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Uma entrevista de Eduardo Galeano a Alberto “Pocho” Mechoso


eduardogaleanoEsta trecho traduzido faz parte de um breve documental sobre a vida do companheiro uruguaio, desaparecido na ditadura rioplatense nos anos 70. Alberto “Pocho” Mechoso foi integrante da FAU desde sua fundação em 1956. Trabalhou durante muito tempo na indústria da carne, um dos ramos mais importantes da economia rioplatense. Naquela época ainda não existia a FAU, mas a Agrupação Anarquista Cerro-La Teja e o Ateneu Livre, ambos nesses bairros. Vários grupos de jovens como ele passaram a se organizar em vista da escassez de trabalho e de renda, então a idéia de uma cooperativa passou a ser uma das preocupações para os jovens trabalhadores. Participou em diversas atividades como de propaganda e agitação, inclusive na expropriação de bancos em Montevidéu. Foi no tempo livre da prisão que fez dos estudos sobre a desigualdade social e organização política que Pocho passou a ler clássicos como Rocker, Malatesta e Fabbri. Fez parte do braço armado da FAU, a OPR-33 Orientales, durante a ditadura no Uruguai, onde demonstrou sua capacidade pontual de organização, planejamento e de responsabilidade. Caiu preso pela última vez e foi brutalmente torturado pela polícia argentina numa operação conjunta dos militares, no chamado Plano Condor. Antes de cair, ainda fez uma inédita entrevista com Eduardo Galeano que consta no documento.

A reportagem depois da fuga

A reportagem de Eduardo Galeano com Pocho Mechoso começa assim escrita:

“O Pastor Georges Casalis, professor da Faculdade de Teologia Protestante de Paris, acaba de denunciar ‘a evolução fascista dos países do Rio da Prata…’ Referindo-se ao Uruguai… ‘é o horror austral.
Parece que se tem alcançado o fundo do abismo.’”

Galeano depois nos conta “entrevistamos um homem que emergiu do fundo do abismo e relata o que sofreu e viu…” Fugiu do quartel no dia 21 de novembro, em uma ação espetacular… No entanto, ainda urina sangue, não recuperou a sensibilidade da sua mão direita e duas de suas costelas ficaram afundadas em razão dos pontapés que lhe proporcionaram os oficiais. Ele tem pressa para retornar ao Uruguai. “Volto para me incorporar à luta”, disse. “A peleia se dá tanto dentro do quartel, na tortura, como fora, nas ruas…”.

Pergunta Galeano: “Fostes torturado desde o princípio?”

“Sim” [responde]… “queriam que lhes dissesse onde estava a Bandeira dos 3316, que a OPR levou do Museu Histórico Nacional. Também queriam que lhes falasse do sequestro de Molaguero…17”.

Foram muitos dias e noites de diferentes torturas. Passearam com ele por vários quartéis, e nada lhe tiravam. Então assim lhe disseram: “Você vai passar por todos os quartéis até que cante”.

Pergunta Galeano: “Mas, se não tinhas falado, era necessário fugir?”

P: Não iriam me deixar sair em liberdade. Eu sabia. Me colocar em liberdade era como deixar clara sua impotência, o fracasso de seus métodos.

G: O que você viu?

P: Bom, mais do que ver, escutei. Porque estive encapuzado o tempo todo. Mas não há pior tortura do que sentir como torturam os demais. No Quinto da Artilharia existia um menino de seis anos, trancado com seu pai e sua mãe. O menino escutava os alaridos da mãe quando estavam torturando-a. Uma mulher grávida de sete meses, torturavam seu marido na sua frente no 2º e 3º da Infantaria… vários casos de violações…

G: E o agora?

P: Quando se vê bem claro como são os inimigos, que outra coisa se pode fazer do que voltar e ocupar seu posto? Se há alguma coisa se sente bem dentro do submundo dos quartéis de meu país, no meio do aguilhão, do cavalete, do submarino18, é saber escolher qual lado da trincheira sempre terá que estar. Estarei de novo metido entre a gente da minha classe. Lutando. Ali eu vou me reencontrar com os meus filhos, junto com o meu irmão. Agora

G: Mas, depois da fuga, te buscarão por todos os lados, não será muito difícil para você estar no Uruguai?

P: Isto está claro. O momento é muito difícil para todos os que lutam. Eu sei que para mim são coisas de “Liberdade ou Morte”, como está na Bandeira dos 33.”

Pocho, antes de cair e desta fuga, já era um dos responsáveis por uma das partes da FAU: a OPR 33. Teve plena responsabilidade operativa sobre os feitos que lhe questionavam. Por outro lado, no organismo armado da OPR 33, sabia onde se encontrava a Bandeira. Nenhum efeito negativo teve a sua queda. Positivo sim, ganhou o respeito e o carinho de todos.

