Um Giro (G8) no mundo

Encontro dos G8 – Londres em pânico – morte de Ilhab Al-Sherif – alerta laranja nos EUA – Netanyahu escapa ileso – manifestação violenta antiglobalização – reunião de emergência do Conselho da ONU – Bill Gates no G8 – Mensalão…

Os donos do mundo finalmente resolveram colocar suas mangas de fora, ou melhor, mostrar aquilo que tinham por baixo da máscara de personagens históricos e bem quistos. Em Gleneagles, Escócia, obtiveram bem resoluta a sua doutrina de reduzir o custo de ajuda “humanitária” para a África. “Mais esforços” no combate à poluição? Bush foi taxativo no Protocolo de Kyoto, por que não o seria agora? É lógico que seus interesses não mudariam em nada este panorama econômico antiambiental. Já Tony Blair ainda tentou ser simpático às suas investidas diplomáticas como um bom anfitrião de festa, mas vê-se nitidamente que seu futuro está em jogo no parlamento inglês, e o que ele mais espera são os votos consolidados após uma possível derrota dos ultraconservadores britânicos. Ele tentou ainda negociar um paralelo de U$ 25 bilhões para U$ 50 bilhões até 2010 para a questão da dívida dos países africanos. Bush fez cara feia e ficou com seu “quem dá mais” para uns U$ 9 bilhões apenas. “África? Onde fica? De que serve mesmo? Ah… o que me interessa agora é brincar o joguinho com o governo no Iraque, que para mim é mais interessante e mais rentável. Pra que dar dinheiro a eles se nunca vão nos pagar!?” E, todavia, se não bastasse, Bush ressaltou que era necessário cautela ao lidar com os líderes africanos, pois sem “boas políticas” não seria dada qualquer parte do bolo. Mesmo no sentido de “venham até a mim, as criancinhas”, não funcionou muito bem esse impacto na opinião pública, na saída da reunião a portas fechadas. Dos países mais endividados estão Togo e Nigéria. Em todo o continente africano, o número de pessoas que sofrem de pobreza e fome chega a 315 milhões, e apesar disso afirmou que não daria dinheiro a países corruptos, numa clara pose discriminatória tipicamente conservadora.

O chamado Grupo dos 8, independent top-bankers, estiveram durante 3 dias nas terras escocesas, depois de jantarem com a Dama de Ferro, Rainha Elizabeth II. Ela também se prontificou a comparecer no local do atentado desta manhã em Londres, já que estava no Castelo de Windsor, na hora em que ocorreu o ataque. Sob ameaças de paralisação da cidade e intensa chuva, o contingente de tropas britânicas foi decisivo, apesar da manifestação antiglobalização ter tomado as ruas de Auchterarder, vila próxima a Gleneagles. Muito engarrafamento fez com que as pessoas fossem a pé até seus destinos. Houve confronto com a polícia na saída dos eco-acampamentos e em Edimburgo, vários manifestantes tentaram bloquear os delegados do G8 no Hotel Sheraton Grand, assim como outras importantes estradas de acesso a Gleneagles. De manhã, notava-se inúmeras barricadas nas ruas feitas pelo grupo que se intitulava Kids Tea Party blockade, ou Barricada Festa de Chá das Crianças. O uso da força militar foi excedente inclusive na aparição de helicópteros que chegavam a todo instante nos locais de aglomeração. Prisões arbitrárias, identificações ilegítimas e as pessoas que não faziam parte da manifestação, os moradores locais, começaram a gritar palavras de ordem contra os policiais que não somente prendiam como também agrediam brutalmente os manifestantes

Em três horas, 7 explosões se ouviram na capital inglesa, sendo a primeira que aconteceu às 9:00 hs na Aldgate Station e em Edgeware Rd seguidamente. O número crescente de mortos e feridos no ataque a Londres faz-se mister uma nova reflexão sobre a tomada e o rumo das decisões dos maiores grupos político-econômicos do mundo e seus blocos de investidores. Interrupção da reunião dos G8? Tony Blair está convicto que sim e supostamente também o creio, numa forma de demonstrar profundo mal-estar perante tal política mundial. A nova ordem de criar e talvez monopolizar a idéia de um “mundo melhor para todos” mais uma vez se contradisse: de fato, seria um mundo melhor para quem? O seu ou o meu?

