Morre o polêmico blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito

O polêmico blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito, de 52 anos, foi encontrado morto dentro da sua casa, por volta das 16 horas desta terça-feira (13).

Mosquito, apelido dos tempos da faculdade, ou Muska, era odiado e temido por muitos políticos catarienses, especialmente de Florianópolis, por suas duras e ácidas críticas, postadas no blog Tijoladas do Mosquito.

Amilton foi encontrado enforcado em seu apartamento, em Palhoça, o que sugere suicídio, segundo as autoridades policias que apuram o caso, mas a possibilidade de homicídio ainda não está descartada, apesar de não haver qualquer sinal de arrombamento na residência ou sinais aparentes de violência.

Dentre os 25 Boletins de Ocorrência policial feitos pelo blogueiro, levantados agora pela polícia, alguns eram sobre ameaças de morte.

Em seus últimos minutos de vida, estava conversando com um padre, amigo seu, através do computador. Ele teria deixado de teclar, e logo depois, o padre foi até a residência do blogueiro, encontrou a porta semi-aberta e o amigo enforcado com um lençol no corredor da escada. Mosquito morava só há oito anos, no loteamento Pedra Branca, em Palhoça.

Segundo, eu amigo, o jornalista e também blogueiro Sérgio Rubim, do Cangablog, “O secretário de segurança Walter Gruba determinou que uma equipe da diretoria de informação e inteligência do SSP se deslocasse até a casa de Amilton Alexandre. Por ser um personagem polêmico e visado, Gruba quer uma apuração detalhada sobre o caso.”

Informações sobre um mandato de prisão, que teria sido expedido contra o Mosquito neste final de tarde, foram desmentidas.

O polêmico jornalista florianopolitano foi preso em 1979 por participar de protesto contra o general João Batista Figueiredo, último presidente da ditadura militar, e enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Formado em Administração de Empresas pela UFSC, ele foi líder estudantil. Seu blog “Tijolhadas” lhe rendeu cerca de 30 processos por calúnia e difamação.

Izidoro Azevedo dos Santos (62 anos), advogado que defendeu Amilton em dois processos, levanta dúvida sobre o suicídio do blogueiro “terá mesmo o blogueiro se suicidado, ou sua morte terá sido obra dos incontáveis desafetos que cultivou, com suas enérgicas e contundentes denúncias de corrupção e lambanças políticas as mais variadas.”

Santos, que é conhecido como Herbert, conta que “Um deles (dos desafetos), numa audiência em que eu estava presente, chegou a afirmar, na frente da Juíza, que saíra de casa para matar o Amilton, mas fora dissuadido do seu intento pela família e por amigos.” Cuidadoso sobre essa ameaça, Herbert também postou em seu blog “Não posso afirmar que a morte do Mosquito tenha sido obra de gente ao serviço dele, citando a circunstância para lembrar o estado de exasperação em que chegaram os denunciados pelo blogueiro, com palavras contundentes e, não raro, consideradas infamantes, as quais engendraram inúmeros processos criminais e cíveis, contra os quais o acusado travava uma luta desigual, mesmo estando apoiado por simpatizantes.”

Neste dia em que Moska será enterrado, Sérgio Rubim postou em seu blog “Ainda ontem li no twitter um jornalista dizendo que tudo que ele não fazia era jornalismo. Despeito!

Talvez para esse jornalista, praticar jornalismo é fazer assessoria de imprensa e colunas elogiativas de autoridades. Está enganado. Mesmo com diploma de Administração, o Mosquito fazia jornalismo. Morreu em plena atividade da profissão.”

Rubim também comentou sobre o estado psicológio do Amilton Alexandre: “Sobre a sua morte, ele já vinha há dias mandando sinais de que pretendia dar cabo da vida. sozinho, sem dinheiro, com o seu blog fechado pela justiça, estava deprimido e parecia não encontrar saida para o fosso em que se meteu.”