Tradução: Pablo Mizraji

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Post Mortem


Seguindo pelo jardim da dor
Porque me descobri em união com o escuro
Na tortura e no cabresto voluntário
Incêndios causei… eu estava bem
Mentiras naufragaram, translúcidos demônios emergiram
Antigos sonhos causaram
Sem luz alguma agora claro
Quando eu não sabia que estava bem

Que navio tornei a tomar?
Que saída resolvi dar?
Conhecestes o porão mais sombrio
Quando eu não sabia que estava bem
Poucas vozes falam e poucos olhos sabem
Fiz meu mapa de marujo
Príncipe de Copas solto no revolto
Que fartura que!
Riqueza embaixo, miséria em cima
Espelho metafísico rompido
Imagem viva e morta, ai
Sorrisos que saíram na impressão
Guerra inacabada
Eu rejeito a guerra
Estimulo a luta
Uma gota de lágrima transborda
Mas allá do tremor, o combustível não pára
Porque o motor permanece no vazio
O que está vazio é

Feitiço de infantes sentimentos inimigos
Vis sonhos, lutas e mososentos
Mudar o honesto, sê por ele
Coragem da tirania do silêncio
Na casa de cor, uma tempestade
A maldade, metade
Anos passam, caminhos seguem
Diferente das diferenças
Conquista total dos segredos
Conte com o guardião dos tesouros
São nossos mundos, medos
Da mesma janela, eu desejo
Noite! Pan e Luz
Madrugada sonora
Dança sem parar
Mundo de verdade
O que está aqui é

Pal laucha


Camino de estrellas muertas
y perdidas madrugadas
a pagos de Treinta y Tres        
me llevan huellas se zamba      
    
Cuando la tarde se queme
silenciosa y sin palabras
cansado ya de las coplas
me voy p`al rancho del Laucha

Perderme yerbal adentro
Bajo un cielo de pitangas
y tirarme panza arriba         
dejar que converse el agua                     

Perderme yerbal adentro
mate amargo y caña blanca
ser un pedazo  de tierra
ser el paisaje que anda

Tirarme de panza arriba
no pensar ni soñar nada
ser todo naturaleza
ser el arbol, ser el agua.

Los Olimareños, bajo un arbol de pitangas llorando y llorando

Los Olimareños 2


Así como el ancho mar
como el solitario llano
como la noche sin luna
como el silencio encantado

Como la lluvia implacable
como el lucero lejano
así se encuentra mi vida
por que sé que te has marchado

En esta inmensa soledad de mis recuerdos
te voy buscando y en mis sueños te repito
que hay que olvidar lo que ya se encuentra muerto
y conservar lo que aún no se ha perdido

Y aunque he tratado de buscar otra salida
en los recónditos lugares de mi alma
hay una voz que me recuerda que es mentira
que se pueda olvidar cuando se ama

Los Olimareños, Vivian

JUNTO AL JAGUEY


Cantando con tu recuerdo
florece mi corazón
la brisa mañanera como yo, te besa
te besan las espigas, como yo mi amor

cuando no vienen tus besos hacia los míos
la palma toda se llena de soledad
por eso quisiera mi dulce amada
besarme contigo Junto al palmar

cuando no vienen tus besos hacia los míos
el agua toda se queda sin tu querer
por eso quisiera mi dulce amada
besarme contigo junto al jaguey

tiene la ternura para mi canción
por eso más te quiero yo
tiene la ternura para mi canción
por eso más te quiero yo

la brisa mañanera como yo, te besa
te besan las espigas, como yo mi amor

cuando no vienen tus besos hacia los míos
el agua toda se queda sin tu querer
por eso quisiera mi dulce amada
besarme contigo junto al jaguey

Los Olimareños, numa casa na colina qualquer

REFLUXO E MONTANHA-RUSSA DAS LUTAS


O discurso ideológico e midiático novamente alterou o tom e o espaço sensacionalista destinado a noticiar as últimas manifestações de massa no país. Na primeira parte dos atos em Porto Alegre e São Paulo pela redução da tarifa de transporte público, a leitura estava visada sobre a prática de vandalismo de pequenos grupos organizados, ou como elucida a Revista Veja, pelos “organizadores do caos”, numa clara referência à criminalização popular. Tão rapidamente as massas tomaram as ruas em centenas de cidades no Brasil, a fase seguinte do discurso dominante era o de sobrepor às pautas reivindicatórias desfragmentando consignas generalizantes, ou por vezes, específicas ao limite. Todos os elementos dessa massa informe foram novamente revisitados à luz das lutas e conquistas imediatas, como a redução das tarifas, de ônibus, trens e metrôs, tendo pelo menos atingido 70% dos moradores de algumas cidades e capitais, totalizando por alto, 50 milhões de pessoas foram afetadas diretamente com a redução.

Para a mídia, impossível de tapar o sol com a peneira diante de multidões nas ruas, deixou de ser um oportunismo da “esquerda comunista” para se tratar de peso social relevante e a discussão política da mobilidade urbana, para além das tarifas, voltar a ser debatido. Nos anos que vieram posteriormente às revoltas das catracas, 2004-2010, a organização, o acesso aos poderes estatais, visibilidade midiática internacional e principalmente o apoio popular às reivindicações, antes estudantis, dificilmente poderiam ser vistas. Estrategicamente, mesmo com a conquista nas cidades onde as prefeituras tomaram medidas rápidas, graças à pressão popular, assim como a chamada da Presidente para desonerar impostos para as empresas de ônibus, pela isenção do PIS e do Cofins, para os movimentos sociais está claro que só a redução não acusa contempla a totalidade das pautas, como Tarifa Zero para toda a sociedade, qualidade e serviços alternativos às malhas urbanas caóticas, além da própria política de reintegração urbana.

