Carta Aberta à liberação dos presos políticos no DF

Rio-Fpolis, 17 de outubro de 2007

Logo após a operação de tentativa de queima de arquivo articulada pelas autoridades da capital federal na última semana, já os presos que foram mantidos em cárcere serão devidamente liberados após pressão dos movimentos sociais e entidades representantes dos direitos humanos ali presentes. Ao escrever esta nota introdutória, sete ativistas brasileiros que foram mantidos presos em violenta batida policial na ocupação Casa das Pombas, em Brasília (DF), já foram liberados. Segue abaixo a Carta Aberta de declaração de solidariedade a estes ativistas brasileiros e estrangeiros.

Urge a liberação das sete mulheres e três rapazes pres@s indevidamente no Distrito Federal no dia 10 de outubro, sem acusação substancial e, sordidamente, sem direito a habeas corpos. Movimentos políticos que buscam vitalizar os espaços urbanos inutilizados, abandonados, sujos e sem dono(endividados), atribuindo-lhes uma função social, que talvez nunca tenham experimentado, são agora acusados de um tipo novo de crime: do tipo não previsto em lei. Tanto é assim, que a polícia levou muito mais tempo para entrar em acordo sobre qual era a acusação, do que para retirar dez jovens desarmados do prédio de três andares na W3 Sul, área comercial de Brasília.
Após buscar, em vão, pretextos para acusá-los de tráfico de drogas, roubo de luz e água (cujas contas foram finalmente pagas), e até de prostituição, inventaram que noss@s companheir@s deviam ser pres@s por formação de quadrilha, especializada na ocupação de prédios abandonados. A criminalização das questões políticas e sociais põe em evidência a mentira do discurso liberal de que vivemos em um país democrático, mas que, na verdade, carrega consigo mais de 500 anos de escravidão. E é na subserviência da força policial que vemos a perfeita reprodução dos capitães do mato de tempos atrás, porque para eles não é preciso lei, basta saber quem manda.
A Casa das Pombas, como foi batizada esta ocupação cultural e social, floresceu no Distrito Federal no dia 07 de setembro do corrente ano. Começou então a ser limpa, pintada, reunindo grande número de pessoas, grupos políticos e sociais de tendências autônomas, libertárias e anarquistas. @s jovens que ocuparam aquele espaço entulhado, sujo, já podiam nele residir e sonhar com todas as atividades que poderiam beneficiar a cidade e seus moradores. Eram inúmeras as idéias, e muita disposição; não havia barreiras para não realizá-las.
A imprensa burguesa, entretanto, conseguiu ser ainda mais cara-de-pau que a própria polícia; quis dar a entender para grande número de telespectadores que @s jovens praticavam todo tipo de ação indevida. Apesar da tímida cautela nas declarações policiais à imprensa, os jornalistas ficaram logo excitados na divulgação das acusações mais esdrúxulas, fantasiosas e sensacionalistas, demonstrando que o jornalismo brasileiro, comprometido com politicagens e interesses econômicos, está na ponta em matéria de fabricar mentiras, podendo concorrer, neste quesito, a prêmios internacionais entre os grandes finalistas.
A Casa das Pombas não acabou, e a prisão de noss@s companheir@s tocou fundo na nossa indignação. De cada companheir@ pres@ haverá dez mais amanhã, na luta e nas ruas, e depois mais cem, e assim um dia, seremos muitos e muitas, e não vai haver lugar nem para mentiras, nem para mentirosos!!
Texto: FARJ & Editores Foto: Latuff
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Publicado em maio 1, 2009, em Anarquismo Social. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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