Arquivo da categoria: Artigos – Biografias

Lançamento do livro “ALÉM DE PARTIDOS E SINDICATOS: Organização Política em Anton Pannekoek” de José Carlos Mendonça

Convite

Editado pela Achiamé, intitulado ALÉM DE PARTIDOS E SINDICATOS: Organização Política em Anton Pannekoek.
Apresentado por Taiguara Oliveira (prefácio) e Iraldo Matias (orelha), eis um extrato de seu conteúdo retirado da quarta capa:

“Além de Partidos e Sindicatos vem em boa hora já que, no Brasil, assistimos ao desfecho – prolongado e agonizante – de um ciclo histórico bastante análogo. Muitos autores e militantes socialistas que tiveram a oportunidade de acompanhar o momento de fundação do Partido dos Trabalhadores, o PT, e da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, no início dos anos 80, testemunham que, desde os primeiros passos, a evolução destas duas entidades era a resultante de uma aferrada disputa interna entre, pelo menos, dois projetos completamente antagônicos. De um lado, uma compreensão de organização política fortemente enraizada em núcleos de base combativos (comissões de fábrica, pastorais da terra, comunidades eclesiásticas de base, associações comunitárias, etc.) e animada pela certeza de que o mais importante de toda a construção seria fomentar o surgimento de mais organizações populares e impulsioná-las para a luta política independente. De outro, uma concepção de organização baseada no aprofundamento das diferenças entre massas e dirigentes, com fortes inclinações ao fisiologismo estatal e abertamente reformista. Logo nos primeiros anos da década de 1990, porém, já eram dados os sinais de que esta segunda tendência se tornara incontornavelmente hegemônica.
A partir da apresentação das teses políticas do militante e pensador holandês Anton Pannekoek (1873-1960), tido como um dos dos maiores representantes da tendência conhecida por comunismo de conselhos, o estudo de José Carlos Mendonça nos demonstra que subjacente a esta tendência política estava a constatação de que tanto partidos quanto sindicatos já não eram mais capazes de responder às circunstâncias evoluídas sob a qual se travava a luta de classes. E não só, isto significava que estas instituições tradicionais de luta, sob o capitalismo avançado, tenderiam a se apresentar como verdadeiros obstáculos ao livre desenvolvimento do protagonismo operário. Dado que na história não existem fatos que não tenham sido, um dia, projetos em disputa, o nosso problema teórico consiste em identificar quais “espíritos de organização” estão hoje em conflito e, na prática, empurrar à vitória aquele que privilegia a construção de relações sociais solidárias e igualitárias e a formação de uma consciência política que decorra da própria atividade dos oprimidos.
Por tudo isso, refletir sobre os dilemas da organização política continua sendo o maior dos desafios colocados para a esquerda anticapitalista no Brasil e no mundo. Eis uma questão de nosso tempo que, sob vários aspectos, é amplamente abordada em Além de Partidos e Sindicatos.

A nova coluna do SARCÁSTiCO estréia com o pé direito

- Novembro de 2007

Glauco Mattoso marca a temporada como novo sarcástico

Sem meias palavras, sem meias intenções e literalmente… sem meias, é a estréia do nosso novo colunista sarcástico e não poderia ser diferente, irreverente e polêmico: Pedro José Ferreira da Silva, poeta, ficcionista, ensaísta e articulista em diversas mídias, sob o pseudônimo de Glauco Mattoso(paulistano de 1951), como trocadilho de “glaucomatoso” (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995), além de aludir a Gregório de Matos, de quem é herdeiro na sátira política e na crítica de costumes.

Ainda nos anos 70 participou, entre os chamados “poetas marginais”, da resistência cultural à ditadura militar, época em que, residindo temporariamente no Rio, editou o fanzine poético-panfletário Jornal do Brabil (trocadilho com o Jornal do Brasil e com o formato dobrável do folheto satírico) e começou a colaborar em diversos órgãos da imprensa alternativa, como Lampião (tablóide gay) e Pasquim (tablóide humorístico), além de periódicos literários como o Suplemento da Tribuna e as revistas Escrita, Inéditos e Ficção. Durante a década de 80 e o início dos 90 continuou militando no periodismo contracultural, desde a HQ (gibis Chiclete com Banana, Tralha, Mil Perigos) até a música (revistas Somtrês, Top Rock), além de colaborar na grande imprensa (crítica literária no Jornal da Tarde, ensaios na Status e na Around), e publicou vários volumes de poesia e prosa.