Esse quadro está pendente, justamente pela permanente crise identitária das relações sociais que fazem com que, em momentos de sublevação de massas, o campo em combate passe a ser monopolizado, corrompido, esvaziado, deslocado e finalmente rompido consigo mesmo. Este campo, na agência social, está em permanente disputa. Na terceira fase dos desdobramentos, a tática da direita, para nossa sorte também não foi tão bem orquestrada, num movimento homogêneo em articulações que poderiam ser vistas como golpe ou simplesmente, insurrecionalistas. No entanto, o papel ativo e de formador de opinião não tem cessado de funcionar, muito antes da crescente fascista e fundamentalista da recente fundação do Arena, do PMB (Partido Militar Brasileiro, inimigos da Comissão da Verdade), da bancada evangélica e ruralista da PEC 215 (quilombolas e indígenas), entre outros. No projeto de governabilidade de Dilma, as demandas históricas dos setores sociais, direitos humanos, trabalhistas, de comunicação, reforma agrária, educação, transporte e saúde foram desfocados para a ideologia dominante do livre mercado, gerando um processo anestésico de retrocesso às pautas sociais e políticas.

Esse recrudescimento no aspecto social, em favor do desenvolvimentista aliado aos setores empresariais e multinacionais em bloco, na suposta garantia dos royalties do pré-sal, a galinha dos ovos de ouro do Estado (que em votação na Câmara dos Deputados foi cortada para a educação), deixou terreno fértil para o trabalho de sustentação das ideologias reacionárias. Essa ausência das lutas concretas e a falsa sensação de avanço social (envernizada pelo PAC e pela estabilidade frente à crise econômica de 2008, fez com que se garantisse uma descontinuidade nos projetos de transformação social ou de radicalização democrática, como num “eterno retorno” das lutas. Os partidos de esquerda, não governistas, apóiam-se na idéia ufanista de que, sendo oposição, poderão taticamente se unirem ou comporão pelas suas centrais sindicais fragmentadas, apontamentos iluminados para os “rumos certos”. Dentro dessa visão ainda estatocêntrica, ou seja, a ausência de compreender ou incapacidade de ver que os mecanismos de poder não são exclusividade única do sistema político burguês, os passos que conduzem ao ideário socialista, cada vez mais se diluem no pantanoso projeto social-democrata. Dado o teor dos protestos de massas, torna-se cada vez mais contundente que sem trabalho de base, no campo social real e não no vanguardismo dirigente e oportunista, com vistas a cada quatro anos, seja, estudantil, federal, estadual, municipal, sindical, dificilmente a organização e a força popular terá acúmulo e poder para construir ao longo do tempo, uma orientação revolucionária finalista.

Uma Primavera Brasileira sem bandeiras

O que temos à nossa frente é a fixação do foco, construção social e política a nível de massas e organização popular. O que temos ao nosso redor, ambiente externo contrário à lógica rupturista, é uma estrutura estatal que coordena diferentes matizes teóricos, mas com os enfoques ideológicos muito semelhantes entre si, eis o que chamamos de projeto de governabilidade. A cooptação de entidades de classe, a apropriação de pautas específicas de movimentos sociais pelas secretarias vinculadas ao governo federal, catapultaram a burocratização a níveis bizarros, exemplo, o Incra e a reforma agrária, o encastelamento dos planos diretores (projeto máximo de participação popular em processos de decisões assembleístas) pelo Ministério das Cidades, dentre outros. O que se considerava um avanço desde Lula, vemos uma política de alianças com forças reacionárias autodenominadas conservadoras, por meio de chantagens eleitorais, o governo resulta amarrado, mesmo desfavoravelmente. A “pressão” dos banqueiros e da máfia ruralista, os setores industriais fazem também parte do jogo político das cúpulas governistas. Ora, o pacto da conciliação, da governabilidade, estará eternamente atrelado às corrupções e mais, aos interesses do sistema financeiro internacional. Mas não só isso.

As manifestações demonstraram facetas complexas. A ala conservadora das pautas difusas, podem ganhar respaldo social e transformarem-se em episódios dantescos de defesa de seus interesses, como as manifestações de 1961 e 1964, quando do golpe civil-militar. O nacionalismo exaltado pelas massas, principalmente pelos jovens, secundaristas que gritam “o gigante acordou”, tornam quão visível esses posicionamentos midiáticos e organizados por juventudes partidárias, podem influenciar determinadas direções políticas. Por um lado podemos aceitar o papel difusor das redes sociais neste sentido, como ferramenta e meio, mas descartando radicalmente seu poder como exclusivo de mobilização de massas. As periferias foram às ruas, não informatizadas, mas midiatizadas pela criminalização da pobreza. Os espaços públicos foram tomados, praças, prédios, palácios e ruas, pela grande maioria oprimida e explorada, as camadas mais empobrecidas do sistema capitalista e quando se viram parte da história que também protagonizavam, como direito seu legítimo, o Estado repressor, historicamente usou o que de melhor tem em mãos para evidenciar a luta de classes. O desencantamento popular pela “política”, que na verdade é o conceito estatocêntrico monopolizado pelos meios formadores de opinião, virou contra as próprias instituições burguesas.

