Arquivo mensal: junho 2010

Open Bar: suíte do inferno


Se Dante tivesse coragem de presenciar um open bar do outro lado do balcão, certamente revisaria sua “Divina Comédia”. O Portal do Inferno avisa que toda esperança deve ser deixada para trás, assim como todos os modos comportamentais básicos de sociabilidade, e quer saber, de humanidade. As almas condenadas pelo mundo em fila lotam o prostíbulo que organiza a recepção calorosa. O Portal do Inferno não tem piedade, os guardiões são poucos, já que violência por violência dá na mesma e toda forma de condenação leva à estados alterados de consciência, mesmo que seja no Inferno. Não tem portas nem cadeados, as vitrines das bebidas que se cuidem, e quem entra nunca mais retornará como antes. Nem Dante nem Milton conheceriam as aventuras de vivenciar um Open Bar. O próprio nome diz, “Abertura”, tudo que está livre e de acesso ilimitado. E nós sabemos, depois da meia-noite, as transformações acontecem…

Psicosomaticamente, na chance de querer mais e mais, com hora indeterminada para acabar, deve-se lembrar que este Inferno é apenas uma prévia do outro e real Inferno, algo temporário eu diria, e a alma condenada tende ao suicídio moral – a entrega total aos espíritos imundos de seu inconsciente, os demônios que surgem para tomar o corpo dos coitados. Assim aparecem no balcão, os demônios que vociferam blasfêmias, quebram os pilares, vomitam de suas entranhas suas calamidades, festejam sua comunhão com o Baixíssimo. Mas, como todo lugar no mundo, teoricamente é visto na visão da eterna luta de classes, até no Inferno há desigualdades, e aqui não menos arbitrárias. Ai? “No Inferno também há explorados e exploradores?” Puxa! que coisa infernal!Nem Satã, o príncipe rebelado contra a autoridade conseguiu se desvencilhar das garras da hierarquia trabalhista! Outrora sonho revolucionário, hoje visão dantesca da animalia. Alguém até poderia também dizer que quem serve, serve ao demônio, sinceramente… servido por servido.

O open bar é assim: um inferno dantesco que surge inesperadamente no espaço-tempo entre a consciência semi-desperta e a bestialidade devoradora de sonhos. Alguém poderia simplesmente querer explicar que é um estado de desejo de consumo levado ao extremo. Sim, concordo plenamente, pois acredito piamente que existam dentro do Inferno, não só hierarquias mas também níveis astrais ou reinos diabólicos de acordo com os seus usuários e transeuntes. Dante citou nove círculos, três vales, dez fossos e quatro esferas. Um ser tomado pelo Diabo, pode estar neste exato momento, se deliciando com uma cena na MTV, sentado em sua poltrona dos prazeres, devorando um BigMac.

Não importa qual é a forma nem o lugar que este Portal escolhe aparecer, o que atrai a atenção é o fato de como ele existe e subexiste dentro dos seres que convivem aparentemente lúcidos e saudáveis ao nosso redor.  O mais incrível: não há necessidade de desenhar círculos mágicos ou pronunciar nomes complicadíssimos de livros amarelos, eles simplesmente surgem do nada! Interessante, desde as saturnálias e os bacanais, criados como medidas políticas do coletivo para desafogar as tensões demoníacas do instinto, os seres humanos não conseguiram deixar de esconder suas verdadeiras naturezas, cinicamente… selvagens. Antes, selvagens e com modos primitivos, foram acusados coitados outros seres da mesma espécie, mas mal sabiam que Portais como o Open Bar existiam. Ou sim, desde que inventaram o xamã, com certos procedimentos e táticas diferentes.

É verdadeiramente no Open Bar que o ser humano, o ocidental mais propriamente dito então, mostra sua natureza, e não é somente atrás de sua máscara, ele praticamente despe-se de toda a sua humanidade. Um copo vazio à espera de um líquido lhe dará, ele espera, a vida eterna, mesmo que seja por uma hora. Assim, como que esperando não mais viver do que uma hora, ele, como um copo inteiramente vazio, vaga pelos corredores do Inferno com um copo igualmente vazio, à procura de mais e mais, às vezes não conseguindo juntar todas as taças num amontoado abraço só. Ele sabe que logo findará seu precioso tempo. Nós, do outro lado do balcão, sabemos que é eterno.