Amilton Alexandre encerrou seu blog no dia 9 deste mês, onde postou:

“Quem tem acessado o blog nas últimas semanas notou um vem e vai de informações, postagens deletadas e até comentários sobre a coragem do blogueiro nas suas manifestações.

O blog foi construído com o objetivo de denunciar corrupção, tratar de assuntos ligados a cidadania e versar sobre os mais diversos temas da blogosfera.

Durante todo esse tempo, minha atividade foi manter o blog com informações e denúncias.

O blogueiro, apesar de muitas vezes advertido, carregou nas tintas contra os políticos. Passou dos limites em alguns casos. Claro, colheu processos e condenações, aos quais recorre.

Mas contribuiu para tentar sanear a política catarinense. Não foram poucos os assuntos tratados aqui  transformados em inquéritos no Ministério Público e ações civis públicas.

Quem achou que havia financiamento de grupos interessados em obter vantagens com o que era publicado aqui, se enganou.

Tanta dedicação ao blog levou-me a um isolamento familiar, com oposição a minha atividade, problemas de saúde e outras dificuldades. Nas últimas semanas acusei o nocaute. Não tenho mais como enfrentar as ameaças e retaliações pelo que publico. É sensato dar um tempo.

Como diz um amigo meu: O que vc ganhou com o blog?

O ganho não foi pessoal, mas coletivo. Talvez um dia eu tenha a resposta para a minha parte.

Agora vou tentar me reestruturar numa atividade menos tensa. Preciso dar mais atenção a quem precisa: eu mesmo.

Passando pelo Cangablog vejo que o arsenal de maldades dos políticos não para. Vou deixar o Canga linkado aqui permanentemente. Devo dar alguns pitacos lá.

Aos meus leitores desejo bom Natal e um Ano Novo com saúde e paz.”

A última postagem no blog do Mosquito, que não está mais no ar, havia o seguinte texto de Jerônimo Gomes Rubim:

E encerra suas atividades o polêmico blog Tijoladas do Mosquito. Por três anos, legislativo, judiciário, executivo e outras ôtoridades de SC tremeram nas bases com as denúncias e xingamentos do Mosquito.

Ele foi o primeiro a denunciar o escândalo da árvore de natal da Beira Mar Norte. O primeiro a falar sobre os estupro de uma menor envolvendo Sirotskys. Várias denúncias do blog, bem documentadas, estimularam investigações do Ministério Público e condenações. Chegou a ser citado na sentença de um juiz que condenava um prefeito do interior a devolver dinheiro público.Talvez não tenha feito jornalismo na forma e padrão convencional, disparando adjetivos tortos e alguns “filhos da puta” a mais. Ganhou mais de 50 processos por isso. Dependendo da teoria de análise, alguns vão dizer que nem jornalismo fez, era só denuncismo. Mas foi um defensor apaixonado da ilha e seu povo (nós), e fez o que o jornalismo local não faz: desmascarou, denunciou, investigou e provou irregularidades. Mostrou ali, no blog público e acessado por mais de cinco mil pessoas por dia, a mão grande e a completa desfaçatez de quem é muito bem pago para escolher por nós – e que faz questão de escolher apenas por eles.Deixa seguidores fiéis, que viram nesse justiceiro dos bytes a voz comunitária da indignação. A pressão, vocês devem imaginar, é terrível. No último achaque do poder, dava depoimento em processo movido por Dário Berger quando recebeu uma ilegal voz de prisão ao responder pergunta do promotor – que tem cargo público e não poderia estar ali.Tá tudo documentado no blog dele, aparece lá. Descubra um pouco mais sobre o que realmente acontece na sua cidade. Como ele mesmo escreveu, o blog entra para a história de Florianópolis.

“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.” – George Orwell”

Rádio Criciúma

Manifesto do Bar Canto Do Noel, DIVULGUE!