O anúncio de Greve Geral tirada pelas centrais sindicais, por um lado, vão de encontro a uma tentativa de unificar as classes de trabalhador@s que vem perdendo direitos, como lei de greve e manifestação em alguns serviços públicos, com severas punições monetárias, reforma da previdência, arroxo, etc. No entanto, apesar da total conciliação entre sindicatos e Estado, novos espaços de luta ainda são pertinentes para a radicalização que pode gerar novos mecanismos de enfrentamentos à luta de classes. Neste refluxo, grande parcela das massas retornam para suas casas com o orgulho de ter cantado o hino nacional, outros reconstituirão o vácuo deixado por entidades de classe para engajarem-se às eleições do ano que vem, alguns farão positivamente oxigenar movimentos sociais como o MPL, pondo-o em ação direta. Eis o espaço perdido e achado no meio das massas despolitizadas.

Organização popular frente às ditaduras civis dos Estados

O nacionalismo é uma expressão reacionária e patriótica e belicosa, antinômica da cultura que é internacional. O nacionalismo é fomentado pelas oligarquias governantes dos países, porque lhes permite, amparadas em camarilhas militares e plutocráticas, excluir o povo da administração dos bens e produtos de seu trabalho e da organização humanizada da sociedade.
FAU

A América Latina, em sua realidade histórica, nos apresenta um quadro nebuloso sobre idas e vindas de ditaduras civis e militares que têm sublinhado a constituição social, cultural e política de nossos povos. Resumidamente, na conjuntura de 1964, os setores conservadores que vinham se alinhando ao poderio militar desde a Proclamação da República pelos marechais, posicionavam-se gradativamente ao nacionalismo crescente no continente. Por ditadura civil e militar, podemos entender a primeira por aquela que assume maior controle estatal sobre as liberdades de manifestação e greve, projeto de desenvolvimentismo imperialista que rege a vida econômica, política, social e cultural. Esta, por sua vez, adota a conciliação de classes entre capitalistas e trabalhadores e tem como ideologia o apelo às massas, como o populismo por exemplo.

A outra faceta da ditadura, do tipo aquartelada, promove a falsa identificação nacional que somente visa defender interesses coronelistas locais ou dependendo do seu grau de dependência econômica, das elites internacionais. No golpe de 64, o governo trabalhista e de centro de Jango, aparelhado com o PTB (de base sindical amarelo) e o PSD (ruralista e setores empresariais), mesmo tendencionando para reformas ousadas para o período de Guerra Fria, não obstante, aqueles setores da burguesia mais organizados, puderam intervir graças ao apoio imperialista estadunidense. A mídia golpista, os religiosos, latifundiários, setores da produção industrial e as camadas médias conseguiram protagonizar em 31 de março de 1964, a tão sonhada limpeza da esquerda no país. As ditaduras latinoamericanas se solidarizavam. No contexto atual, nos marcos de uma “ditadura cívica”, o ressurgimento da Arena, a fundação recente do PMB, as velhas oligarquias coronelistas e latifundiárias, ruralistas, a raivosa mídia, as bancadas evangélicas e católicas conservadoras, como a TFP e a reorganização do movimento integralista, são abrigadas legalmente pela democracia burguesa, através dos pactos de conciliação. Talvez seja esta a principal diferença entre 1964 e hoje, antes orquestrada nos porões da conspiração, agora democraticamente explícitas para as massas despolitizadas. Recentemente, documentos fornecidos por Edward Snowden, ex-CIA e ex-NSA (Agência Nacional de Segurança), vazam a informação de que países são espionados pelas agências estadunidenses, através de e-mails e telecomunicações.

O novo imperialismo dos países emergentes, em principal enfoque o brasileiro, acelera seu grau de competitividade mundo afora e próximo a nós. Na medida que o velho imperialismo estadunidense refaz estratégias de controle pelo uso da guerra de recursos, economias se postam na arena do poder. Nisto está implicado todo o projeto de construção do estado-capital em seus discursos desenvolvimentistas. O Plano IIRSA, por exemplo, Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana, é o maior exemplo desta continuidade do novo modelo capitalista. Quem tem mais determina, eis o jogo da circulação de capitais e recursos, somente possível graças ao papel logístico dos Estados com desenvolvimento capitalista mais fortes. A transnacionalização do negócio e a concentração de riqueza das elites que bancam os megaprojetos deixam claro o antagonismo ideológico e a falsa referência a uma proteção regional contra um imperialismo único.

Pela independência dos setores combativos de esquerda

Fazer frente a esse panorama requer organização. Organização no sentido popular e não à espreita de reformas políticas e eleitorais. Os partidos de esquerda, mesmo opositores ao governo, ainda assim restringem-se às suas relações estatocêntricas de interesses. Percebe-se que, na medida em que o Estado poderia realizar a agenda social, dada a burocracia e as emaranhadas redes de conflitos internos, obstaculiza ao mesmo tempo as demandas mais urgentes. Dentro da perspectiva da esquerda estatista, arrancar do Estado possibilidades de democratizar o poder, vemos que tal esforço é insuficiente ao tamanho do espaço vazio gerado por décadas de não participação popular.

De fato, o governo de centro reconhece sua “irresponsabilidade” e “traição”, ao projetar para o futuro eleitoral, as condições para uma onda reacionária no país. Alguns teóricos do PT como Frei Betto ainda, ingenuamente tentam desarticuladamente guinar o partido social-democrata de volta às raízes, quando vemos que o “sujeito histórico” construído,  hoje usa máscaras e clama pelo impeachment.