“Quanto maior é a sede, maior é o prazer em satisfazê-la.” Purgatório. A Divina Comédia. Dante chamou a sua obra máxima de “Comédia” não por ser engraçada, mas porque no fim de tudo, termina no “paraíso”. Não é divertido?

O Divino Barman, hoje “Brahman” (Brahmane! não Brahma!)
junho 2010, do open bar

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Já deu a sua desacatadinha hoje?


“É quase meia-noite
Algo maligno está espreitando na escuridão”
Thriller – Michael Jackson

Para um simples transeunte que por acaso passasse nas proximidades do Diretório Central dos Estudantes (DCE) na UFSC no dia 12 de maio de 2010, o que se fazia ali poderia ser muita coisa, menos uma reunião com pretensões políticas que afetariam a cidade de Florianópolis nos próximos dias.

O que se via ali era uma assembléia com uma dinâmica caótica, conduzida por pessoas que em sua maioria tinham menos de 25 anos, e que foi finalizada com um ensaio de passinhos baseados na música “Thriller”, de Michael Jackson.

É esta a áurea que se percebe nas assembléias da Frente Única pelo Transporte Público de Florianópolis, que se desenvolvem procurando avaliar os acontecimentos passados e projetando os próximos passos das manifestações contra o aumento de 7,3% no preço da passagem do transporte público da cidade.

As manifestações começaram no dia 8 de maio, e pelo andar da carruagem (ou melhor, do latão), vão se prolongar por mais tempo, já que tanto os empresários que controlam o transporte público, quanto a prefeitura da Capital catarinense, parecem mais empenhados em desmobilizar os protestos do que em encontrar uma solução para sua causa.

Estas tentativas de desmobilização se evidenciam de várias formas, seja na mais básica demonstração de poder repressor da Polícia, até o engendramento de ações judiciais voltadas para os manifestantes, além, é claro, da criminalização do movimento social pela mídia corporativa.

Durante o que pode ter sido o primeiro mês de manifestações, os atos ocorreram todos os dias úteis, com ações descentralizadas (como bicicletadas, teatro de rua e “catracassos” – atividade em que várias pessoas pulam a catraca dos terminais e ônibus sem pagar) nos bairros e manifestações com no mínimo 2.000 e no máximo 6.000 pessoas no centro da cidade, geralmente nas quartas e quintas-feiras. Os finais de semana têm sido usados para se fazer a avaliação e planejamento do movimento, em assembléias que reúnem no mínimo 100 pessoas.

Pique-Esconde

Obviamente, toda esta situação não está sendo bem recebida pelos administradores da cidade, e, consequentemente pela Polícia Militar, cada vez mais impaciente com o fato de ter que brincar de pega-pega com um bando de garotos e garotas pelas ruas da cidade. “Uma mega-operação e ninguém vai preso”, comenta um policial ao colega. “Nenhuma bomba de gás foi lançada, nenhum gás lacrimogêneo” declarou à imprensa o Tenente-coronel Newton Ramlow no dia 27 de maio, durante uma das manifestações no centro.
De fato, coincidentemente com o ano eleitoral, a Polícia Militar (até aquele momento) agiu de forma diferente dos outros anos em que este tipo de manifestação aconteceu. Isso apesar das claras mostras de impaciência dos policiais – “Está olhando o quê? Está olhando o quê?”-, pergunta aos berros um PM montado em sua possante motocicleta, dirigindo-se a um bando de garotos de uns 13 anos, no meio da rua.

A cada manifestação o contingente de PMs, Grupos de Resposta Tática e até Polícia Montada aumenta. São, pelo menos, 550 policiais, cachorros, muitas viaturas e até helicópteros sobrevoando as manifestações, o que provoca uma reação imediata na população de Florianópolis; existem dúvidas se esta é o tratamento adequado, e até mesmo, paradoxalmente, temor em ver tanta força bélica espalhada pelas ruas.

o lado “negro” da copa


Cerca de dois mil trabalhadores sul-africanos descontentes com a organização da Copa do Mundo entregaram os uniformes e receberam o pagamento nesta terça-feira, dois dias após atos de violência no estádio Moses Mabhida, em Durban, envolvendo policiais sul-africanos e funcionários que trabalham na arena.

