138 Anos do Nascimento de Emma Goldman – Colunas – Venus Genetrix

A criadora da revista anarquista Mother Earth (Mãe Terra) nascia em 27 de Junho de 1869
Mulheres… que tomam consciência de seus direitos todos os dias, com suas reinvidicações e lutas pelas longas jornadas de trabalho, radicais a cada centímetro conquistado. Certamente mais pertinentes ao que no século passado foi chamado de anarco-feminismo. Arrancou do patriarcado e do capital o seu direito de voz e emancipação, na construção pela dignidade autônoma em todos os aspectos sociais. Todas as mulheres, desde feministas, anti-capitalistas, guerreiras donas-de-casa a profissionais autônomas são identificadas como herdeiras de uma corrente muito anterior à revolução dos sutiãs e mini-saias das décadas de 40 e 50.
O mês de março para as mulheres como para todos os homens igualmente, significa historicamente a resistência heróica do movimento operário.
Quando no auge da contra-revolução e do sistema reacionário, operárias que reinvidicavam melhores condições de trabalho e horas diárias, foram queimadas quando se organizavam para conscientizar as massas de trabalhadores.
Mulheres como Maria Lacerda de Moura, Emma Goldman, Wollstonecraft e Louise Michel ajudaram a fundar a primeira Federação Internacional Feminina nos meados de 1920, dando à causa operária mais lenha para o fogo. Importâncias fundamentais como direitos da criança e da mulher, qualidade da educação, inclusão de cursos superiores como Pedagogia, Pediatria, Assistência Social e Higiene, debates políticos sobre trabalho doméstico e industrial, infância delinqüente, investigação à paternidade, direitos civis e políticos, tráfico humano, casamento-divórcio, salário, eugenia e proteção aos animais foram defendidos até a morte por estas mulheres.
Emma Goldman, a criadora da revista anarquista Mother Earth (Mãe Terra), nascia neste 27 de Junho de 1869. Emma Goldman ficou conhecida pelos seus textos e discursos feministas, além das suas críticas ácidas à Revolução Russa de 1917. Emigrou para os Estados Unidos com 17 anos em 1886, onde é expulsa em 1919 em razão da sua intensa atividade política. Participou da Guerra Civil Espanhola onde teve ampla cooperação de vários anarquistas na época. Vem a falecer no Canadá. Um dos fatos mais marcantes na história de Emma foi sua presença durante o enforcamento de quatro anarquistas depois da Revolta de Haymarket. Isso levou Emma diretamente à militância e com vinte anos ela se tornaria uma referência.
Em um dos trechos de Mother Earth, ela escreve: “A história nos diz que foi por seus esforços que em toda época os oprimidos realmente libertaram-se de seus senhores. É absolutamente necessário que a mulher guarde essa lição: que sua liberdade ampliar-se-á até onde se ampliar seu poder de libertar a si mesma.” E na Epopéia de uma Anarquista: “Para mim, o anarquismo não era uma teoria aplicável em um futuro distante, mas um trabalho cotidiano para libertar-se de suas inibições, as nossas e as alheias, e abolir as barreiras que separavam artificialmente as pessoas.”
A própria palavra “feminismo”, foi largamente distorcida e corrompida ao longo do tempo, seja pelos elementos repressores na figura do Estado-Patrão ou na figura santa do Pai-Sacerdote. Isto já desde o germe bíblico no papel de Adão e Eva, Zípora e Moisés, Sara e Abraão, Raquel e Jacó. Aliás, alguém sabe da história “heróica” destas sombras de mulheres? Certamente que não, pois podemos ter inumeráveis relatos sobre a vida destes patriarcas e nenhum destas pobres mulheres, em séculos de opressão e sujeição.
