Dia de Consciência Negra

Florianópolis/SC, 20 de novembro de 2007

Um dia para pensar e re-pensar

Ao integrar a data que virou lei municipal (vide Lei 7304) da qual não quer dizer “feriado” ainda, muita coisa rolou desde então a sua criação. As atividades de celebração e discussão sobre a situação atual do negro no Brasil que acontecem neste dia que reivindica a herança afro-brasileira, na verdade já vêm ocorrendo com certa freqüência demonstrando a capacidade de mobilização e organização dos movimentos sociais como um todo e, principalmente, o movimento negro.
O Dia da Consciência Negra junto com a Semana de Cultura Negra trazem o suporte da reflexão para o debate sobre não-somente o preconceito, mas também temas atuais, como inserção laborial, cotas nas universidades, repressão policial, reconhecimento das etnias, História da África nos currículos escolares e tantos outros. Segundo dados do IBGE (2005), os afro-descendentes chegam a quase metade da população brasileira, sendo que entre a parcela de 1% dos mais ricos do país, 86% são brancos.
Além dos dados estatísticos, grande parcela das comunidades chamadas, zonas de risco, ainda permanecem no enclaustro e enquadramento de vulnerabilidade em relação à midia. Temos o recente fato ocorrido no mês passado quando o Jornal Nacional (Globo) veio em nota, repudiar os documentos que comprovam a autenticidade de quilombolas na Bahia, o que gerou uma onda de protestos desde o Norte até o Sul do país. Foram mobilizados primeiramente pelo CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas) e logo após a denúncia, grande parte dos movimentos sociais, sindicatos e terceiro setor se juntaram para construírem o Dia Nacional de Repúdio à Emissora Rede Globo de Televisão, com o seguinte slogan: “Globo, a gente não vê por aqui!”. Essa manifestação nacional teve como debate fundamental as concessões de rádios e TVs públicas no país, sendo que dentre estas, emissoras como a Rede Globo, Bandeirantes e Record já têm seus contratos vencidos.
Devido a esse papel em que a mídia corporativa se propõe a fazer, entre salvaguardar seus interesses puramente comerciais em relação ao “produto/papel” do negro e ao mesmo tempo “balançar o berço” como campanha de cidadania, emerge um outro significado para se refletir neste dia: as ações afirmativas contra o preconceito e o estímulo pelo debate devem ser encarados unicamente como via de resposta ao histórico da situação no negro ou realmente aguardar a boa vontade das políticas públicas e belas imagens da mídia para conscientizar a sociedade da qual ela mesma se antagoniza? Devemos reinventar a imagem de um personagem, um ícone como Zumbi dos Palmares, para enaltecer-nos de “solidariedade” temporária ou gerar consciência social sobre nossas ações e zelos?
Texto: Pablo Mizraji Foto: Arquivo Inst. Orun
artigo publicado no www.sarcastico.com.br
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Publicado em maio 1, 2009, em Cultura, Guerrilha Midiática. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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