Com o advento da internet e da computação sonora, voltou, na virada do século, a produzir poesia escrita e textos virtuais, seja em livros, seja em seu sítio pessoal ou em diversas revistas eletrônicas (A Arte da Palavra, Blocos On-line, Fraude, Velotrol) e impressas (Caros Amigos, Outracoisa). Jamais deixou, entretanto, de explorar temas polêmicos, transgressivos ou politicamente incorretos (violência, repugnância, humilhação, discriminação) que lhe alimentam a reputação de “poeta maldito” e lhe inscrevem o nome na linhagem dos autores fesceninos e submundanos, como Bocage, Aretino, Apollinaire ou Genet.

Com esse brinde, é com o maior prazer ou desgosto para alguns, que temos não somente como admiradores deste autor maldito mas um romance de parceria do sarcasmo original.

à votre santé!

www.sarcastico.com.br

8 de anos de Seattle

Florianópolis/SC, 30 de novembro de 2007

O aniversário bastardo da história

E você? O que estava fazendo no dia 30 de novembro de 1999? Não se lembra? Engraçado… é comum vermos a mesma pergunta para aquele “inesquecível” 11 de setembro de 2001, aqui e ali, na mesa de bar, geralmente às risadas ou piadinhas enfadonhas, mas talvez outras datas, que não nos remetem importância, parece termos em operante o “deletar” da memória. Naquele 11 de setembro podemos inclusive nos lembrar de cada minuto, cronologicamente, relacionando e construindo nosso diário, imerso nas divagações de por quê, como e para quê daquela fatalidade.
E 30 de novembro? Outra fatalidade? Poderia ser no mesmo ano talvez: Gênova, Itália, julho de 2001, antes do atentado às Torres Gêmeas…
Seattle, novembro de 1999 e Gênova, julho de 2001 são ambas memoráveis do ponto de vista “alternativo” paralela à ação “terrorista” de Nova Iorque e Washington. Os três acontecimentos têm relação entre si, assim como muitos outros em escala infinitamente menor, porém, aquilo que costumamos acreditar ou nos forçar a crêr, graças a um meio de comunicação, por exemplo, será nossa opinião formulada e ponto. Além daquelas imagens, diga-se de passagem, show de imagens, de fogo e fumaça na TV, formavam um cenário fantástico de um espetáculo televisivo onde talvez, pela primeira vez, depois da Copa do Mundo e a Pegada do Homem na Lua, dera absurdos picos de audiência. Um uníssono “Ohhh! Que terror!” e continuávamos com nosso cafezinho com açucar. Não demorou muito para que aquele espetáculo visual se transformasse rapidamente num sentimento xenófobo e virulento, onde até tivemos sérios problemas com imigrantes aqui no Brasil. Só que um detalhe: a mesma “opinião pública” – geralmente gerada pela TV – não qualifica o mesmo tipo de violência quando os mariners ou tanques sionistas destróem vilas e matam centenas de iraquianos, palestinos e afegãos.
Em 1999, o movimento anti-capitalista levou à frente as manifestações da “Ação Global dos Povos” que promovia vários “Dias Globais de Ação contra o Sistema Capitalista” por todo o mundo com início em 18 de Junho de 1999 durante a cimeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) e 30 de Novembro de 1999 por ocasião da cimeira da Organização Mundial do Comércio (OMC). Seattle foi o palco que nesse dia ficou marcado “inesquecivelmente” para milhares de pessoas em todo o mundo. Esse fato, que atingiu proporções tamanhas, forçou a aliança das grandes corporações disfarçadas de nações na sua chegada e promovera a primeira vitória. O bloqueio de acesso ao WTO (World Trade Organization, ou Organização Mundial do Comércio) impediu a chegada dos vários “sócios” ao local da cimeira. Um dia que ficará na história pela força midiática da imprens alternativa e posteriormente às cenas de vilência policial que ficaram registradas. Surgido dessa linha está o primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre, em 2001.
Parabéns pelos 8 anos àqueles que não esqueceram do memóravel bloqueio.
à votre santé!
artigo publicado no www.sarcastico.com.br

