Novas Colônias, Antigos Negócios – Parte Dois – Colunas – Venus Genetrix

Florianópolis/SC, 20 de Junho de 2007

As primeiras desfigurações impotentes de todo processo de construção individual

Efeitos globalizantes foram ditos e por uma série de vezes repetidos no primeiro artigo. Mas além das discussões sobre as características globalizantes como a naturalização da homogeneidade, agora posso expor as primeiras desfigurações impotentes de todo processo de construção individual.

As principais características da globalização neste novo contexto, são a hegemonia política através da cultura e, posteriormente, da comunicação. Os centros urbanos recebem direta influência dessa malha extensa. Uma colcha originalmente de retalhos que torna-se com o tempo cada vez mais uniforme, sendo esta palavra muito bem aplicada aos sistemas geopolíticos atuais. Esta teia de elementos ultra-organizados corresponde à idéia similar do fractal. O sistema vigente opera inversamente ao conceito tradicional àquele de cima para baixo, ou seja, reverte seus padrões e estruturas, desmoronando-as. A nova organização neo-capitalista é uma realidade fractal.

A acumulação do capital descentralizada fortalece o novo modelo econômico por uma gestão fictícia, num passo rumo ao modelo econômico totalitário, porém corporativo. Os blocos geopolíticos acentuam radicalmente as suas revoluções tecnológicas para adaptarem-se ao novo mundo. Macro-homogeneização através de todas as partes econômicas regionais, englobando e deglutinando tecnologia, cultura e comunicação. Essa é a nova “massa” que definitivamente se chamará “universo”.

A universalização dos meios de produção e informação é o auge da possibilidade de domínio privado. Por isso, sem a informação e sem os meios pelos quais ela se reproduz aceleradamente, não há como obter o sucesso do fenômeno titânico. A globalização somente existe graças aos meios de comunicação e é por eles que os mecanismos alternativos de controle de massa começam lentamente a desabrocharem e encontrarem terreno fértil dentro da “Matrix”.

A internet, por exemplo, meio criado nos remotos da Guerra Fria sob o nome de ArphaNet, servia para manter a comunicação de bases militares dos Estados Unidos contra possíveis ataques nucleares. Hoje, a internet se torna a rede mais importante na luta da democratização da informação e contra-informação, popularmente chamada de censura.

Com o fenômeno da antiglobalização, surgem novos painéis anti-nacionalistas. O internacionalismo é uma bandeira um pouco antiga, mas não necessariamente uma “doutrina” que pretende exterminar com o nacionalismo, e sim, uma reiteração conjuntural exprimida por sérios objetivos ideológicos que vão exceder todos os limites históricos, geográficos e constitucionais das nações. Cosmopolitas, neo-humanistas, anarquistas, cooperativistas e certas correntes socialistas, entre outros da comunidade de cooperação global marcam os últimos conflitos sociais, chamados de Ação Direta, contra a globalização.

Desde 18 de junho de 1999 e 30 de novembro do mesmo ano, o mundo deixa de ser “mundo” para se tornar “planeta”. “Planeta” no sentido da totalidade do termo, abertura no processo democrático entre os povos do terceiro mundo, mega-bloqueios aos acordos comerciais, manifestações antimilitaristas, união das vias campesinas, amplos debates ecológicos, feministas e sindicalistas. Os Dias Globais de Ação contra o Sistema Capitalista, por exemplo, foram marcados a ferro no seio das instituições governamentais em todo o mundo. Organizados de forma totalmente descentralizada e horizontal pelos movimentos sociais, as históricas máquinas repressoras do Estado têm encontrado deveras dificuldades quanto ao sistema reacionário anti-popular.

A atualidade da análise de Eduard Said, creio que ainda confirma a idéia de que o imperialismo não acabou nem se tornara “passado” com os processos de descolonização e a desmontagem dos impérios clássicos. A situação política permanece a mesma, com seus braços articuladores, como pontes gigantescas entre o Hemisfério Norte cada vez mais rico e o Sul, mais pobre.

artigo publicado no www.sarcastico.com.br

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Publicado em maio 1, 2009, em Colunas - Venus Genetrix. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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