O Santo Cabresto I

Existe um dado que não está muito bem esclarecido entre os meios de comunicação alternativos, dos quais enaltecem sem razão o “livre arbítrio partidário”.

Desde as mais novas tendências que tem surgido com maior apelo religioso do que político, estamos novamente à mira de uma esquizofrenia social deliberada no meio político. Sob a bandeira da imunidade parlamentar, da caridade e da ação comunitária, o rebanho cristão cresce em proporções assombrosas dentro do Congresso Nacional. Este aumento considerável se deve ao fato exclusivamente do número crescente de igrejas no país, e conseqüentemente ao expressivo marco de votos para os candidatos da ala de deus. As estimativas não são menores ainda, contando com cerca de 15 milhões de eleitores, entre eles, da Igreja Universal, da Assembléia de Deus, Adventistas e muitas outras pequenas seitas cristãs.

O aumento na população de evangélicos é constante a cada ano, e isso significa um aumento nos votos dos pastores e bispos, vestidos de políticos. A mudança do altar para o palanque foi mera estratégia na batalha por rebanhos. Não cansados pela derrota da igreja católica, os protestantes modernos agora miram a todo custo arrebanhar não somente o pobre e singelo cidadão como também o poder. Numa visão mais global e histórica, vemos uma nova e antiga imagem da velha igreja, tendo como seu estandarte básico as leis e dogmas que regem a sociedade e cultura como um todo, assim como seu direito de ir e vir, e pensar livremente.

A Nova Inquisição pode bater à porta a qualquer instante.
Dentre as mais ferozes e mais estabelecidas financeiramente, está a Igreja Universal do Reino de Deus, dirigida então pelo bispo Edir Macedo, residente em Miami.
A disputa entre as mesmas correntes de fé, tem atraído um número considerável de fiéis da igreja católica para as suas rivais, que até então era a maior na América. Poderíamos chamar de guerra santa, porém os meios pelos quais estão constituídas nossas leis partidárias, não exercem veto algum à opção de transformar um partido político numa obra de deus. Mesmo que pareçam sob pele de ovelha, os líderes políticos têm (principalmente na época de eleitorado) realizado a primeira ação, que é a de promover o bom agrado dos pastores perante um número sem fim de fiéis, contando que com essa “santa aprovação”, suas bênçãos eleitorais tenham semeado bons frutos.

Na prática, os dois milhões de fiéis que a Igreja Universal conta no Brasil, 22 deputados federais foram eleitos em vantagem contra sua grande rival e maior igreja protestante no país: a Assembléia de Deus. Segundo um pastor evangélico da Convenção Geral das Assembléias de Deus, que reúne cerca de nove milhões de fiéis, Ronaldo Fonseca, “o fiel não está submetido à lavagem cerebral, o evangélico não é uma massa de manobra, mas tem afinidade com seu líder espiritual e ouve o que o pastor diz”.

É a mão divina tocando o coração do fiel, para empurrar o voto na urna, mesmo se for sob cabresto.
artigo publicado no www.sarcastico.com.br

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Sobre pmizraji

Caput necandus est. Cadaver acqua forti dissolvendum nec alicquid retinendum. Tace ut potes.

Publicado em maio 1, 2009, em Ruminantes da República. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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