Pela Coletivização e não Estatização

As lutas pelas reformas, democratizações, instâncias participativas e de inclusão política, pelos direitos, são lutas perfeitamente enquadradas e readequadas pelo sistema. Esta idéia da coletivização, historicamente conhecida, desde primórdios da humanidade, mas melhor relatada nos episódios da Guerra Civil Espanhola, dos soviets russos em seus primeiros estágios, nas fábricas ocupadas na Argentina, na Bolívia e da autogestão em Oaxaca, carece nos dias de hoje de mais debates no campo da extrema esquerda.

Nós vivemos a síndrome do “menos pior”, e nós anarquistas, muitas vezes entramos nesse campo pantanoso do conceito e conformação. Podemos relatar episódios como o da luta contra o franquismo e republicanismo, na escolha entre uma monarquia e uma democracia burguesa, entre um golpe de direita e um governo populista, entre privatização e nacionalização, entre estatização e coletivização… Não podemos esquecer que a velha dicotomia “reforma ou revolução” nos trouxe de volta aos espaços abandonados pela esquerda moderada. Em especial a atuação dentro dos movimentos estudantis, sindicatos e movimentos sociais, indicam que retomamos o vetor social perdido e que passo a passo vamos conquistando, em geral, as instâncias de interesse de transformação. A teoria do “menos pior” por vezes, tem nos esvaziado e alijado de propostas mais ousadas, dentro da esquerda que ainda possui um recorte finalista. Tomadas para a ação direta, romper laços com entidades e forças oportunistas, muitas vezes tem sido evitadas no cuidado de não proporcionar (1) isolamento na prática e construção de alianças, (2) unidade ideológica em terrenos em formação, (3) visibilidade e monitoramento desnecessário de setores da repressão. Na prática, pisamos em ovos, na teoria, alargamos os horizontes possíveis. Pensar na coletivização dos meios de produção hoje no Brasil pode-se ser encarada como uma defesa inútil. Mas será?

As amarras da economia estão presas no método. A sustentação de estabilidade econômica social, sob pacotes e medidas de emergência para retirar do nível da miséria milhões de famílias tem certamente produzido efeito. No entanto, a relação perversa entre Estado e Capital são indissolúveis. O Estado como regulador, no melhor sentido keynesiano, dos serviços essenciais, dos bancos e tem beneficiários como os grandes conglomerados de empresas. Dentre as nomeações a cargos de importância nos ministérios a dirigentes de bancos centrais e privados, no mínimo os compromissos justificam as políticas econômicas também alheias.

É necessário antes calibrar nossas referencias históricas e delimitar nossa conjuntura atual. A coletivização é um projeto econômico-social ousado que visa romper o corporativismo, raiz do sistema de exploração. Diferentemente do cooperativismo, ainda atrelado ao Estado, a coletivização busca a totalidade do modo de vida social, através dos valores e princípios libertários de autonomia, mutualismo, horizontalidade e ação direta. Por exemplo, para muitos, a questão do transporte público é insolúvel, dada a incompetência do Estado em administrar a gerência dos recursos, os interesses privados que determinam judicialmente as decisões patronais, que desencadeia no caos da mobilidade urbana nas cidades. Permitir este salto, mesmo que seja a partir das bandeiras iniciais de municipalização ou estatização, é ir de encontro ao objetivo do patrimônio coletivo.

Seguindo no exemplo, os trabalhadores do transporte público, se organizados e acionados para evidenciarem que tanto o modo privatista quanto o estatista são ainda insuficientes para o completo e integral controle comum dos meios de produção, podem claramente mostrar para os demais setores da produção e distribuição que não é impossível e descabido. Para que isso venha a acontecer, é necessário a criação de amplas cadeias de apoio de entidades de classe, organizações e forças políticas integradas e comitês de resistência. A estatização também oferece os riscos do capital estar ancorado pelas operações mistas que os governos costumam realizar. Optar e considerar que nas mãos salvaguardadas do Estado ou Municipio ter-se-ia um melhor controle social sobre a gerencia monopolizadora de determinado serviço, é insistir na síndrome do “menos pior”, ou pior, em ultima instancia, depositar incontesti as soluções coletivas aos interesses das classes dominantes, dando legitimidade ao ciclo de exploração da vida social. A expropriação de todos os serviços públicos e privados devem ser reivindicados pel@s trabalhador@s, subestimados pelos donos do poder.

O papel dos anarquistas

“… defendendo a luta por uma outra sociedade, com outros valores e práticas coletivas, diferentes da lógica da competição e do individualismo. Pela auto- organização, entendendo que a luta dos de baixo deve ser guiada pelos próprios e não por correntes de vanguardas autoritárias ou aparelhamentos ideológicos. Buscamos fortalecer a organização dos movimentos populares que se encontram desorganizados entre si ou por refluxo das lutas sociais, a fim de compor abertamente este espaço de inserção, que só tende a aumentar a força social e a atuação com objetivos comuns e definidos, para estimular estrategicamente a transformação social.”
RP-SC

Para contribuir e não ditar normas, este é o cenário. O método anarquista para o enfrentamento da luta de classes é a ação direta, não parlamentar. É nas ruas e na atuação pedagógica junto às massas e não por iluminados de consciência revolucionaria que ganharemos terreno desocupado pelas velhas tradições jacobinas. Fortalecer a ação de massas, ampliar o debate sobre Poder Popular são nossas metas, afim de incidir diretamente sobre o Estado e o Capital. Devemos aproveitar este hiato causado pelas décadas de liberalismo, que ocasionaram o total descrédito e apatia pela máquina estatal. Neste sentido, devemos chamar a população para num processo permanente conselhos comunitários, assembleias, discussões abertas em espaços públicos, escolas, locais de trabalho e moradia, fortalecendo a estratégia para outro rumo, para além do Estado.