A Travessa Ratclif, hoje convertida num dos principais pontos de encontro de Floripa por conta das atividades da Travessa Cultural, Jazz e Samba do Bar Canto do Noel, todas gratuitas, têm sido alvo de processos e denúncias de alguns poucos vizinhos que acabaram por conseguir a suspensão total das atividades abertas ao público, queixando-se do “barulho” que a música encerra em seus ouvidos, embora esses eventos primem pelo respeito ao horário limite das 22hs.

Tendo em vista que nesta sexta, dia 02/12 é o Dia Nacional do Samba, estamos programando uma manifestação, com saída da Travessa Ratclif, com destino ao Mercado Público (onde estará rolando o grande evento de comemoração ao Samba), em favor da cultura, da arte e do desenvolvimento social, com concentração a partir das 17 horas.

Tradicional reduto cultural de Florianópolis, ponto de encontro de intelectuais, músicos, poetas, teatristas, jornalistas, artesãos e boêmios, sambistas, moradores das comunidades do Maciço do Morro da Cruz, por décadas abrigando o Museu da Arte Metálica, a Travessa assumia as fantasias carnavalescas com o Desfile das Escolas de Samba desde sua transferência para suas imediações na Avenida Paulo Fontes até a criação do Sambódromo em 1989.

Hoje, o local abriga um Ponto de Cultura e várias atividades artísticas, gratuitas a todo público, como o Jazz e Sambas do Canto do Noel e cursos no Instituto Arco-Íris, e tem a pretensão de contribuir com os inúmeros projetos como o de Revitalização do Centro Histórico do CDL e PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) das Cidades Histórias.

Hoje, com a remoção do principal terminal de transportes, a região leste do Centro perdeu sua pujança com a diminuição do tráfego de pessoas. Esses fatores implicam numa necessidade imperiosa de revitalização da ocupação desta área, resgatando sua vocação gastronômica e cultural, conforme manifesta o próprio CDL de Florianópolis, propiciando atividades que sejam atrativas à população local de forma a incentivar investimentos em restaurações do patrimônio histórico e atrair, também, o turista visitante, fomentando o desenvolvimento sócio-econômico da região.

Travessa Cultural, além de ser um Ponto de Cultura é, também, uma rede de parcerias que tem como foco a questão o desenvolvimento sócio-cultural através das artes, da comunicação e da inclusão digital.

Janaina Canova (Instituto Arco-Íris)

LASTRO comemora 12 anos com lançamento do Projeto de Extensão Editoria Em Debate

DATA: 6 de dezembro de 2011 – 19 horas
LOCAL: Miniauditório do CFH (sala 328) – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Florianópolis

O projeto de extensão Editoria Em Debate comemora o 12º aniversário de criação do Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO) da UFSC. No coquetel de lançamento, serão apresentados ao público presente 7 livros, o número 6 da Revista Digital Em Debate e a Galeria Virtual.

A Editoria Em Debate tem como meta desenvolver e aplicar recursos de publicação eletrônica que permitam o acesso irrestrito e gratuito aos trabalhos de autoria dos membros dos núcleos, laboratórios e linhas pesquisa da UFSC e de outras instituições. Pretende também editar, sob demanda, versões impressas do que for compatível com seus objetivos.

Muito do que é produzido na universidade não é publicado por falta de oportunidades editoriais, tanto em editoras comerciais como nas universitárias. Além de coibir o acesso a novos conhecimentos por parte de estudantes, pesquisadores e leitores em geral, essa situação traz prejuízos aos autores, visto a tendência de se pontuar a produção intelectual conforme as publicações.

A Editoria Em Debate quer contribuir para alterar essa realidade. O público ligado às ciências humanas, incluindo professores e alunos do Ensino Médio, tem nesse projeto um forte aliado para suas pesquisas e atualização científica.
No endereço eletrônico da Editoria Em Debate, a ser inaugurado em tempo real no coquetel de lançamento, será possível ver o que acontece na festa:

www.editoriaemdebate.ufsc.br

O projeto de extensão Editoria Em Debate é desenvolvido no Laboratório de Sociologia do Trabalho (www.lastro.ufsc.br), do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC.