Na entrada do estádio, nesta terça, houve enormes filas de trabalhadores que tentavam receber o dinheiro pendente, além de devolver os credenciamentos da Copa e materiais de trabalho.

“Nós não estamos lutando com a polícia, nós estamos lutando por nossos direitos”, disse Thamsanqa Mapumulo, que trabalhou na construção da arena Moses Mabhida.

“Nós assinamos um contrato de três meses. Eu quero uma resposta direta se vai haver valorização do trabalho”, diz Zanele Mcineka.

Os manifestantes acusaram as autoridades de não terem repassado o valor combinado anteriormente. O incidente de domingo no estádio em Durban terminou com 10 manifestantes presos. A polícia usou gás lacrimogênio e canhão com água para dispersar os trabalhadores, que formaram aglomeração na entrada do estádio.

A relação trabalhadores/autoridades é marcada por atritos antes e durante a Copa do Mundo. Várias greves foram realizadas, comprometendo planejamentos de construção dos estádios e obras viárias.

Das agências internacionais
Em Durban (África do Sul)

Campanha pela ética na TV

Gafe yankee

Como não era de se estranhar...

esta aí...

manifesto do terrorismo sarcástico – 2006


Se você acredita no fantástico mundo das mentiras e da alienação coletiva da comunicação de massa, propomos que seja chegada a hora de rediscutir o papel social da mídia sem mais freios. Está mais que imediato partir para a ação direta e desafiar as grandes corporações que fizeram deste sistema global de informações virulento uma farsa, investindo em grande escala contra todos os seus braços articuladores. Esta declaração de guerra é também uma ode à liberdade, ao direito de expressão, às estações de rádio, publicações, tvs comunitárias, zines, redes virtuais, bares e cinemas alternativos. O sangue do quarto poder será derramado… e a vitória está nas mãos.

Pelos mesmos mecanismos do sistema a informação foi sendo apropriada e jogada na lata do lixo privado. Retornamos dos calabouços e ouvimos os gritos aterradores daqueles que estão à mercê do common sense, do fanatismo, da histeria social, da farsa midiática e da exploração e fabricação da “verdade”. Somos anônimos da realidade, como o limo que sobrevive nas consideradas mais vis condições, mas de onde brotam as mais poderosas forças de resistência contra a hegemonia do discurso globalizante. Esse movimento insurgente retorna para romper as cadeias dos ciclos. Pelo direito à informação livre, sem o vínculo da lógica capitalista-estatal, faz alimentar e potencializar novos e emais audazes meios de luta pela manutenção dos valores culturais, pois a verdadeira revolução não é a política, ciclo vicioso e paliativo do próprio sistema, mas a social e cultural, germe imortal da capacidade humana de libertar-se do jugo.

Estamos prontos para tomar de assalto tudo novamente. É a hora de tirarmos o foco de atenção dos meios de comunicação massivos para devolver às mentes subjugadas aquilo que lhes fora drenado: a inteligência. O mundo faz números e estatísticas, não livre-arbítrios.

E deste manifesto formarão as palavras em todos os rascunhos e monitores, em todo lugar onde se acharem players, que até os cegos poderão conhecer e qualquer língua saberá seu entendimento, pois a emancipação não está sujeita à uma população específica, mas aos homens e mulheres em seus corações. O perigo é iminente e eles sabem. O boicotam diretamente através das novas tecnologias e nas entrelinhas. É o risco de perder o controle da mercadoria e do monopólio do saber, insuflando-nos com placebos legislativos, na tentativa de tornar-nos ovelhas servis. O papel da contracultura será importante para destruir os pés do gigante através da desmistificação dos modus operandi das elites dominantes. A contra-informação é outra arma que está engatilhada contra o status quo dos aparatos oficiais, reprodutores do capital cultural. Este não é mais o mundo das aparências. A utopia não tem mais sentido. Isto não é mais propaganda.

Da mais escura caverna
Com a minha lanterna sempre acesa
Vivo sempre no submundo da sua consciência
A espreita de um novo amanhecer

satanarquia eletronica


o caos era o centro ideológico de tudo, pois tudo está graciosamente pendente ao caos. você pode ver um caos sobre sua mesa ou vislumbrar num pequeno redemoninho na calçada. o que é bom e o que é mal? nós matamos a carne do animal para comer: isso é bom para o animal? “somente uma estrela poderia possuir um caos dentro de si; eu vejo o caos dentro do homem como uma nova estrela.” F.W.N.