As 4 explosões que destruíram trens do metrô e ônibus (em Tavistock Square) são uma conseqüência avassaladora da qual a sociedade como um todo deve começar a tomar nota sobre suas causas, e não pôr fim a uma incerteza de segurança. Ian Blair (mais um Blair?), chefe da polícia, relatou que o efeito “caça às bruxas” pode ter uma escalada sem precedentes.

Até o momento presente são aproximadamente 700 feridos. Tony Blair foi muito enfático e sinistro ao dizer à imprensa que condenava “os atos bárbaros… cujos responsáveis não tem respeito pela vida humana… estamos unidos na nossa resolução de lutar contra este ataque a pessoas civilizadas em todo o lado e não permitiremos que a violência mude a nossa sociedade ou os nossos valores, pois continuaremos com a nossa deliberação de criar um mundo melhor” numa clara alusão ao choque de culturas não compreensível, antidemocrático e totalmente pretensioso. Nas entrelinhas, o fato do “islamismo tomar conta dos valores pré-estabelecidos na sociedade ocidental” está muito evidente. Londres praticamente parou, considerando o pior ataque a alvo público depois da Segunda Guerra Mundial. Na mesma hora, o Buckingham Palace foi cercado por quase um exército numa lógica segurança antiterro rista que deu margem mais uma vez à questão da invulnerabilidade dos centros econômicos do mundo.

Correm os boatos na internet de que a Al-Qaeda tenha sido responsável pelo atentado, mas aí temos um clichê bem típico em era neoterrorista. Já Jacques Chirac disse que o acordo não satisfez nem evoluiu, mas que serviu apenas para dar continuidade ao processo de “desaquecer” a temperatura em torno do planeta, que por sinal já anda bem quente mesmo.

Entre muitos interesses em jogo, todas as declarações finais dos 8 líderes apenas confirmaram o que todos vinham já vinham predizendo sobre essas reuniões a portas fechadas: não há ação objetiva e nem vista de acertarem definitivamente os tópicos como deveriam, ainda que estes sejam as bases dos problemas que mais preocupam a todos. Benjamin Netanyahu, ministro israelense de Finanças e ex-primer ministro de Estado, também quase foi pego de surpresa, não fosse “avisado” com antecedência sobre o atentado. Interessante. Seus agentes desmentiram o aviso. Ele percorreria o mesmo trajeto das bombas minutos antes de elas terem sido detonadas. “Após a primeira explosão, nosso ministro das Finanças foi prevenido para não ir a lugar nenhum”, afirmou Shalom à Rádio Exército de Israel num claro senso de inteligência secreta. Os EUA rapidamente colocaram o nível laranja de alerta em tod os os sistemas de transportes do país inteiro em medidas extremas de segurança após o atentado, num medo constante sobre uma nova onda de ataques terroristas.

No mesmo instante, o gabinete da presidência do Egito, confirmava nesta manhã, o assassinato do diplomata Ilhab Al-Sherif, que tinha sido seqüestrado em Bagdá no último sábado, e segundo informações de jornais árabes, pelo cabeça armada procurado Zarqawi. O pronunciamento oficial dele teria sido o seguinte: “o veredicto de Deus contra o embaixador dos infiéis, o embaixador do Egito, foi cumprido”. Vinha como bônus um vídeo com as imagens já famosas dos presos políticos sendo vendados e em seguida decapitados. Logo, as autoridades egípcias tiravam de cena sua comitiva e encerravam a embaixada no país.

O Conselho de Segurança da ONU imediatamente convocou uma reunião de emergência nesta quinta-feira, priorizando o assunto de segurança máxima para os estadistas além do problema causado pelo atentado em Londres. Sem esquecer é claro, dos atentados que viraram moda nos trens da Europa como no caso de Madrid, que morreram mais de 200 pessoas no ano passado. Por este motivo, também a Espanha entra em estado de alerta vermelho em todos os pontos críticos de possíveis alvos terroristas. A Espanha patrocinou uma caça a terrorista do tipo “prende, bate, arrebenta” sem sucesso e com nenhum enquadramento oficial de terroristas. Ser solidário nesta altura é um risco que os países europeus estão refletindo constantemente, sob medo de represália.