DATA: 6 de dezembro de 2011 – 19 horas
LOCAL: Miniauditório do CFH (sala 328)
UFSC – Florianópolis – SC
Informações: editoriaemdebate@gmail.com / Tel.: (48) 3338-8357 / 3234-1094

Sarau Musical com Milongas Urbanas, Jéferson Dantas e Pablo Mizraji, repertório próprio.

Novo estatismo econômico e antiga proletarização

A escola keynesiana que defende a intervenção do Estado ou New Deal no mercado interno, não implica a sua substituição por modelos alternativos. De forma a gerar um mercado cada vez mais includente e de incentivos a novos empreendorismos, tende a sustentar a lógica do capital sob o abrigo do Estado.  Toda a geração de renda e emprego estão subordinadas a este controle igualmente, de modo que a economia não poderia curar as crises por si própria, mas se utilizar do Estado o seu controle, pode administrar melhor o capitalismo.  No meio de crises sistêmicas como recentemente em 2008 e as revoltas populares no coração do pensamento do Welfare State, pode existir uma lacuna na teoria econômica, tanto do “controle estatista” quanto ao liberalismo, em seu “Estado Mínimo“. Desde que a “questão social”, a “terceira via” está posta em cheque nos países do capitalismo clássico, como Inglaterra, Espanha e França, as medidas keynesianas de contenção de crises tende a expressar uma incapacidade de resolver problemas graves que só pertencem à lógica do mercado. A austeridade em cortes públicos ou uma política inflacionária que alinha uma a outra, ou acordos trabalhistas entre Estado e empresas, o rigoroso controle do Estado sobre a economia, num mundo universo cada vez mais globalizado por transnacionais desreguladoras dos comércios, torna a visão keynesiana obsoleta. O capital transgrediu nações e o sistema financeiro atropelou as políticas públicas e decisões que eram tomadas no nível micro.

A tal “sociedade da informação” tende a superar em lote o número de trabalhadores legalizados e informais que como massa de “mão-de-obra informatizada” ainda continuam a andar no terreno da alienação do trabalho, como no século XIX, andavam operários – agora com o incentivo reformista dos sindicatos. O projeto atual de salvação do capital está fadado a intervalos menores entre as crises. Desde os anos 20, as intervenções estatais, que nada tem de socialistas, um ledo engano para os intelectuais da esquerda estatista, apenas fizeram assegurar a manutenção e a concentração do capital em suas mãos. Do modo imperialista de acumulação para o Capitalismo de Estado, hoje EUA e China, por exemplo, as relações de trabalho tecem dois pólos, centro e periferia.  O desenvolvimentismo progressista e tecnológico crescente vem firmando suas bases desde o enfraquecimento da luta de classes nos refluxos da Guerra Fria, somando-se aos novos infoproletários, uma massa gerada pela indústria da tecnologia que só tende a acentuar o nível de desigualdade social com trabalhadores integrados e aqueles periféricos. Por exemplo, as transformações iniciadas após a chamada “revolução digital”, que negam o avanço do capitalismo a nível global, tendem a complexificar toda uma cadeia de elementos concretos. Experts da ciência tecnológica defendem que a atualidade representa um salto a uma Era Digital. Este discurso mercantil da megaprodução em “escala global” e da “cultura digital” reproduzem que o quantitativo de seus “progressos” mediante números de acesso, onde de fato, o analfabetismo funcional e capacitacional, indicam que só o acesso à informação não garante conhecimento, são os “desconectados” do mundo real material, das dependências cibernéticas, desagregação do sentido de identidade, gerada muitas vezes por uma descarga acelerada de informação em massa. Partidos de um fundamentalismo tecnológico, essa nova classe emergente de gestores culturais, info-gerências, ativistas “independentes”, administradores de banco de dados empresariais, alimentam a cada dia o imaginário do virtualismo real como uma “nova era”, destinada a prosseguir para a próxima fase sem as velhas bandeiras das ideologias. Articulados com a “nova ideologia” tecnocientífica, dirigem suas verdades abstratas para uma massa de trabalhadores que por condições sociais severas, são imputados novos estigmas, como a analfabetização digital, por exemplo, já não bastasse suas reais condições de sobrevivência.