Florianópolis caminha pelos nebulosos labirintos do fascismo


No presente momento Florianópolis caminha pelos nebulosos labirintos do fascismo. Nossa frágil democracia mostra sua face totalitária e sanguinária. Em Florianópolis, vive-se num Estado de sítio em que a polícia, honrando o nome de seu líder Floriano, decide quem passa ou não passa. Todos são suspeitos até que se prove o contrário – e como é difícil provar!

Na manifestação da noite do dia 02/06,  a polícia compareceu determinada a liquidar (em todos os sentidos) com o movimento social que se constrói em torno da situação do transporte “público” em Florianópolis. Dezenas de viaturas, cães famintos e policiais fortemente armados cercaram os manifestantes em frente ao Terminal Central (TICEN) impedindo qualquer movimentação. A polícia os manteve numa espécie de cárcere público e mesmo a população que passava nos arredores sentia-se constrangida e temerosa com a operação de guerra montada para conter os perigosos “arruaceiros”.

A polícia filma a manifestação, fotografa e intimida os manifestantes, infiltra-se na multidão, persegue os “suspeitos”, etc.  Recolhem um material para montar um detalhado dossiê que alimentam com informações os generais de dez estrelas que ficam atrás da mesa…

Apesar de tamanha mobilização policial, os atos espontâneos dos manifestantes ainda os surpreendem. Rapidamente “olés” e cirandas são montadas e desnorteiam a repressão. A “ordem” só é mesmo mantida na base do choque. As armas de choque utilizadas pela polícia vêm sendo chamadas de “paus de arara portáteis”. Alegando ser o choque uma “arma não letal”,  a polícia utiliza-o indiscriminadamente e sem pudor. A tortura está legitimada em pleno centro da cidade.

Pau de arara nos remete aos tempos de ditadura civil-burguês-militar, os anos de chumbo, etc. Um passado muito presente que se reproduz facilmente entre nós.

Estão todos juntos nessa empreitada em busca da manutenção da “ordem” e do “direito de ir e vir”: (I) A imprensa golpista que quer transformar o terminal numa passarela; (II) os empresários do transporte e seus pares; (III) o ministério “público”; (IV) a polícia; (V) os “representantes do povo” que parasitam o Estado; (VI) a igreja que silencia e cala os fiéis; e infelizmente (VII) os sindicatos e demais entidades do terceiro setor, incluindo os trabalhadores. Estes últimos são incapazes de escrever uma moção de apoio, fazer uma paralização para fortalecer o movimento e muito menos uma ação de solidariedade.

Não obstante todos os obstáculos fascistas que se erguem e revelam o rosto mais cruel de nossa democracia totalitária, a manifestação e os/as manifestantes seguem bravamente há quatro semanas nas ruas de Florianópolis em busca de uma vida sem catracas. E não desistiremos!

Na manifestação de hoje choveu. Mas enquanto chovia e os policiais distribuíam capas de chuva entre si, os bravos manifestantes seguiam de pé e cantavam “você vai pagar e é dobrado cada lágrima rolada nesse meu penar. Apesar de você amanhã há de ser outro dia”. Entoavam a uma só voz: “abaixo a repressão, ditadura não!”. Apesar de não parecer, a repressão nos une ainda mais e encurrala a cada dia os fascistas.

Neste momento não há lugar mais importante para estar do que nas ruas. Tirem os pijamas, desliguem as TVs, fechem os gabinetes com ar condicionado, desçam dos palanques e saiam do armário. Todos nós temos que participar e divulgar o que vem acontecendo. Não podemos recuar.

A absurda mobilização policial só revela o medo que toma conta da elite cretina dessa cidade. A organização popular põe a elite em constante estado de ameaça – a ameaça de que o povo tome o poder.

Vale a pena repetir: Que as classes dominantes tremam diante de tal ameaça! Nada temos a perder a não ser nossos grilhões!

Se vives nas sombras, freqüentas porões
Se tramas assaltos ou revoluções
A lei te procura amanhã de manhã
Com seu faro de dobermann

(Hino de Duran – Ópera do Malandro – Chico Buarque).

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