Florianópolis R$ 3,12

Domingo entra em vigor a nova tarifa para o “transporte público” na capital.  “É preciso ter cuidado para não comprometer os investimentos em educação e saúde” disse o vice-prefeito João Batista Nunes. Essa frase exprime exatamente o que condiz com a verdade: os investimentos devem ser posicionados antes dos da saúde e educação.

O sistema de saúde na capital vive um caos com atropelos da prefeitura e agendas de greve constantes. A educação desmorona junto com as escolas que fecham as portas ano a ano, sucateadas pelo município e pelo estado. O Sr. Nunes recentemente em entrevista nos jornais locais tem feito elogios a si mesmo como um “manezinho intisicado”, do termo ilhéu, significa arrenegado ou colérico, dando a entender que sua “teimosia” nas decisões administrativas têm dado certo.

O impacto do novo aumento de 11,5% sobrará para o usuário obviamente, aos desfavorecidos do cartão, que somam mais da metade do número de pessoas que utilizam o transporte. A maioria dos trabalhadores são do mercado informal. A cidade tem, segundo dados do IBGE 2009, 408.000 habitantes, com uma infra-estrutura caótica que afeta diretamente a qualidade de vida, alijada dos acessos à saúde e educação básica. Os números são desproporcionais à demanda da cidade, 35% de esgoto tratado e insuficiência no abastecimento de água.

Florianópolis, “capital do Mercosul” e da “qualidade de vida”, economicamente é sustentada pela exploração turística, pela prestação de serviços, comércio varejista nas principais ruas do Centro, sendo o maior contingente os trabalhadores do ramo informal, que possuem baixa renda, ausência de direitos trabalhistas e sofrem com a instabilidade econômica. De longe uma das cidades mais caras do país, o sistema tarifário é excludente.

O aumento da tarifa do transporte urbano é injustificável, dada a desigualdade entre custo/qualidade. O Sr. Nunes não aprendeu a lição de esperar meia hora no seu carro com ar-condicionado na fila da ponte qual foi vítima de engarrafamento de 50 ônibus há alguns meses atrás e, talvez nunca teve de calcular centavos na hora da catraca.

Uma manifestação de encher os olhos de qualquer militante, transeunte e até voyeur de janela com cerca de 6000 pessoas lotaram as ruas de Florianópolis com como uníssono e significativamente auto-organizada. A prefeitura cedeu horas antes a planilha de custos ddo Setuf.

Aqui segue os arquivos

Ofício da Prefeitura:
http://www.fltcfloripa.libertar.org/wp-content/uploads/2010/05/OF-Prefeitura.pdf

Planilha de custos:
http://www.fltcfloripa.libertar.org/wp-content/uploads/2010/05/SRTPP-FLN-Planilha-Mar2010-Divulgacao.zip

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Publicado em maio 7, 2010, em Anarquismo Social. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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