Os “novos excluídos” agora lotam o exército de reserva, uma massa de milhões de pessoas já precarizadas pelo sistema global. Do centro à periferia, o modelo das relações de exploração segue a norma da profunda desregulamentação do trabalho e, consequentemente o acirramento de forças sociais como tem acontecido nos países do centro. Diferentemente das crises anteriores, como escalas de superprodução e, a crise atual encena um quadro de recessões a nível global em que a periferia dos países do antigo centro começam a desestabilizar a “harmonia” existente. A acumulação de capital organizada pela estrutura dos grandes blocos de megacorporações e pelo sistema financeiro privados ampara-se num momento da pior crise dos sujeitos críticos ao expansionismo capitalista. A falta de organização e inserção social nas lutas contra o capital são dividendos da crise da esquerda estatista.

Por Pablo Mizraji

Manifesto na Marcha pelo Estado Laico

Florianopolis, 01/09/11

O termo “laico” (do grego λαϊκός, laikós – “alguém do povo”) já denota sua importância conceitual.

“As nações modernas, após a Revolução Francesa, haviam quase todas, em virtude das muitas religiões existentes no mesmo país, resolvido separar oficialmente as duas castas. O Estado não reconhecia nenhuma religião, respeitava todas, tornava-se leigo. Nas suas escolas não se ensinava religião, que ficaria a cargo dos sacerdotes nos seus templos. Esse Estado leigo não dispensa a contribuição dos sacerdotes no serviço de escravização popular pelo temor do inferno. Apenas deixa de reconhecer só uma em detrimento das outras. Em suma, reconhece tacitamente a todas, o que mais lhe assegura a colaboração unânime de casta sacerdotal. Assim, no Estado moderno, permanece, com toda sua eficiência, a feição religiosa. Os homens acham-se, portanto, submetidos a uma dupla idolatria estupidificante: a cívica, dirigida pelo Estado, e a religiosa, dirigida pela Igreja ou igrejas. Os grandes industriais, compreendendo as vantagens dessa idolatrização intensiva, promovem movimento de toda sorte com tais tendências.”

A Doutrina Anarquista ao alcance de todos, José Oiticica

“Clérigos, instrumentos cegos dos ricos, só servem para embrutecer ao povo, conservando-o no maior obscurantismo, dizem a seu rebanho: Filhos! Trabalhai, sofrei, respeitai aos nossos patrões, aos poderosos, porque quanto mais sofreis na terra tanto mais gozarás no céu!”
Anarquismo e Anticlericalismo
, Eduardo Valladares

 O que propomos, de forma alguma, não é a exclusão fundamentalista da existência das religiões, enquanto sejam elas expressões populares da identidade de um povo, de uma cultura, mas deixar bem claro que o papel da subjetividade e da crença não seja o referencial político dentro da esfera das ações públicas como a escola e demais instituições. As tendências religiosas mescladas ao protagonismo político, em especial ao Legislativo, na criação de leis que apenas legitimam uma religião em sobreposição a outras, além de ferir gravemente o direito de laicidade do cidadão, observamos um fundamentalismo baseado na exploração e opressão. Portanto, devemos denunciá-las em todos os lugares como verdadeiras inimigas da liberdade.

