Al Masri – O Poder Popular Insurgente

Por Pablo Mizraji:

O estado de insurgência popular nas ruas do Cairo e principalmente aos arredores da Tahrir Square (Praça da Liberdade) ,que se espalha por outras cidades importantes demandam vigorosos alertas ao mundo inteiro, que o poder das massas jamais pode ser relegado para debaixo do tapete de governos, sejam quais forem suas bandeiras. As manifestações desde sexta-feira no Egito criaram um grande efeito dominó no “mundo árabe”, repercutindo de forma incisiva nos estados de tutela religiosa. Pelo Maghreb (países que compõem o Norte da África) e pela Península Arábica, se espalham verdadeiras revoluções populares pedindo a urgência da transformação social e política, ou mais importante ainda, a determinação de que a voz do povo finalmente seja ouvida pelo mundo inteiro. Clamam palavras de liberdade, quando olham para a história obsoleta de justiça social.

O governo do general Hosni Mubarak  apenas soube  posicionar-se ao lado dos EUA em troca de uma humilhante reserva militar, renovar por quatro vezes sua permanência (reconhece-se as irregularidades eleitorais), restringir ao máximo a opinião pública e liberdade de expressão internas, garantir através de atos autoritários a continuidade de sua “dinastia” através dos cargos familiares, além de servir de fantoche para os interesses yankee-israelenses. Suas manobras não surtiram efeito. Tentou readequar a composição administrativa com novos ministros e chefes de governo, alterar a utilização de recursos das Finanças, assim como renunciar a um quinto mandato, todos sem efeito. Contrariamente, o que se esperava após essas jogadas, numa exibição pública na noite de terça-feira (01 de fevereiro), as agitações populares cresceram e tomaram proporções violentas contra as medidas. Apesar de todas as tentativas do governo egípcio mostrar ao mundo seu respeito às liberdades de manifestação, telefones móveis foram privados de uso, redes sociais invadidas, rádios fechadas, jornalistas presos, etc, para impedir que ativistas pudessem organizar-se e expor para o estrangeiro o estado de sítio imposto pela polícia. Mesmo assim, ainda conseguimos ter, através dos meios livres eletrônicos, imagens e informações sobre os protestos nas ruas, mobilizações e organização das lutas.

O efeito dominó que chegou à Tunísia, Argélia, Marrocos, Jordânia, Oman, Sudão e Mauritânia mostram o quão insustentáveis são as condições de vida de milhões de pessoas, às margens da sobrevivência e da exploração pelas elites arcaicas que se mantém no poder.  Esses alvos estáticos são frutos de histórias políticas aliadas a regimes teocráticos, que desde suas origens promovem a separação entre povo e Estado (Estado religioso autocrático). Governos elitistas ditatoriais fazem suas alianças com potências militares como os EUA a fim de garantirem a permamência de seus aparatos de repressão e dominação.

A revolta popular no Egito já toma contornos revolucionários a partir do momento em que figuras “representativas” entre os opositores a Mubarak, não são consideradas peças-chave, ou seja, há um levante autônomo das massas, organizado que surge de forma independente a protagonismos sindicais, partidários e/ou indioviduais, como no caso destes personagens.

O Egito insurgente abre uma brecha histórica no presente, assim como ocorre ainda na Grécia, reafirmando os valores da indignação contra toda forma de exploração e opressão, mostrando que o poder popular, indiferente a estratégias específicas, jamais será calado.

Um apelo é feito a todos os árabes a solidarizarem junto às massas egípcias, tunísias, argelinas, marroquinas, líbias, sudanesas, jordanianas a denunciarem os crimes dos seus regimes tirânicos contra seus povos e seus passados, aproveitando os meios disponíveis para organizarem-se na luta do povo. Nem todo árabe é muçulmano, nem todo muçulmano é terrorista, nem toda nação árabe traz em seu cerne o autoritarismo!

Viva a Revolução dos Povos Árabes!

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Sobre pmizraji

Caput necandus est. Cadaver acqua forti dissolvendum nec alicquid retinendum. Tace ut potes.

Publicado em fevereiro 2, 2011, em Anarquismo Social. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Ginga Vasconcelos

    Mandou bem, Pablo. Mas não pare por aqui não!!! Escreva, Pablo, escreva.
    Lanço aqui um desafio: e depois?
    Quais são mesmo as reivindicações do povo egípcio? Será que é “Fora Mubarack” e é isso aí?

    hehehe É claro que é provocação, mas gostaria de ver você escrevendo sobre isso…

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