratton, lançado em 2007. No entanto, nos meados do século XXI, com a transição entre os novos movimentos sociais que com a retomada das bases representativas das entidades religiosas, percebeu-se uma nova era de formações partidárias e extra-parlamentares vinculadas à Educação cada vez mais crescente, sobretudo na competitividade entre evangélicos e católicos. As bancadas fortaleceram seus números e originou-se uma presença massiva do movimento obreirista amplamente organizado na política legislativa brasileira.

Esse crescimento antilaicismo na atualidade demonstra que na prática, o poder submetido pela vontade popular pode também criar novas leis ou impugnar outras, conforme seus princípios morais, éticos e religiosos formarem consenso. Temas como o aborto, a união homossexual, divórcio, a utilização de células-tronco, a obrigatoriedade do Ensino Religioso nas escolas públicas, bem como outras que se inserem dentro do ideário daquela ou desta corrente religiosa, estão cada vez menos sendo debatidas pela sociedade.

Bibliografia referencial:

https://pmizraji.wordpress.com/2009/05/01/o-santo-cabresto-i/

https://pmizraji.wordpress.com/2009/05/01/o-santo-cabresto-ii/

Apresentação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra e Lançamento dos livros “Negras Tormentas” e “Além de Partidos e Sindicatos”


Apresentação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra e Lançamento dos livros:

“Negras Tormentas: o Federalismo e o Internacionalismo na Comuna de Paris”, de Alexandre Samis. Conforme colocado pelo professor Wallace dos Santos de Moraes na orelha do livro, a presente obra “deve ser saudada com uma grande festa, tanto pela comunidade acadêmica como pelos leitores em geral”. Ele continua: “O leitor do século XXI deve colocar três grandes questões sobre a Comuna de Paris: 1) Como foi possível realizá-la? 2) Como foi seu desenvolvimento? 3) Qual foi seu legado? A obra de Samis trata dessas questões de forma magistral, respondendo-as sempre no plural, isto é, chamando a atenção para os diversos fatores que influenciaram na possibilidade, na necessidade e nos resultados da eclosão da Comuna. Para além disso, aquele que se debruçar sobre a obra terá a oportunidade de conhecer a gênese desse episódio nos seus aspectos mais longínquos. Com efeito, o leitor é presenteado com o conhecimento da história política e social francesa do século XIX por meio da narrativa dos fatos, e também conhece o rico debate entre seus intérpretes. Ademais, a história da Associação Internacional dos Trabalhadores e o grande debate entre anarquistas, marxistas e outras correntes políticas são passados em revista. A partir destas discussões, a Comuna de Paris é inserida em seu contexto. É esse o grande mérito do autor, diferenciando-se de outros que a tratam por si mesma, como se tivesse nascido do nada. No livro de Samis, a eclosão da Comuna é vista como resultado de todo um acúmulo de lutas e questões sociopolíticas que estavam na ordem do dia na Europa no século XIX. Assim, o autor, com propriedade — apropriando-se do conceito de autoinstituição de Castoriadis –, nega que a Comuna tenha sido a última revolução plebeia e também a primeira revolução proletária. Ela é posta no seu devido lugar: como evento autônomo e coberto de idiossincrasias. Para o bem do leitor e da teoria, trata-se de uma pesquisa que discute muito mais do que aquilo que se propõe — e que é ainda mais abrilhantada pelo prefácio de René Berthier, francês e estudioso do tema.” Publicado nesse ano que marca os 140 anos da Comuna de Paris, Negras tormentas, “o livro, hoje”, considera Moraes, “é a principal referência sobre o estudo da Comuna de Paris já publicado no país”.

Alexandre Samis é Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense e professor do Colégio Pedro II. É militante da Federação Anarquista do Rio de Janeiro e diretor do SINDSCOPE. Autor dos livros “Clevelândia: anarquismo, sindicalismo e repressão política no Brasil” (Imaginário/Achaimé, 2002) e “Minha pátria é o mundo inteiro: Neno Vasco, o anarquismo e o sindicalismo revolucionário em dois mundos” (Letra Livre, 2009).

