Arquivo mensal: abril 2009

Escola de Educação Básica Celso Ramos em Florianópolis também pede socorro


Assim começa o drama de mais uma escola de risco que encerrou temporariamente suas atividades por quase duas semanas em Florianópolis. A Escola de ensino médio e fundamental, que fica atrás da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, sofre com a violência dentro de suas estruturas, física e administrativas. Parece haver uma “força maligna” por trás de todos os rompimentos de trégua entre aqueles que estão ligados ao tráfico, a administração, o Estado e a polícia. Por um lado temos uma diretora que é agredida por uma mãe de aluna enquanto o único segurança da escola ainda tentava barrar a entrada de suspeitos com armas. De outro lado, a Secretaria Estadual dá literalmente as costas para o problema que vem se arrastando há anos.

Na situação presente, qualquer faísca pode acender em poucos segundos numa grande explosão. Do olhar de fora, o problema da escola parece cair na mesmice, porém quando observamos com mais critério, percebemos que nitidamente o tecido social ali presente mostra seus sinais de estragos anteriores. Antes, devemos compreender a crise em que se configura nas escolas e não somente nelas. A instituição social como um todo, tem seu papel neste processo e não está isenta de culpa. A nova emergência da indústria da educação pela produção molda os parâmetros ideais para que as relações de trabalho sejam cada vez mais complexas.

O Estado atual é o agente político que detém o poder e a responsabilidade sobre todo o sistema educacional público. Mas quando acontece desses referidos sistemas estarem corroídos em suas bases materiais ele deixa imediatamente de cumprir seu papel. Em termos gerais, as escolas de ensino público que são consideradas de risco, ou seja, seus frequentadores são oriundos de comunidades carentes, em sua maioria, são estigmatizados pela exclusão social, atendem para uma maior necessidade de conversão desse papel. Por motivações políticas ocultas, os interesses sobressaem ao sistema fazendo que toda a maquinaria termine de forma violenta.

A violência de Estado, no caso, é tão mais cruel do que aquela vista no cotidiano. Por isso que o buraco se vê mais embaixo. Graças a isso, vemos uma alienação sem limites quando nos deparamos com profissionais da área com medo de expressarem suas indignações. O medo da represália de Estado é também no mesmo patamar da violência bruta. Entre a cruz e a espada, os interesses começam a gritar mais alto.Aquilo que não é divulgado nas outras midias, com medo que o Estado tem de ser castigado e cobrado pela sociedade, em contrapartida são divulgados fatos risíveis que tornam a imagem da escola, do professor e da comunidade, principalmente, como um eterno pivô do problema.

É neste ponto em que devemos nos posicionar. Assim, temos uma escola refém do Estado e da violência do tráfico, sem mãos para agir. São os mesmos que refutaram a idéia de realizar uma grande manifestação pública no centro da cidade para jogar no ventilador o que está acontecendo com o ensino. Mesmo sendo a escola uma reprodução do sistema que é hierarquizante, onde a divisão do trabalho é feita também em muitos casos, de indicação e não democrático, o papel de agente social transformador que a escola tem é indiscutível. O menino vapor ou gerente-de-boca que estuda na sala de aula tem sérias chances de ter a escolha de sair por opção consciente do tráfico. Ele estará ocupado. Ao fecharmos as escolas e darmos as costas, culpando simplesmente os profissionais da educação por isso, fazemos com que se criem novas fendas para a exclusão e marginalidade social.

Acesse o link http://www.sarcastico.com.br/materia.php?id=965 Segunda matéria da série Crise na Educação em Santa Catarina Texto: Pablo Mizraji Foto: Pablo Mizraji Florianópolis/SC, 14 de Março de 2008.

http://curriculoeformacaodocente.blogspot.com/2009/04/escola-de-educacao-basica-celso-ramos.html
Blog do Jéferson Dantas
Florianópolis, Santa Catarina, Brazil