“As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja.” (I Corintios 14:35-36) Ou: “Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo. Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo a seus maridos.” (Efésios 5:22-24) Mais: “Para que elas [mulheres idosas] ensinem as mulheres novas a amarem aos seus maridos e filhos, a serem moderadas, castas, operosas donas de casa, bondosas, submissas a seus maridos, para que a palavra de Deus não seja blasfemada.” (Tito 2:4-5) E para todos os gostos, temos para aqueles que gostam de refutar um ou outro, estas citações tanto encontram-se no Antigo como no Velho Testamento, como no próprio Gênesis: ”Deus disse à mulher: ‘Multiplicarei grandemente os teus sofrimentos e a tua gravidez; darás à luz teus filhos entre dores; contudo, sentir-te-ás atraída para o teu marido, e ele te dominará”’.Gênesis 3:16
Hoje, a palavra “feminismo” infelizmente ainda resvala para o deboche e a vulgarização do modelo feminino. A supra-exibição de sexismo à imagem de consumo são tidas como pequenas “vitórias” do feminismo, e há quem defende isso em teses! Enquanto se brinca de quebrar barreiras, mesmo que sejam as atléticas, a problemática da emancipação continua existente e muito cruel para a vida de todas as mulheres. Na TV você olha para aqueles belos comerciais, onde vê lindas mulheres com caríssimas jóias e apetrechos estéticos mui relevantes, porém altamente demagogos. A mulher e a família que assiste esse mesmo comercial vive uma realidade totalmente diferente.
Só este ano, pesquisas constatam que em cada 100 mulheres brasileiras 15 vivem ou já viveram algum tipo de violência doméstica, segundo o Relatório Analítico da Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública de 2007. Sendo que a situação mais grave se encontra na Região Norte, onde 1 em cada 5 mulheres afirmaram que já foram vítimas de violência. Elas são sim duplamente mais esforçadas e por isso, exploradas, pois além de assumirem do berço a pré-condição de donas-de-casa, são obrigadas a trabalhar fora para contribuir na renda dentro de casa. Em todos os casos, sem benefício.
A história de luta feminina é uma história de saídas e desencontros, pois em muitos aspectos se obtém pequenas conquistas suadas, em outros, são simplesmente perdidos seus direitos. Mulheres negras, sem-terra, desempregadas e subempregadas (a maioria), deficientes, fazem parte da verdadeira realidade brasileira. E são mulheres como Matilde Magrassi, Isabel Cerruti, Antonia Soares, Maria Angelina Soares, Maria de Oliveira, Tibi e Miriam Moreira Leite que, aderindo à causa anarquista em meados dos anos 20, trouxeram novas críticas e acabaram fundamentando sérias organizações trabalhistas femininas. São as mesmas no seio de diversas sociedades libertárias como em Chiapas, onde vemos índias erguerem armas junto ao EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional) contra o neoliberalismo a favor de sua autonomia. Esta resistência é ativa e permanente, apesar de viverem ainda em “clandestinidade” já têm reconhecimento de sua luta por todos os povos oprimidos.
Neste conceito, é impossível falar de movimento zapatista e luta armada dos Índios de Chiapas sem falar da luta das mulheres, assim como as atividades das ativistas da organização de Cabul RAWA (Associação Revolucionária da Mulher Afegã – a qual pessoalmente já enviei alguns artigos), que sofrem torturas e são perseguidas há 10 anos desde a criação do órgão. Elas trabalham com a assistência de famílias de perseguidos pelo antigo Taliban ou Jehadis.
Mas ainda muitas destas famílias têm membros presos no Afeganistão.
Em março deste ano, comemorou-se os 101 do lançamento de Mother Earth.
> Mais informações sobre Emma Goldman e suas obras:
www.sunsite.berkeley.edu/Goldman/www.pt.wikipedia.org/wiki/Emma_Goldman
O Significado Social do Teatro Moderno (1914)
Mother Earth (1906 – 1917)
Minha Desilusão na Rússia (1923)
Minha Nova Desilusão na Rússia (1924)
Vivendo Minha Vida (1931) – Autobiografia
Outras fontes:
artigo publicado no www.sarcastico.com.br
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Publicado em maio 1, 2009, em Artigos - Biografias. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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