Tentar entender a lei dos astros… mas o Império contra-ataca (1)

Quarto Poder.  Quarta Frota.  Quarta Revolução Industrial. Cabalisticamente acentua-se o teor deste caldeirão que ferve há algumas décadas numa velha cozinha onde a técnica culinária, incansavelmente e a todo custo, tenta se renovar. Os novos pratos parecem não coincidirem mais com as ferramentas básicas para a degustação gastronômica. Todos os utensílios domésticos radicalmente se transformam e alteram o cotidiano de quem é simples usuário. Agora as técnicas dominam a lógica e a razão – da energia à força mecânica, da lâmpada à explosão, dos chips à informação e agora, dos átomos-nânons à dominação total. As aplicações da técnica instrumental ou utilitarista faz emergir uma marcha protagonista na história do homem, a quarta revolução do capital. Assim também o dígito 4,  o quarto poder que identifica-se pela sua manipulação e legitimação, enquanto esfera política-ideológica, cultural e social. Não há uma face a ser descoberta, é um monstro de mil cabeças que fala diversas línguas, articula-se com todos os elementos, pelo ar, pelas redes ópticas, pelos elétrons, pelos tinteiros, e todo dia nasce num lugar diferente, sempre à espreita de devorar toda forma de vida à extinção imediata. É a totalidade da obediência incondicional que religiosamente deve ser prestada em sua honra. Seus templos e “seus pontífices tradicionais são como pastores cegos, mágicos presunçosos, envenenadores e párias”, de um mundo fictício exercido sobre o realismo fantástico, num mundo de surdo-mudos. Prestigitadores com as armas mágicas do domínio da comunicação, escolhidos pelos papas e hierofantes. O imperador pela força, o enforcado pela morte, o louco sem julgamento… a mistificação totalitária do homem, inerte às investidas dos players. Parece ser o leviano destino dos bonecos que está sendo desenhado antecipadamente pelos detentores da vida e da morte, nas  instituições sacralizadas pela “nova” ordem. Transferem suas indumentárias de controle e domínio, poder e potência pelos fios invisíveis da comunicação de massa, e vice-versa, numa forma sequestradora permanente, dia e noite.

A quarta frota, depois da frustrada derrota nas montanhas do Oriente Médio, propõe desempenhar no Hemisfério Sul seu legítimo lar de ocupação. A guinada ultra-conservadora dos republicanos rumo ao ouro negro costuma deixar a América Latina geralmente a ver navios, no entanto, pelo lado democrata, o continente hermano sempre exalou perfumes mais atraentes.  Esse “descuido” por parte dos republicanos, tornara a região cada vez mais propícia, e impasses como a Alca e políticas bilaterais, acabam acentuando a formação de novas agendas: o Plano Colombia, Plano Panamá, Plano Patriota, Palno Condor e a Tríplice Aliança. Desgastado pelas acusações de corrupção e gasto de bilhões de dólares numa guerra sem fim no Iraque, o Império volta sua atenção para as atividades políticas e econômicas no mesmo continente.  Uma parede se levanta no sul contra a força imperial que incrivelmente não consome força nuclear, mas popularidade. A chamada para um mundo alternativo ao modelo capitalista no século XXI acende para investigações e novas problemáticas internas dentro do próprios movimentos sociais. Um neoliberalismo arraigado e agressivo nos países sul-americanos fez também brotar uma unicidade combativa que conglomera diversas esferas da prática política real, como os movimentos campesinos, indígenas, quilombolas, e as comunas de ação direta juvenis. Embora oposto à idéia reacionária de militarização e estatização golpista, na maioria destes países, as massas organizadas conseguiram ampliar sua participação nos espaços democráticos, num avanço às mobilizações reinvindicativas.  Em contrapartida, os norte-americanos reatam cinicamente laços burocráticos com países que possuem a predisposição a um proto-imperialismo dentro do próprio continente, legitimando que futuras intervenções, militares ou não, possam se concretizar. Certas fronteiras já estão sendo vigiadas por exércitos estrangeiros, grupos paramilitares ampliam os conflitos com as guerrilhas, e civis dos serviços de informações secretas há anos trabalham inseridos dentro das relações administrativas da contra-inteligência. Milhões de dólares foram destinados a governos para o fortalecimento de esquadrões mercenários “anti-terroristas” de “países instáveis democraticamente”.

Enquanto isso, achando que o Império dorme quando os movimentos populares gritam em uníssono uma nova perspectiva de mundo, o marketing cultural cria novas ferramentas de ataque, como o cinema – recentemente lançado nas salas, “Segurança Nacional” e “Tropa de Elite 2” -, e no outro lado do Oceano, navega placidamente a chamada Quarta Frota, que tem por ordem a de “proteger” o livre comércio, equipando uma fortuna de porta-aviões nucleares, 100 aviões que navegarão pelos mares do sul.

Que dizem os astros… ?

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Publicado em maio 6, 2010, em Colunas - Venus Genetrix, Guerrilha Midiática. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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