sobre o caráter inglório

Na terra do “faz de conta”, muitas vezes deixamos de acreditar ou sonhar com melhores condições de vida e não, por uma série de razões fúteis, nos escondemos na caverna. Nos mais variados casos, não usamos máscaras. Com todas as letras: não temos medo de nossos espelhos. Quando os sinais começam a faiscar nas nuvens sabemos que é hora de entrar de novo na luta.

A luta se faz aqui, no chão, e por mais que os engravatados do discurso ensaiado afirmem veementes que ela se faz pelos corredores e gabinetes, ela sai das ruas e volta para as ruas…

É nas ruas que os peões avançam o sinal, à mercê, pensam os engravatados à esquerda da calçada, mas são incapazes de moverem-se fora de seus círculos mágicos. Etimologicamente, política e polícia derivam do mesmo radical, do grego arcaico, que remetem à polis, o espaço antes público tornado agora em palácio de governo, coisa que não surpreende em nada quando ambas (ambivalências) andam de mãos dadas, seja quais forem suas cores ideológicas.  A corte sempre fica pra trás, esperando o que vai acontecer. É a mostra visível da conveniência, da política do mais assistencial, assim eu diria, quase fisiológica, a política do umbigo. A era da vanguarda acabou minha gente. Os oportunistas e seus pelegos só podem lamber suas… feridas? Quais? Ganhos e perdas? Há uma espécie de catarse em efeito dominó que se espalha por aqui.

A “esquerda” itinerante da esfera burrocrata não tem mais sentido de existir fora da campanha por voto. Mas ainda os burros somos nós que conclamamos a vossa presença para uma utópica batalha.

Darionopolis para os burros! A aristocracia engravatada brinda o coquetel com os colarinhos brancos dos transportes, das imobiliárias, dos hotéis e dos negócios veraneios. Quando deixam somente as crianças para o jantar das 20:00hs, qual será a sobremesa? Gás de pimenta, taser, cassetete, cães, algemas, balas de borracha, bombas?

Será que há uma vergonha, mesmo pequena, que possa aparecer em suas máscaras? “Vivemos tempos interessantes”. A tão evocada “emancipação” faz ainda sentido para vocês?

Blake dizia, “uma única lei para o leão e o boi é a opressão.”

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Sobre pmizraji

Caput necandus est. Cadaver acqua forti dissolvendum nec alicquid retinendum. Tace ut potes.

Publicado em maio 28, 2010, em Anarquismo Social, Colunas - Venus Genetrix, Ruminantes da República. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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