O Risco-Fraldão

Será que vale a pena mesmo pensar sobre estas coisas? Se, afinal de contas, já sabemos o que vai dar no fim mesmo…

Mas mesmo assim, não podemos deixar de nos colocar como expectadores meros e críticos que somos, em função de toda a mídia e informações manipuladas, convergidas a bel-prazer das conveniências. Será que quantos mensalões, mesadões e dizimões serão ainda tema para calarem a boca de certos homens de lei? Está mesmo focada toda a discussão e a atenção nos holofotes no Planalto, mas se esquecem daqueles que fazem realmente o jogo sujo. Nos bastidores de toda essa sujeirada, aparecem setores do jornalismo, de prestadores de serviços, empresários e até religiosos. Poupem-nos dos detalhes sórdidos…

Tantos meninões e marmanjões brincando de esconde-esconde e de quem pegou a mala ou se guardou no fraldão sabem que tudo isso se baseia no bom e convencional achômetro – e é este instrumento que é infalível para suas defesas na CPI.

O dizimão que o bispo Edir Macedo, por exemplo, carregou também nas cuecas (?) também foi algo de miraculoso, visto sua singular importância – R$ 10 milhões em vivo, que o deputado do PFL de SP, Dr. João Batista Ramos carregava em Sete Malas pelos jatinhos de costume. Até o número é sagrado. E o Bóris Casoy? Que no seu habitat, será que admitiu que “isso é uma vergonha” ou se plantou nesse mato que só sai grana lavada? Tão contundente em seus ataques à corrupção que antes quase fazia um papel de dramaturgia, hoje veste sereno a camiseta do partido da ala de deus. Ali Babá e os quarenta ladrões estão ao vivo na tv.

Mas é tudo muito complicado mesmo quando só vemos pelo lado externo. E bem sabemos que nas internas, nos locais onde se aglomeram colarinhos brancos para cochicharem, com muito custo, será noticiado algo mais importante. Também pudera, até o próprio relator da CPI, Sr. Ibrahim Abi-Ackel PP-MG (por favor, não confundir com Abin!) admitiu ter recebido a soma de R$ 150 mil das mãos de Marcos Valério (via SMP&B) para financiar a campanha eleitoral em 1998. Nós somos tão ingênuos ou realmente este país é o autêntico lar dos caras-de-pau. Quem é a autoridade que dita a sentença senão a Justiça? Pois é aqui que se decorre um grave problema: a sentença é válida sob o julgamento político e não jurídico.

Ou seja, este sistema de administração política, neste estado em que se encontra, é absolutamente incontrolável e não há mais vacina para curar este câncer. Toda CPI se transformará em dramáticos mecanismos de absorção de doenças, como um placebo.Todos os partidos parecem que entraram de vez no turbilhão de seus próprios anseios e estão usando seu cadafalso que fora construído para os inimigos. Mas se o poder confere naturalmente inimigos, contra o que se pode detê-los, ao estar a própria bandeira inimiga no cerne de todo o poder? É na balbúrdia, como no Congresso Nacional, que observamos o pleno exercício do poder numa vista pelo auditório, o desrespeito e a falta de decoro com que estes homens da lei sabem muito fazer – em verdade, em verdade vos digo: não fazem nada.

A ganância é tanta que beira à loucura. Nos modernos padrões de consumo, a maioria que tem renda muito superior ao restante da população sempre se faz presente de seus orgulhosos cartões de crédito, cheques especiais dourados, etc. Em tempos de corrupção à tona, nem se fazem luxo de demonstrarem menos picaretagem, se aparecendo com malas grandes cheias de dinheiro, como se quisessem mesmo admitir sua explícita cara-de-pau para com o povo. Foi assim que o PT e o PSDB chegaram ao poder, graças a milhares de malas premiadas em todo o Brasil, desde as pequenas assembléias legislativas, câmaras municipais até o Congresso Nacional.

Os mensalinhos são a espinha da estrutura política que foi formada no país. Todos ganham e continuarão a ganhar, basta apenas cada deputado renunciar temporariamente seu mandato para logo esquecerem das denúncias e saírem de cena durante o tumulto. Se Roberto Jefferson PTB-RJ (o exibicionista inerente) tem professora de canto a sua disposição e se articula bem como o coringa, do tipo, “vou para o inferno, porém te levarei comigo”, hoje pode se intitular como o inventor do termo “mensalão”, que já entrou para o dicionário de política. É capaz ainda, de se converter (que deus não queira) como um herói nacional ao denunciar e enfrentar o todo-poderoso da casa civil José Dirceu (PT-SP). Entre os rumos da história política na representação das classes e suas conseqüências ideológicas, aqui apresentamos os conceitos do cidadão e seus meios pedagógicos de aprender política por seu sistema corrupto:

Apolítico – não vê lógica nem vantagem alguma em querer pertencer a este teatro; prefere o anonimato, mas segundo o 3° porquinho das Sociais, Max Weber, muito coerentemente auto-definiu a máxima: “Neutro, é quem já se decidiu pelo mais forte…”
Antipolítico – não contente com qualquer partido, vai para o ataque e quer promover a discórdia generalizada;
Político (partidário) – amigo do ventilador, ele se usa da merda sempre que necessário; se for o caso, não tem problema se perder o mandato porque sabe que pode se reeleger novamente.
Pró-político – somente surge quando as malas estão em fase de serem capturadas; ele defende com unhas e dentes seu papel de corrupto.

Por favor, não confunda mensalão com mesada, pois uma é mais antiga do que a outra embora saiam do mesmo bolso. Saiba a diferença. A verdade está nos gestos e nos olhares.

Mesada: Quantia que se dá em cada mês, mensalidade.
Mensalão: Quantia proporcional à importância da ação, propina avaliada sem freqüência mensal e sem parâmetros de valores estimados.

E como dizia o cara do PL, recebendo o Mensalão: “COM O MEU PASSADO, ACEITO
QUALQUER PRESENTE”.

artigo publicado no www.sarcastico.com.br

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Sobre pmizraji

Caput necandus est. Cadaver acqua forti dissolvendum nec alicquid retinendum. Tace ut potes.

Publicado em maio 1, 2009, em Colunas - Venus Genetrix. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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