No instante, diferentemente do povo, os governos acordaram de sua letargia para ouvir dos gabinetes as vozes sedentas por justiça social. Resolvem desesperadamente reagir imediatamente promovendo plebiscitos, reformas, cortes orçamentários. Mas sobre a radicalização da participação democrática paira um silêncio. Na cúpula, certo de que não pelas massas nas ruas, mas pelo perigo iminente de uma reviravolta golpista ou para as eleições de 2014 que confronte seu reinado, a possibilidade de reverter a situação é problemática.

Como anarquistas acreditamos que os direitos de expressão, reunião, associação, sindicalização e greve que existem, geralmente em maior ou menor grau, sob a democracia burguesa, não estão relacionados intrinsecamente com essa forma política. Mesmo que demagógica e verbalmente incorporados às constituições estatais, esses são direitos que foram conquistados pelo próprio povo, limitando determinados aspectos do poder político.
FAU
A Esquerda Deixou de Ser Esquerda. A direita nunca deixou de ser direita, mas a esquerda deixou de ser esquerda. A explicação pode parecer simplista, mas é a única que contempla todos os aspectos da questão. Para serem participantes mais ou menos tolerados nos jogos do poder, os partidos de esquerda correram todos para o centro, onde, infalivelmente, se encontraram com uma direita política e económica já instalada que não tinha necessidade de se camuflar de centro. Entrou-se, então, na farsa carnavalesca de denominações caricaturais com as de centro-esquerda ou centro-direita. Assim está Portugal, a Itália, a Europa.

José Saramago, in ‘La Republica (2007)’

Como aplicamos esta estratégia? Na luta de classes, quando não há organização social e política com fins determinados, a força acumulada esvai-se e a vantagem de permanência nas lutas conquistadas retrocede, como o vem acontecendo agora. É deixar o terreno vazio para as ideologias fascistas e dominantes, financeiramente amparadas pelo aparato midiático e apelos sentimentalistas, religiosos e falsos patriotismos. Como afirma Bakunin, “a primeira condição da vitória do povo é a união ou a organização das forças populares”.

 Resistir a isso é nossa tarefa principal.

Para A Outra Campanha!
Para o trabalho social!
Construindo o Poder Popular Permanente

Está na hora do anarquismo sair do pântano da desorganização, por fim as infinitas vacilações das questões táticas e teóricas mais importantes, mover-se definitivamente em direção a um ideal claramente reconhecido, e operar uma pratica coletiva e organizada. No entanto, não é o bastante reconhecer a necessidade vital de tal organização: é também necessário estabelecer o método para sua criação.
Plataforma de Organização.
Dielo Trouda.
MANTEIS AO ALTO A NOSSA BANDEIRA! Ânimo companheiros!
Bartolomé Vanzetti

resposta às críticas do artigo “O racismo de Ziraldo, infeliz herdeiro de Monteiro Lobato”


No artigo  “O racismo de Ziraldo, infeliz herdeiro de Monteiro Lobato”, de autoria da escritora negra e autora de “Um defeito de cor”, Ana Maria Gonçalves, aliás excerto de sua carta aberta a Ziraldo, acabei por receber críticas que, aqui expressas num artigo, por medida de extensão, resolvi responder.

