Salvação no Abismo

A mercadoria mais barata do mundo é a humana, segundo estatísticas da própria ONU – Organização das Nações Unidas. Além dos horrendos números dados por tal “iminente” instituição, o mundo assiste estarrecido à uma “nova moda” que ganha adeptos até pela Internet.

O tráfico de crianças em todo o mundo soma-se à globalização da violência em uma amplitude proporcional à sua realidade. Estima-se que cerca de 200 milhões de escravos ou mais fazem parte da rotina de empresas quel usufruem de livre comércio deste esporte novo, mas tão antigo e bárbaro quanto a segregação.

É absolutamente inútil a teatralização dos órgãos que seriam responsáveis por este tipo de crime, os quais negligenciam verdadeiras e indiscutíveis atividades que poderiam combater a máfia de atos predatórios contra a natureza humana. Verdadeira nação de correntes é o que se pode chamar este episódio que se repete a todo instante na história. Desde os primórdios da conquista humana pela posse de terra, acalentada pela ambição sem controle pelos interesses alheios, a escravidão sempre fez parte das páginas negras de todos os povos, mesmo naqueles que mais se autoproclamavam “nações livres”, “democráticas” e “cristãs”.

Outro dado importante nisso tudo é a participação abominável da própria Instituição Família nesta violação de direitos inalienáveis ao ser humano, na venda de seus filhos ou parentes, simplesmente como uma espécie de mercadoria. A este mercado humano, não há restrições quanto à sua produção, ou melhor, prole: quanto mais filhos fizer, maior será o lucro. Apesar de toda a extensa e pretensiosa falácia de (des)organizações não-governamentais, multinacionais com certeza sairão lucrando, de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente, com essa prática.

Qual é o papel do Estado, da Igreja, da sociedade civil como um todo, afinal? Ao dar as costas para este assunto, dão consentimento conivente para a inaplicabilidade da lei e assim, margem a novos crimes de origens diversas. A total erradicação da escravidão deve ser feita, antes de qualquer coisa, na hipocrisia da comunidade social e na demagogia política, suportes para o nascimento da corrupção. Enquanto a UNICEF nos fornece dados superficiais sobre o número de crianças em estado de subnutrição, o tema da escravidão geralmente é utilizado para outras pautas, como a importância de missionários na educação infanto-juvenil. A UNICEF dispõe de não menos que 2 mil funcionários através de uma rede bem articulada em todos os países que compõem o diretório das Nações Unidas, sem contar com as multinacionais que abrigam em seus devidos países, subgerências de forma a “aumentar a contribuição” para a humanitária instituição.

Se o salário destes misericordiosos funcionários não é o suficiente para subsidiar tamanha pesquisa e levantamento de dados verídicos sobre pessoas com correntes, não é menos duvidoso que se comprometam a licitar terceiros que operam clandestinamente sem legitimidade jurídica e com certeza duvidosa.

Esta prática, tão comum na antiguidade, ainda mantém o alicerce básico da prostituição, através do comércio de garotas, narcotráfico, seqüestro, e etc. A verdade é que atualmente existem, em proporção, um número de escravos muito maior do que em qualquer época talvez antes registrada. Que fator é dominante para a negligência dos poderosos, que utilizam a ótica da amenização de informações para a sociedade, em razão ao patrocínio explícito deste tipo de crime a países do terceiro mundo?

Todos sabemos, que numa viagem dos sonhos à Tailândia, paradisíaca à Arábia Saudita, desdenhosa a Israel, turística à Itália ou mesmo calorosa ao Brasil, encontraremos sem dificuldade pessoas vivendo e trabalhando baixo jugo.Talvez, de uma forma ou de outra, encontraremos a explicação e a responsabilidade sob nossos próprios olhos, ou abaixo do céu. Quem sabe, a salvação esteja mesmo no abismo da intolerância e da ignorância, da qual todos foram submergidos.

artigo publicado no www.sarcastico.com.br

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Publicado em maio 1, 2009, em Colunas - Venus Genetrix. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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