138 Anos do Nascimento de Emma Goldman – Colunas – Venus Genetrix

A criadora da revista anarquista Mother Earth (Mãe Terra) nascia em 27 de Junho de 1869
Mulheres… que tomam consciência de seus direitos todos os dias, com suas reinvidicações e lutas pelas longas jornadas de trabalho, radicais a cada centímetro conquistado. Certamente mais pertinentes ao que no século passado foi chamado de anarco-feminismo. Arrancou do patriarcado e do capital o seu direito de voz e emancipação, na construção pela dignidade autônoma em todos os aspectos sociais. Todas as mulheres, desde feministas, anti-capitalistas, guerreiras donas-de-casa a profissionais autônomas são identificadas como herdeiras de uma corrente muito anterior à revolução dos sutiãs e mini-saias das décadas de 40 e 50.
O mês de março para as mulheres como para todos os homens igualmente, significa historicamente a resistência heróica do movimento operário.
Quando no auge da contra-revolução e do sistema reacionário, operárias que reinvidicavam melhores condições de trabalho e horas diárias, foram queimadas quando se organizavam para conscientizar as massas de trabalhadores.
Mulheres como Maria Lacerda de Moura, Emma Goldman, Wollstonecraft e Louise Michel ajudaram a fundar a primeira Federação Internacional Feminina nos meados de 1920, dando à causa operária mais lenha para o fogo. Importâncias fundamentais como direitos da criança e da mulher, qualidade da educação, inclusão de cursos superiores como Pedagogia, Pediatria, Assistência Social e Higiene, debates políticos sobre trabalho doméstico e industrial, infância delinqüente, investigação à paternidade, direitos civis e políticos, tráfico humano, casamento-divórcio, salário, eugenia e proteção aos animais foram defendidos até a morte por estas mulheres.
Emma Goldman, a criadora da revista anarquista Mother Earth (Mãe Terra), nascia neste 27 de Junho de 1869. Emma Goldman ficou conhecida pelos seus textos e discursos feministas, além das suas críticas ácidas à Revolução Russa de 1917. Emigrou para os Estados Unidos com 17 anos em 1886, onde é expulsa em 1919 em razão da sua intensa atividade política. Participou da Guerra Civil Espanhola onde teve ampla cooperação de vários anarquistas na época. Vem a falecer no Canadá. Um dos fatos mais marcantes na história de Emma foi sua presença durante o enforcamento de quatro anarquistas depois da Revolta de Haymarket. Isso levou Emma diretamente à militância e com vinte anos ela se tornaria uma referência.
Em um dos trechos de Mother Earth, ela escreve: “A história nos diz que foi por seus esforços que em toda época os oprimidos realmente libertaram-se de seus senhores. É absolutamente necessário que a mulher guarde essa lição: que sua liberdade ampliar-se-á até onde se ampliar seu poder de libertar a si mesma.” E na Epopéia de uma Anarquista: “Para mim, o anarquismo não era uma teoria aplicável em um futuro distante, mas um trabalho cotidiano para libertar-se de suas inibições, as nossas e as alheias, e abolir as barreiras que separavam artificialmente as pessoas.”
A própria palavra “feminismo”, foi largamente distorcida e corrompida ao longo do tempo, seja pelos elementos repressores na figura do Estado-Patrão ou na figura santa do Pai-Sacerdote. Isto já desde o germe bíblico no papel de Adão e Eva, Zípora e Moisés, Sara e Abraão, Raquel e Jacó. Aliás, alguém sabe da história “heróica” destas sombras de mulheres? Certamente que não, pois podemos ter inumeráveis relatos sobre a vida destes patriarcas e nenhum destas pobres mulheres, em séculos de opressão e sujeição.