Ora, a contradição existente em sua unilateral explicação para o tipo ideal de sociedade, geralmente excludente, opressora, castradora de direitos, não condiz com a prática. Devemos desconfiar sim daqueles que pregam a compaixão e o amor como fundamentos, quando incitam o ódio e a violência; desconfiar daqueles que pregam tolerância, quando criam leis que são reflexos de sua intolerância; desconfiar dos sermões do alto dos palcos dos seus altares, quando na verdade, promovem a defendem a tradição do conformismo. Historicamente, as desigualdades sociais passam pelo crivo da domesticação do ser humano frente aos momentos de contestação social, em ações vigilantes do clero. Não satisfeitos com as guerras santas, com as intervenções colonialistas mascaradas pelo catequismo, subserviências aos governos fascistas, com a luta contra a ciência, protetorados do capital, agoram nutrem a ambição exploradora do mercado de votos.

Eis a sombra de um idealização para um controle totalitário sobre a vida política das pessoas, sobre os corpos e sobre os direitos de contestação. Igreja e Estado juntos, um consagrado pelo outro, compreendem a mais absolutista representação da dominação social e política. De monarquia a república, mesma tutela do patriarcado religioso. “Homens de bem”, “de virtude”, “de família”, “de valor” foram e serão os mesmos tosquiados pela mão de seus tutores. Patrões, padrinhos, políticos e padres que subjugam trabalhadores, peões, povo e fiéis, num eterno ciclo que pouco se altera. Gritam aos quatro cantos sua nova democracia, trazem em suas malas as boas novas dos velhos valores, redigem leis contra o direito de propriedade do corpo, liberdade de pensamento, liberdade sexual e de vida. Nos ensinam como devemos nascer, como devemos crescer, aprender, pensar e agir, e como devemos morrer. São os guardiões do modo de vida correto de milhões de pessoas no mundo. Porém, como instituição política cada vez mais próxima do mundo dos homens, as igrejas são as mais mundanas entre as demais forças sociais. São elas deveras democráticas? Como nasceram, como levaram a cabo seus projetos maiores e como se constituem hoje? Em relação às mulheres, aos povos não-cristianizados, aos homossexuais, aos pobres em geral, ou ainda, a outras crenças? Manchados de crimes desde suas origens, a Igreja após o término das inquisições, passa a adotar outras alternativas em relação ao poder, e adequa-se sutilmente ao Estado.

Assim, propomos:

- Defesa do Principio de Laicidade do Estado enquanto garantia do direito de liberdade de consciência.

Criticar o Estado enquanto detentor das forças sociais e políticas que o compõem, incluindo as religiosas,que em vez de isentar e separa-las, agrega-as e rompe com o direito laico constituinte.

- Por uma educação pública laica.

Criticar as políticas educacionais em relação às obrigatoriedades do ensino religioso quando são unicamente respaldadas pelas instituições eclesiásticas vinculadas ao Estado e não uma historização do pensamento mítico-religioso isento de discriminação. Por uma escola pública livre, gratuita, independente e laica.

- Supressão de todo tipo de financiamento público às igrejas.

- Licença para o ensino de Educação Sexual nas escolas públicas.

- Contra os projetos de lei que desrespeitam e discriminam os homossexuais

Projetos nº 280/2011, Projeto Orgulho Hetero

- Repúdio aos projetos de lei que determinam a obrigatoriedade da leitura de versículos bíblicos em instituições públicas do Estado e fixação de símbolos religiosos em estabelecimentos, assim como a validade legal de casamentos realizados apenas pelas entidades religiosas.

versão I

ANTICLERICALISMO: novas contestações e tendências contemporâneas

Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, no momento em que a Igreja Católica passa por uma onda de críticas e protestos em massa sobre temas fundamentais, como AIDS, homossexualismo, pedofilia, laicismo, aborto, casamento, entre outros, vem articulando uma série de medidas políticas junto aos Estados. Talvez em péssima hora, sua visita marcada em países como a Espanha, por exemplo, fizeram ressoar em meio ao turbilhão de insatisfação popular, velhos ecos do anticlericalismo desde a Guerra Civil em 1936.