“Além de Partidos e Sindicatos: Organização Política em Anton Pannekoek”, de José Carlos Mendonça: Em meio ao fracasso, atestado pelas diversas convulsões sociais que continuam estourando por todo o mundo, das teses presentes nas crônicas de muitas mortes anunciadas (formuladas desde uma esquerda envergonhadas até uma direita enraivecida; que pronunciavam o “fim” das ideologias, da luta de classes, do socialismo, enfim, da própria História), o que presencia é a longevidade do único “sujeito” que nenhum desses apologetas espera ver falecer; o capital. A capacidade que esta relação social tem de continuar se reproduzindo ampliadamente, de forma alguma responde apenas a determinações econômicas.

José Carlos Mendonça é Doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp e Pesquisador do Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO-UFSC).

ESPETÁCULO “LETRAS PARA COMPOSIÇÕES INVERNAIS”, COM JÉFERSON DANTAS E JÚNIOR GUERRA


Amig@s!

Convidamos para o espetáculo “Letras para composições invernais” (Ensaio 1), com Jéferson Dantas (violão elétrico e voz) e Júnior Guerra (violão acústico).

ONDE: Teatro da Ubro
QUANDO: 27 de agosto de 2011 (sábado)
HORÁRIO: 20h
QUANTO: R$ 10,00 (Inteira) e R$ 5,00 (Meia-entrada)
INGRESSOS: à venda com os músicos ou diretamente na bilheteria do Teatro da Ubro (Escadaria da Rua Pedro Soares, 15, Centro, Florianópolis/SC).

RELEASE:
O espetáculo apresenta um repertório de 23 canções, tendo como temáticas centrais: o amor, a amizade, a solidão e a paisagem sulista imortalizada nas milongas. O show é um ‘ensaio’ para o espetáculo futuro Milongas Urbanasconcebido por Jéferson Dantas e o percussionista de origem uruguaia, Pablo Mizraji, tendo a participação especial do baixista, Gilberto Borges. Júnior Guerra se integra a este projeto com arranjos de cordas. Todos os músicos são integrantes do grupo poético-musical Casa da Ginga.
As letras das canções são de autoria de Danielle Antunes, Jéferson Dantas e Pablo Mizraji.

Influências musicais: Vitor Ramil, Secos & Molhados, Kleiton & Kledir, Leopoldo Rassier, César Passarinho e Victor Hugo.

Segue em anexo set list do espetáculo, um texto-manifesto sobre as ‘milongas urbanas’ (escrito por Pablo Mizraji) e foto dos músicos (com créditos de Dienífer Dantas Bartnik).

Links (Projeto Milongas Urbanas)
Youtube: http://youtu.be/__vNqQLD1nE
http://youtu.be/6nVbc4EXIPU
http://youtu.be/p3iEQ1kyH2o

No Facebook, acesse o link    https://www.facebook.com/pages/Projeto-musical-Milongas-Urbanas/142178712531538

http://desacato.info/2011/06/milonga-urbana-resignificacao-ou-autenticidade/

Palco MP3 Jéferson Dantas: http://palcomp3.com/jefdantas/#

Fraterno abraço,
Jéferson Dantas e Júnior Guerra.

Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul


Reuniram-se em Curitiba, entre 23 e 24 de julho de 2011 algumas organizações especifistas do anarquismo brasileiro e também individualidades com afinidades com essa proposta para uma formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), conduzida pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e organizada pelo Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC), de Curitiba. Além da FAG e do CALC, estiveram presentes as seguintes organizações: Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, Organização Dias de Luta, de Joinville, além de individualidades de Florianópolis e de outras regiões do sul/sudeste do Brasil com afinidade com a proposta do anarquismo especifista.

Curitiba 23-24 de julho de 2011

FORMAÇÃO REGIONAL DO FAO EM CURITIBA

Reuniram-se em Curitiba, entre 23 e 24 de julho de 2011 algumas organizações especifistas do anarquismo brasileiro e também individualidades com afinidades com essa proposta para uma formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), conduzida pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e organizada pelo Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC), de Curitiba. Além da FAG e do CALC, estiveram presentes as seguintes organizações: Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, Organização Dias de Luta, de Joinville, além de individualidades de Florianópolis e de outras regiões do sul/sudeste do Brasil com afinidade com a proposta do anarquismo especifista.