A obra de Monteiro Lobato, é uma trama social tecida pela conjuntura sociológica de sua época, em que as correntes eugenistas, professavam a lo largo que a inteligência branca purificada sempre seria superior às demais, incluídos, os negros, mestiços, índios, etc.  Em seus trechos, que apesar de estar escrevendo a um “público infantil”, explicitamente evidencia em negrito suas posições da superioridade racial, assim como intrínseco a essas linhas, podemos perceber a relação do homem  negro, “surgido” na “civilização” ocidental européia e eurocêntrica, com os “nativos”, ou melhor, brasileiros de sangue misto, mestiços. A cultura brasileira nada mais é que esta miscigenação onde o aporte eugenista jamais poderia ter frutos. Isso está também esclarecido pela mitologia da raça pura, na convicção de que “raças” possuem características superiores ou inferiores às outras, através do processo hereditário. Sem dizer que a cnstrução racial sempre esteve ligada à relação econômica, ou seja, interiorizado no discurso das classes dominantes. Recentes pesquisas do DNA do homem europeu comprovaram que seus genes tem mais de africanos do que se pensava (Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1181964/?tool=pmcentrez), e por sua vez, com o resultado das mistura étnica no Brasil, por exemplo, a maioria da população construía um imaginário racial “ideal” para si, o que acabou se confrontando com outra áspera realidade: nos meados de 2000 pelo IBGE, o brasileiro se declarava em absoluta maioria como branco e somente 6% como negros. Hoje, tal quadro é enganoso e o atual mosaico de cores é multifacetada. De fato, a eugenia não pode ser nunca aplicada ao pé da letra, por mais que autores famosos a defendam. Neste sentido, hipoteticamente, Monteiro Lobato já desferira um tiro no próprio pé.  Longe de denunciar as atrocidades da escravidão através  dos seus meios de acesso ao grande público, escolheu o caminho inverso, “fantasiar” contos populares baseados na concepção racista da época enaltecendo suas piores matizes. Um pelo fator psico-pedagógico e, dois pelo fator político-cultural. Sabendo exatamente qual era o público alvo, ele passa a escrever suas histórias para a platéia de crianças brancas, já que na década de 40 (época em que Lobato ainda era vivo) o nível de alfabetização constituía bem marcados uma discrepância estatística, uma população branca de 56% contra 20%.  Desta forma, alimentando o ideal da superioridade racial em meio a um caldeirão de problemas sociais, me parece, no mínimo uma atitude política irresponsável e indigesta. Esse apaziguamento sobre a radicalidade racial, preconcebida pelos setores intelectuais da sociedade atuais, demonstram quão denso ainda entrava a discussão. A alienação da comunicação e da educação do passado apenas trouxeram para o nosso presente esta batata quente, em que setores passam um para o outro, a fim de mascarar a realidade por trás do mito da democracia racial. Que sejam publicadas todas as cartas e venham a público, para assim poupar-nos da complexidade de fazer entender que racismo, seja científico ou não,
por escolha ou não, militante ou não,  existe e ainda é caracterizado por conflitos raciais abertos. Na epoca de Lobato, se acreditava piamente que o enbranquecimento social do brasileiro seria evolutivo, exterminando assim os negros de uma vez. Para essa leitura vide o sociológo Oliveira Vianna em “A Evolução do Povo Brasileiro” de 1923, qual tenho a sorte de ter em mãos para testificar que a ascensão social do negro era vista como um sério problema à nação em desenvolvimento. É através desta ideologia racista que o nosso pensamento contemporâneo reflete nas salas de aula, nos bares, nas piadas no trabalho, nos estádios, nas ruas e pior, nos meios de comunicação. O fato de não reconhecimento deste racismo “oculto” mas não disfarçado, demonstra que existe uma ideologia avernizada para mascarar o problema racial brasileiro. Intelectuais contrários às cotas, encerramento de escolas públicas em comunidades carentes pelo Estado, a apropriação cultural dos meios de resistência pela camada burguesa da população, a exclusão da discussão sobre a existência ou não da cor negra, as propagandas midiáticas sobre o “novo dna europeu” brasileiro, a acusação frequente de que o movimento negro é igualmente racista, são prodígios de uma eliminação gradativa do negro. O fato de não discutir são característicos da esfera da classe de dominação.

Assim, longe de discutir a validade literária ou sobre a inclusão ou não de Monteiro Lobato nos livros das escolas, acredito que devemos nos debruçar no aspecto histórico e trazer para o presente determinadas avaliações. Isso fortalecerá o crescimento compreensivo? Pode ser que não. Porém, ao invés de dizer que sim ou não, votar a favor ou contra, vale a pena muito pensar e refletir sobre o racismo e as conseqüências que trazem junto a si. O racismo não é tão recente como alguns costumam afirmar. É uma instituição que já se expressa na Idade Antiga. Mas é somente no século XX que as suas variadas formas assumem um papel preponderamente ativos, junto às doutrinas filosóficas e científicas, fascistas e nazistas. Diante de tal panorama, ações corretivas como essa da Secretaria da Educação em reavaliar os livros, não somente de Monteiro Lobato, mas de tantos outros autores antigos, são louváveis e politicamente instrutivas. A criação de leis que criminalizam o racismo como as ações afirmativas, são um pequeno passo rumo a uma verdadeira noção de humanidade. As imagens do inconsciente coletivo de uma nação tão impregnada pelo estigma racial não se dissolvem em aparatos do Estado, mas nas ações do cotidiano.

Repetindo, na carta enviada ao seu amigo Godofredo Rangel, Lobato afirma que a miscigenação era uma vingança dos escravos: “Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível — amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde.” Assim como em outra carta, enviada de Nova York em 1928 para Arthur Neiva, ele lamenta a ausência, no Brasil, de uma Ku Klux Klan: “Um dia se fará justiça ao Kux Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca — mulatinho fazendo o jogo do galego”, escreveu. Para ele, a mestiçagem do negro destruía “a capacidade construtiva”.

O pesar da consciência deve se pronunciar ao imaginar que alunos possam ler seus escritos.