Televisionado por alguns documentários críticos, como da rede BBC de Londres, intitulado “Sexo, Crimes e Vaticano”, o Estado Papal reage vigorosamente contra a desconfiguração de sua vitrine. As acusações midiáticas não perdoam o Vaticano de insinuar que o fenômeno da pedofilia teria tornado-se um escândalo que se sucede há pelo menos alguns anos. A informação está cada vez mais democratizada e, portanto, novos casos surgem com mais frequência ou verdadeiramente há uma supermanifestação de ordem criminosa por parte do clero nos últimos tempos? O Papa João Paulo II não foi isento das acusações de negligenciar  tomadas de medidas mais severas em sua empresa. Toda uma pressão internacional, por parte da imprensa, órgãos ligados às entidades de direitos humanos, fizeram desde os recentes abusos, divulgação pesada sobre a ausência jurídica do Vaticano. João Paulo afirmava que a Carta de Proteção à Criança e ao Jovem” ainda era obsoleta em relação às tradicionais leis canônicas, salientando que precisava de tempo suficiente para que se chegasse a um consenso. A ineficiência dos argumentos eclesiásticos não alterou nem diminuiu a carga de centenas de vítimas inocentes. Segundo a justiça estadunidense na epóca, os abusos sexuais praticados pelos sacerdotes poderiam ultrapassar a marca das mil vítimas, desde a década de 1940, origem das primeiras notícias.

Seu sucessor, Bento XVI, logo ao assumir seu posto, ordenou rapidamente o protocolo oficial de combate à “imoralidade sexual”, que expunha com rigor crítico, a política da obrigatoriedade da ordenação de mulheres, a condenação do uso de preservativos e a prática do aborto. Seu passado, junto à militância hitlerista durante a Segunda Guerra Mundial, deixa-se atestar, para o reconhecimento de uma postura semiextremista, em relação aos diversos movimentos sociais, como os de gênero e de classe. Exames para a futuridade podem-se basear nos protestos de outras religiões que também foram gerados em razão de sua inadequação diplomática com outros setores religiosos, como por exemplo, na sua fala contra Maomé e a afirmação de que a Igreja Católica seria a única portadora da “verdade”, a “única que salva”, gerando milhares de críticas dentro e fora do mundo religioso. Seus livros que são conhecidos pela moralidade cristã, e temas sobre a sexualidade humana, atingiu a marca dos cinco milhões de euros, com recordes de vendagem, sendo que parte dessa verba, já está destinada a fundos de pesquisas para os cursos de Ensino Teológico em todo o mundo. Como mea-culpa, Ratzinger parece ter reconhecido que a Igreja não agiu de forma consistente e rápida para coibir novos casos de abusos sexuais de crianças por parte de seu sacerdócio, o que de fato, já legitima, por sua vez, os escândalos midiáticos, outrora chamados pela Igreja de “sensacionalistas e corruptivos”.

