Crise na saúde chama responsáveis

Florianópolis, 23 de outubro de 2007

O primeiro debate sobre a crise na saúde pública em Santa Catarina com estudantes
Estudantes das 5ª e 6ª fases de jornalismo da UNISUL, professores docentes da UFSC atuantes na área, diretores das secretarias estaduais e sindicatos, além da imprensa alternativa, estiveram presentes e tiveram sua importância nesta segunda-feira, 22 de outubro. Por organização e idealização da professora e jornalista Raquel Wandelli, as questões sobre a saúde pública foram apresentadas em forma de pesquisa científica com o intuito de problematizar e reportar o comprometimento das esferas públicas e acadêmicas no assunto.
A contribuição para este fim de interatividade multidisciplinar, faz parte do projeto desenvolvido pela professora Raquel, o jornal-laboratório Fato & Versão juntamente com o coletivo SARCÁSTiCO, presente na mesa.
O debate foi seguido de entrevista coletiva, com os representantes de várias categorias da área da saúde, entre eles Jânio Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores dos Estabelecimentos de Saúde, presidente do Sindicato dos Médicos, Sérgio Porto Freitas, Dr. em Saúde Pública, representando o reitor da UFSC, Lúcio Botelho e Flávio Magajesvki, Diretor de Educação Permanente da Secretaria do Estado de Santa Catarina.
Dos discursos apresentados pelos representantes no debate, significativamente deram parecer favorável ao atual plano gestor de políticas públicas na área da saúde, inclusive parafraseando diversos exemplos de administrações como os Estados Unidos. Ao defender e autodeterminar suas proposições homogeinizadas e uníssonas, o rumo das perguntas com teores de insatisfação dos estudantes foram respondidas de forma a refutar quaisquer indícios de irregularidades.
A idéia do projeto de cobertura sobre a crise hospitalar na Grande Florianópolis com os alunos vem de parceria com a problemática da falta de informação qualitativa da parte da imprensa corporativa. A massificação dos meios de comunicação por se tratarem de esferas centralizadoras da informação, acabam tendo abordagens reducionistas dos problemas sociais.
Segundo Magajevski, é normal ter que sair de sua cidade para buscar atendimento num hospital, sendo que as unidades de atendimento poderiam estar mais capacitados para diversos tipos de emergência. Isto faz com que, por exemplo, as filas nas emergências hospitalares acabem se tornando naturalizadas, inSUStentáveis. Os casos graves que necessitam de atendimentos de urgência muitas vezes não são contemplados. Este pequeno quadro é um indicador da estrutura inteira no país, onde hospitais da rede pública estão sofrendo em certos casos, de sucateamento administrativo. Pela justificativa do argumento que põe em evidência o Sistema Único de Saúde como “único” e “indiscutível”, está o próprio crescimento demográfico das cidades emergentes nos últimos 20 anos, caso de Florianópolis, que na última década não foi monitorado e nem acompanhado de uma ampliação no sistema de atendimento hospitalar. Dentro as problematizações que ainda podem ser levantadas pela pesquisa estão: privatização do atendimento pelos convênios, as deficiências dos postos de saúde como fator impulsionador da crise, reflexos da crise nas maternidades, as causas da crise e o que o poder público está fazendo para resolver o problema, entre outras.
Todavia, a falta de saneamento básico que ocupa o ranking sinistro de 85%, transporte público com uma das tarifas mais altas do país, comprometem sem dúvida alguma para o perfil da cidade nota 10 em qualidade de vida. O Hospital Universitário, por exemplo, o único federal no estado, possui infra-estrutura e equipamentos 90% parados, devido à falta de pessoal técnico qualificado, sem contar os 450 profissionais de atendimento. A crise na saúde pode piorar de vez se não forem tomadas providências cabíveis quanto a uma definição contextualizada sobre a utilidade de serviço público de qualidade e gratuito
Texto: Pablo Mizraji Foto: Creative Commons
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Publicado em maio 1, 2009, em Guerrilha Midiática. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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