“As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja.” (I Corintios 14:35-36) Ou: “Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo. Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo a seus maridos.” (Efésios 5:22-24) Mais: “Para que elas [mulheres idosas] ensinem as mulheres novas a amarem aos seus maridos e filhos, a serem moderadas, castas, operosas donas de casa, bondosas, submissas a seus maridos, para que a palavra de Deus não seja blasfemada.” (Tito 2:4-5) E para todos os gostos, temos para aqueles que gostam de refutar um ou outro, estas citações tanto encontram-se no Antigo como no Velho Testamento, como no próprio Gênesis: ”Deus disse à mulher: ‘Multiplicarei grandemente os teus sofrimentos e a tua gravidez; darás à luz teus filhos entre dores; contudo, sentir-te-ás atraída para o teu marido, e ele te dominará”’.Gênesis 3:16
Hoje, a palavra “feminismo” infelizmente ainda resvala para o deboche e a vulgarização do modelo feminino. A supra-exibição de sexismo à imagem de consumo são tidas como pequenas “vitórias” do feminismo, e há quem defende isso em teses! Enquanto se brinca de quebrar barreiras, mesmo que sejam as atléticas, a problemática da emancipação continua existente e muito cruel para a vida de todas as mulheres. Na TV você olha para aqueles belos comerciais, onde vê lindas mulheres com caríssimas jóias e apetrechos estéticos mui relevantes, porém altamente demagogos. A mulher e a família que assiste esse mesmo comercial vive uma realidade totalmente diferente.
Só este ano, pesquisas constatam que em cada 100 mulheres brasileiras 15 vivem ou já viveram algum tipo de violência doméstica, segundo o Relatório Analítico da Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública de 2007. Sendo que a situação mais grave se encontra na Região Norte, onde 1 em cada 5 mulheres afirmaram que já foram vítimas de violência. Elas são sim duplamente mais esforçadas e por isso, exploradas, pois além de assumirem do berço a pré-condição de donas-de-casa, são obrigadas a trabalhar fora para contribuir na renda dentro de casa. Em todos os casos, sem benefício.
A história de luta feminina é uma história de saídas e desencontros, pois em muitos aspectos se obtém pequenas conquistas suadas, em outros, são simplesmente perdidos seus direitos. Mulheres negras, sem-terra, desempregadas e subempregadas (a maioria), deficientes, fazem parte da verdadeira realidade brasileira. E são mulheres como Matilde Magrassi, Isabel Cerruti, Antonia Soares, Maria Angelina Soares, Maria de Oliveira, Tibi e Miriam Moreira Leite que, aderindo à causa anarquista em meados dos anos 20, trouxeram novas críticas e acabaram fundamentando sérias organizações trabalhistas femininas. São as mesmas no seio de diversas sociedades libertárias como em Chiapas, onde vemos índias erguerem armas junto ao EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional) contra o neoliberalismo a favor de sua autonomia. Esta resistência é ativa e permanente, apesar de viverem ainda em “clandestinidade” já têm reconhecimento de sua luta por todos os povos oprimidos.
Neste conceito, é impossível falar de movimento zapatista e luta armada dos Índios de Chiapas sem falar da luta das mulheres, assim como as atividades das ativistas da organização de Cabul RAWA (Associação Revolucionária da Mulher Afegã – a qual pessoalmente já enviei alguns artigos), que sofrem torturas e são perseguidas há 10 anos desde a criação do órgão. Elas trabalham com a assistência de famílias de perseguidos pelo antigo Taliban ou Jehadis.
Mas ainda muitas destas famílias têm membros presos no Afeganistão.
Em março deste ano, comemorou-se os 101 do lançamento de Mother Earth.
> Mais informações sobre Emma Goldman e suas obras:
www.sunsite.berkeley.edu/Goldman/www.pt.wikipedia.org/wiki/Emma_Goldman
O Significado Social do Teatro Moderno (1914)
Mother Earth (1906 – 1917)
Minha Desilusão na Rússia (1923)
Minha Nova Desilusão na Rússia (1924)
Vivendo Minha Vida (1931) – Autobiografia
Outras fontes:
artigo publicado no www.sarcastico.com.br
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