Arquivos Mensais:junho 2010
Já deu a sua desacatadinha hoje?
“É quase meia-noite
Algo maligno está espreitando na escuridão”
Thriller – Michael Jackson
O que se via ali era uma assembléia com uma dinâmica caótica, conduzida por pessoas que em sua maioria tinham menos de 25 anos, e que foi finalizada com um ensaio de passinhos baseados na música “Thriller”, de Michael Jackson.
É esta a áurea que se percebe nas assembléias da Frente Única pelo Transporte Público de Florianópolis, que se desenvolvem procurando avaliar os acontecimentos passados e projetando os próximos passos das manifestações contra o aumento de 7,3% no preço da passagem do transporte público da cidade.
As manifestações começaram no dia 8 de maio, e pelo andar da carruagem (ou melhor, do latão), vão se prolongar por mais tempo, já que tanto os empresários que controlam o transporte público, quanto a prefeitura da Capital catarinense, parecem mais empenhados em desmobilizar os protestos do que em encontrar uma solução para sua causa.
Estas tentativas de desmobilização se evidenciam de várias formas, seja na mais básica demonstração de poder repressor da Polícia, até o engendramento de ações judiciais voltadas para os manifestantes, além, é claro, da criminalização do movimento social pela mídia corporativa.
Durante o que pode ter sido o primeiro mês de manifestações, os atos ocorreram todos os dias úteis, com ações descentralizadas (como bicicletadas, teatro de rua e “catracassos” – atividade em que várias pessoas pulam a catraca dos terminais e ônibus sem pagar) nos bairros e manifestações com no mínimo 2.000 e no máximo 6.000 pessoas no centro da cidade, geralmente nas quartas e quintas-feiras. Os finais de semana têm sido usados para se fazer a avaliação e planejamento do movimento, em assembléias que reúnem no mínimo 100 pessoas.
Pique-Esconde
A cada manifestação o contingente de PMs, Grupos de Resposta Tática e até Polícia Montada aumenta. São, pelo menos, 550 policiais, cachorros, muitas viaturas e até helicópteros sobrevoando as manifestações, o que provoca uma reação imediata na população de Florianópolis; existem dúvidas se esta é o tratamento adequado, e até mesmo, paradoxalmente, temor em ver tanta força bélica espalhada pelas ruas.
manifesto do terrorismo sarcástico – 2006
Se você acredita no fantástico mundo das mentiras e da alienação coletiva da comunicação de massa, propomos que seja chegada a hora de rediscutir o papel social da mídia sem mais freios. Está mais que imediato partir para a ação direta e desafiar as grandes corporações que fizeram deste sistema global de informações virulento uma farsa, investindo em grande escala contra todos os seus braços articuladores. Esta declaração de guerra é também uma ode à liberdade, ao direito de expressão, às estações de rádio, publicações, tvs comunitárias, zines, redes virtuais, bares e cinemas alternativos. O sangue do quarto poder será derramado… e a vitória está nas mãos.
Pelos mesmos mecanismos do sistema a informação foi sendo apropriada e jogada na lata do lixo privado. Retornamos dos calabouços e ouvimos os gritos aterradores daqueles que estão à mercê do common sense, do fanatismo, da histeria social, da farsa midiática e da exploração e fabricação da “verdade”. Somos anônimos da realidade, como o limo que sobrevive nas consideradas mais vis condições, mas de onde brotam as mais poderosas forças de resistência contra a hegemonia do discurso globalizante. Esse movimento insurgente retorna para romper as cadeias dos ciclos. Pelo direito à informação livre, sem o vínculo da lógica capitalista-estatal, faz alimentar e potencializar novos e emais audazes meios de luta pela manutenção dos valores culturais, pois a verdadeira revolução não é a política, ciclo vicioso e paliativo do próprio sistema, mas a social e cultural, germe imortal da capacidade humana de libertar-se do jugo.
Estamos prontos para tomar de assalto tudo novamente. É a hora de tirarmos o foco de atenção dos meios de comunicação massivos para devolver às mentes subjugadas aquilo que lhes fora drenado: a inteligência. O mundo faz números e estatísticas, não livre-arbítrios.
E deste manifesto formarão as palavras em todos os rascunhos e monitores, em todo lugar onde se acharem players, que até os cegos poderão conhecer e qualquer língua saberá seu entendimento, pois a emancipação não está sujeita à uma população específica, mas aos homens e mulheres em seus corações. O perigo é iminente e eles sabem. O boicotam diretamente através das novas tecnologias e nas entrelinhas. É o risco de perder o controle da mercadoria e do monopólio do saber, insuflando-nos com placebos legislativos, na tentativa de tornar-nos ovelhas servis. O papel da contracultura será importante para destruir os pés do gigante através da desmistificação dos modus operandi das elites dominantes. A contra-informação é outra arma que está engatilhada contra o status quo dos aparatos oficiais, reprodutores do capital cultural. Este não é mais o mundo das aparências. A utopia não tem mais sentido. Isto não é mais propaganda.
Da mais escura caverna
Com a minha lanterna sempre acesa
Vivo sempre no submundo da sua consciência
A espreita de um novo amanhecer
satanarquia eletronica
o caos era o centro ideológico de tudo, pois tudo está graciosamente pendente ao caos. você pode ver um caos sobre sua mesa ou vislumbrar num pequeno redemoninho na calçada. o que é bom e o que é mal? nós matamos a carne do animal para comer: isso é bom para o animal? “somente uma estrela poderia possuir um caos dentro de si; eu vejo o caos dentro do homem como uma nova estrela.” F.W.N.