Sonhar com Bush no poder foi um ideal adotado pela sociedade norte-americana, mas nem todos concordam com a onipresença e onipotência de Bill Gates em todos os assuntos relacionados ao seu universo virtual, não é mesmo? Desde o escândalo que abalou a Microsoft pelos sucessivos processos de monopolização da utilização arbitrária de seus softwares, o homem mais rico do mundo aparece ao lado de pop-stars fazendo uso de sua marca para se promover em mais um insípido showmício para sensibilizar e conscientizar aqueles que estão nem aí para suas músicas pasteurizadas por uma indústria fonográfica feita para as massas engolirem sem pestanejar. Conscientizar quem afinal? Tony Blair com sua febril arrogância inglesa de posar ao lado de um texano meia-botas e co-liderar ataques contra o Iraque. Vladimir Putin ao massacrar discriminadamente populações civis na Chechênia. George W. Bus h ao romper com o Protocolo de Kyoto, arrasar países como o Afeganistão e Iraque, além de destacar forças em conjunto com outros países (inclusive o Brasil) para “missões de paz” na África e América Central. Não seria justo mesmo, que artistas que sempre se puseram contra as atitudes imperialistas e neoliberais destes países, tivessem sua parcela de força? Claro que não! E sim pop-babas de bandas comerciais que nunca fizeram nada para arrecadar ou ajudar, mesmo que culturalmente, esses povos oprimidos. G8 e Live 8 são a mesma coisa. Foram gastos 38 milhões de euros em espetáculos megalomaníacos para suportar quem e o quê? Quem se beneficiou afinal com esta conta? Não são as mesmas empresas que patrocinam, de uma forma ou de outra, as guerras (mesmo as civis) e o não-incentivo às empresas nacionais de todos estes países?

O que a Microsoft tem dizer sobre pobreza? Que realmente lamenta muito ter de editar a cada ano uma versão “original e imprescindível” do Windows com altos custos para as instituições públicas como o ensino, por exemplo, (que tem de piratear) e novos programas que somente servirão para os novos produtos. Universalization & Globalization? Irlandeses, norte-americanos, ingleses (alguns com títulos honoríficos dados por rainhas), etc, são os de sempre e sempre serão os mesmos rostos pintados para mostrarem ao público o quanto eles são solidários com os pobres. Há alguma menção em seus discos com vendas superfaturadas (nas rádios, tvs e propaganda maciça) sobre despoluir o planeta ou como resolver o problema do superaquecimento global, ou mesmo como resolver a dívida dos países africanos?

Voltando a nossa pátria aqui, o escândalo do mensalão dentro do governo acaba por desestabilizar toda uma base. De rotina de corrupção a corrupção, o Brasil anda muito bem obrigado. Desde que José Dirceu – PT, o braço direito de Lula, deixou o governo sob acusações de promover mesadas pesadas a partir de denúncias feitas por Roberto Jefferson – PTB, Brasília torna-se novamente palco de shows de teatro, cantores e esconde-esconde. O publicitário Marcos Valério demonstrou ser amigo de Delúbio, avalista do PT, que acabou caindo nesta semana também e conjeturou ter se encontrado com Dirceu antes do escândalo. Atacou veementemente a ex-secretária, que afirma ter recebido dinheiro da revista Isto É e jogou mais lenha na fogueira ao não poder explicar sobre a veracidade de seu discurso, quando havia confirmado que os saques no Banco Rural foram feitos em dinheiro. Agora será a vez de Genoíno? E a Globo, que junto com a Bandeirantes supostamente conseguiu uma parte no bolo, posto Dirceu no paredão e suprimido informações vitais sobre o mensalão? Esta informação procede de dentro do BNDES, fato de que a emissora pediu ajuda financeira para liquidar sua dívida na construção do PROJAC. Enquanto isso, Roberto Jefferson dança e canta no Jô em plena demonstração de estar levando tudo na melhor fase, em abordar assuntos durante 15 minutos sobre sua acomodação em privadas…. mensalão e privada: talvez neste caso sejam correlatas mesmo. Laranjas e laranjas, tudo vira uma salada de frutas nos bastidores. Mas tudo também pode acabar em pizza comumente.

artigo publicado no www.sarcastico.com.br

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Publicado em maio 1, 2009, em Ruminantes da República. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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