Marcado pelo clima de solidariedade e pela calorosa recepção, todos os presentes puderam discutir durante dois dias distintos temas em torno do anarquismo que, por meio da dinâmica adotada, puderam apreender e debater significativamente, o que certamente acrescenta muito ao processo nacional brasileiro que o FAO vem buscando impulsionar desde 2002 quando foi fundado.

A formação teve uma agenda densa, com distintos temas que tinham por objetivo fortalecer teoricamente o conjunto da militância. Foi trabalhada em cinco eixos fundamentais: A formação política da corrente libertária (uma leitura do anarquismo), história social de processos revolucionários com participação anarquista, teoria da organização política anarquista, marco teórico e categorias de análise (método de análise) e via estratégica e poder popular. O eixo propaganda de intervenção foi tratado apenas brevemente.

Descrevemos muito sinteticamente os temas tratados para dar uma idéia ao leitor do conteúdo da formação.

Vale reforçar que a formação foi ministrada pela FAG e que, por isso, o conteúdo reflete a sua elaboração teórica, que tem muitas similaridades e algumas diferenças em relação a outras organizações que compõem o FAO. Nesse sentido, todo o conteúdo é de sua responsabilidade e queremos que ele contribua para o debate e o fortalecimento de nossa corrente.

Temos todo interesse de fortalecer o processo organizativo nas regiões e – no caso específico dessa formação conduzida pela FAG – de impulsionar, além do próprio Rio Grande do Sul, os estados de Santa Catarina, Paraná. Havendo interesse de aproximação nessas regiões, não deixe de nos escrever. Outras organizações do Brasil encarregam-se no momento de outras regiões; por isso, se houver interesse de militantes de outras regiões, entre em contato e daremos o encaminhamento necessário. Pedimos aos interessados que entrem em contato pelo e-mail fagsorg@riseup.net.

A CONSTRUÇÃO DO ANARQUISMO DE BASE ESPECIFISTA NO BRASIL

A formação realizada em Curitiba, conforme avaliação do FAO, foi uma experiência muito relevante. Realizada pela FAG anteriormente para seu conjunto de militantes, pôde ser aperfeiçoada e estendida a um coletivo mais amplo. Essa atividade de formação evidenciou a necessidade de construção de um material próprio de formação, capaz de potencializar aquilo que se convencionou chamar de anarquismo especifista no Brasil.

O momento parece bastante propício. O FAO constitui um espaço de debate e articulação entre organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a intenção de trabalhar utilizando como base os princípios e a estratégia do anarquismo especifista. O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma verdadeira organização anarquista no Brasil, de caráter especifista. Tarefa que sabemos não ser de curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já. Fazem parte do FAO hoje, cinco organizações pelo Brasil: Federação Anarquista Gaúcha (FAG), do Rio Grande do Sul; Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP), de Alagoas; Rusga Libertária, do Mato Grosso; Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), do Rio de Janeiro e a Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo. Encontram-se em processo de aproximação organizações e grupos dos seguintes estados: Santa Catarina, Paraná, Ceará, Pernambuco, além de individualidades em outros estados. Portanto, esse momento tão importante para o anarquismo especifista que avança lutando e organizando, forjando as bases para uma unidade que permita constituir uma organização nacional.

Temos abertamente a intenção de fortalecer os estados em que estamos presentes e de conseguir aproximar a militância de outros estados, afim de fortalecer esse processo organizativo. Se você se interessa pelas nossas propostas, não deixe de entrar em contato!

Não tá morto quem peleia!
Arriba los que luchan!

Militância envolvida no Primeiro Curso de Formação Política da Região Sul
Fórum do Anarquismo Organizado – Brasil

http://www.vermelhoenegro.org

Declaração de Princípios e Intenções (FAO)
http://www.anarkismo.net/article/17346

Julho de 2011