Pablo Mizraji

Conferência Mundial na Bolívia


Na próxima semana, Cochabamba, na Bolívia, transformar-se-á no centro das discussões sobre mudança climática.
Cerca de 11.500 pessoas de várias partes do mundo lá se reunirão, entre os dias 19 e 22 de Abril, para participar na “Conferência Mundial dos Povos sobre Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra”.
Logo a abrir a conferência, na tarde de segunda-feira (dia 19), indígenas de diversas regiões realizarão uma Assembleia frente à Mudança Climática e pelo Bom Viver.
Entre as sugestões da Conferência estão a criação de um Tribunal de Justiça Climático para julgar os países que não cumpram o Protocolo de Kyoto e a realização de um referendo mundial sobre as estratégias de defesa da Mãe Terra. Além disso, 17 grupos de trabalho realizarão propostas sobre temas como: harmonia com a natureza, direitos da Mãe Terra, povos indígenas, dívida climática, perigos do mercado de carbono, e agricultura e soberania alimentar.
A Conferência acontece num momento muito especial. Se os governos poderosos se negaram a dar a sua contribuição durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas, ocorrida em Copenhague, a resposta vem agora da base, de povos de todos os continentes que pa rticiparão ativamente com centenas de atividades durante estes quatro dias de encontro.
A conferência foi convocada pelo presidente boliviano Evo Morales e o evento leva em consideração a conjugação de forças para reverter o quadro de mudança climática no planeta, que afetará, sobretudo, as populações mais pobres, destruindo os seus lares e as suas fontes de sobrevivência. Essas pessoas, alerta a convocatória, serão obrigadas a migrar dos seus locais de origem, enquanto os responsáveis pelos mais altos níveis de emissões de gases estão nos países ricos e industrializados.
“O aquecimento global é a consequência das ações humanas que romperam a relação de harm onia com a Mãe Terra. O mal-estar da Mãe Terra é consequência das práticas ocidentais que romperam com o Bom Viver dos povos indígenas que, por séculos, mantêm uma relação de reciprocidade com a natureza, porque ela dá vida. O futuro do planeta depende da sabedoria ancestral dos povos indígenas que se sintetiza na proposta do Bom Viver”.
Indígenas de diversas regiões trocarão experiências e indicarão estratégias ante a crise climática. Tais propostas, de acordo com comunicado da convocatória assinado pela Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (CAOI), serão colocadas numa Declaração dos Povos e Nacionalidades Indígenas do Abya Yala, a qual será apresentada na Conferência dos Povos, em Cochabamba, e na COP16, que será realizada em Novembro próximo, no México.
Mais informações em: http://cmpcc.org/

Ato Público em frente ao Shopping Iguatemi 05/06/2007


Posso sair daqui pra me organizar
Posso sair daqui pra me desorganizar
Da lama ao caos, do caos a lama
Um homem roubado nunca se engana
Ô Josué eu nunca vi tamanha desgraça
Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça
Com a barriga vazia não consigo dormir
E com o bucho mais cheio comecei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Porque

Da lama ao caos, do caos a lama
Um homem roubado nunca se engana

Chico Science – Do Caos à Lama

Hoje estão previstos para a tarde inteira, uma série de manifestações contra o empreendimento do Shopping Iguatemi, bairro Santa Mônica em Florianópolis, um dos alvos da Operação Moeda Verde da Polícia Federal. Várias entidades locais, comunitárias, acadêmicas e do terceiro setor se mobilizam junto à Vara Federal Ambiental para cobrar medidas mais drásticas contra o projeto que fora aprovado, segundo a relatoria da PF, ilegalmente. A construção do enorme bloco de concreto comercial justamente está assentada sobre uma área de preservação permamente, região de manguezal, com sérios riscos de comprometimento da estrutura ecossistêmica.

Os resultados da inspeção judicial feita no dia 13 mostram que, definitivamente, os pontos acordados não foram cumpridos pelo sócio-proprietário Paulo Cezar Maciel da Silva, e estipula-se uma multa de cerca de R$ 2 milhões. Mesmo assim, o mega-empreendimento foi embargado várias vezes em demonstração de pura ousadia aos processos políticos e judiciários. A alegação dos advogados de Paulo Cezar é a de que no mesmo local, ou seja, em cima da região de manguezal, a concessionária Santa Fé Veículos mantinha integralmente sua área de 30,2 mil metros quadrados. Na época, o alvará de construção tinha sido liberado pela prefeitura numa quarta-feira à noite, com a parceria do grupo português Sonae Distribuição e com a oferta de um investimento de R$ 110 milhões. De acordo com as informações da própria assessoria de comunicação da Santa Fé, o grupo Sonae também é investidor do hipermercado BIG com 7,5 mil metros quadrados, num aterro às margens da Via Expressa, em Florianópolis.

Verificamos ainda que laudos técnicos já haviam sido preparados desde 1999, na Ata da 101ª sessão ordinária, da 13ª Legislatura, realizada em 29 de novembro que já assinalava situações irregulares e pedia esclarecimentos quanto à edificação dos prédios da empresa Santa Fé Veículos, o Posto de Gasolina (em frente) e o Centro Comercial, localizados no bairro Santa Mônica. A defesa, tanto dos proprietários da Santa Fé quanto os do novo shopping, é uníssona em afirmar que as acusações contra as mesmas, afirmando que a área é de mangue, são inverídicas, conforme atestaram peritos.

Dada a ilegalidade flagrante e as investigações entre as partes envolvidas, mais embargos poderão ser efetuados. Posteriormente, o prédio estará passível de demolição, caso seja confirmada a agressão ambiental nos laudos, como já ocorreu em outros casos. A comunidade espera que, desta vez, ao contrário de terminar em sopa de siri, os órgãos federais junto com a mobilização popular tenham sucesso no que diz respeito à manutenção de todo o ecossistema ali presente. Essas medidas também estão sendo tomadas contra o Floripa Shopping, Grupo Energia, Habitasul e Il Campanário.

A manifestação marcada para hoje, Dia do Meio-Ambiente, vem de encontro com outras atividades realizadas por associações comunitárias, como a mostra de artes de alunos do Maciço do Morro da Cruz na Assembléia Legislativa em Florianópolis.

FONTE: Pablo Mizraji

La yerba de la mañana


Con un cuchillito levantando a la noche
la mañana respecta tu cubierta
me sento a la ventana
contente con los aromas del frescor
del agua caliente a ti me recuerdo
Lejos y cerca, de tus lindos ojos negros
Mi alma no se aburre de verte
una melancolica sonrisa inocente
me llaman los sueños de repente
para tentar acostumbrarme del color de tus pelos