No entanto, além dos problemas que a Igreja já vem enfrentando, está surgindo das cinzas, um antigo inimigo herético: o anticlericalismo. Movimento político que se define como resposta à existência da instituição religiosa integrada junto às instituições públicas da sociedade, que mediante sua influência direta e de imposição de suas crenças e doutrinas, exerce a sustentação do poder teocrático, em oposição ao poder democrático. Correntes ateístas, agnósticas, anarquistas e socialistas foram defensoras de uma laicidade concreta e filosófica. Essa falta de flexibilização do Vaticano frente a novos movimentos contestatórios sociais, refletem o tamanho da dimensão da intolerância e do extremismo. No caso da Espanha, em particular, seio da Guerra Civil de 1936, em grande parte construída em cima dos alicerces teóricos do anticlericalismo, revê em sua juventude, desacreditada de todo discurso parlamentar e, quiçá, de “moralidade”, sua nova contestação ampliar-se e midiatizar-se a todos os cantos do planeta. As revoluções árabes, as contestações dos jovens no Chile e as barricadas em Londres, nas últimas semanas, demonstram que as consequências das crises da globalização, desemprego, racismo, faltas de perspectivas políticas são, de alguma forma, compartilhadas por pessoas em outros lugares.  Atestando a isso, a visita do Papa Bento XVI em Madrid na Jornada Mundial da Juventude, com todo o apoio do aparato do Estado e Monarquia espanholas, agregou-se milhares de jovens amotinados nas ruas que conclamavam a grito seus direitos.
O famoso “beijaço gay” foi realizado em meio à multidão como protesto à ordenação de proibição do casamento entre homossexuais. Como era de esperar e sob o regime do aparato da violência estatal, o ato foi energicamente atacado pelas forças policiais. De forma a defender seus princípios, não somente a condenação ao homossexualismo, Bento XVI, criticou severamente a exclusão do Ensino Religioso, antes obrigatório em todas as  escolas públicas do país, referindo-se diretamente ao crescente movimento em favor da laicidade entre os poderes estatais e clericais.
Como no exemplo da Espanha, um dos próximos compromissos da comitiva do Vaticano é a vinda para o Brasil, em 2013, na mesma Jornada Mundial da Juventude. Já a realidade no Brasil, na relação histórica entre a Igreja e o Estado sempre deixou subentendido ambas posições. Por um lado, a antiga monarquia brasileira teve o apoio da Igreja, assim como por outro, no período de vigência do Golpe Militar de 64, deixou ambíguas conclusões a respeito. O chamado apoio da Igreja Católica no momento em que se deu o golpe militar, aparece no discurso anti-esquerda de Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo, que teve entre suas ligações, diversos agentes ativos durante o processo de militarização do país naquele período. Anos depois do golpe, surge dentro das pastorais, movimentos contrários ao regime, como a Teologia da Libertação, no que evidencia uma bipolarização no contexto eclesiástico, de moções contrários ao autoritarismo, que posteriormente teve em suas perseguições, diversos padres e seminaristas envolvidos. Essa parte da história é bem demonstrada no filme “Batismo de Sangue” de Helvécio Ratton, lançado em 2007. No entanto, nos meados do século XXI, com a transição entre os novos movimentos sociais que com a retomada das bases representativas das entidades religiosas, percebeu-se uma nova era de formações partidárias e extra-parlamentares vinculadas à Educação cada vez mais crescente, sobretudo na competitividade entre evangélicos e católicos. As bancadas fortaleceram seus números e originou-se uma presença massiva do movimento obreirista amplamente organizado na política legislativa brasileira.

Esse crescimento antilaicismo na atualidade demonstra que na prática, o poder submetido pela vontade popular pode também criar novas leis ou impugnar outras, conforme seus princípios morais, éticos e religiosos formarem consenso. Temas como o aborto, a união homossexual, divórcio, a utilização de células-tronco, a obrigatoriedade do Ensino Religioso nas escolas públicas, bem como outras que se inserem dentro do ideário daquela ou desta corrente religiosa, estão cada vez menos sendo debatidas pela sociedade.

Bibliografia referencial:

http://pmizraji.wordpress.com/2009/05/01/o-santo-cabresto-i/

http://pmizraji.wordpress.com/2009/05/01/o-santo-cabresto-ii/

Apresentação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra e Lançamento dos livros “Negras Tormentas” e “Além de Partidos e Sindicatos”

Apresentação do Coletivo Anarquista Bandeira Negra e Lançamento dos livros:

“Negras Tormentas: o Federalismo e o Internacionalismo na Comuna de Paris”, de Alexandre Samis. Conforme colocado pelo professor Wallace dos Santos de Moraes na orelha do livro, a presente obra “deve ser saudada com uma grande festa, tanto pela comunidade acadêmica como pelos leitores em geral”. Ele continua: “O leitor do século XXI deve colocar três grandes questões sobre a Comuna de Paris: 1) Como foi possível realizá-la? 2) Como foi seu desenvolvimento? 3) Qual foi seu legado? A obra de Samis trata dessas questões de forma magistral, respondendo-as sempre no plural, isto é, chamando a atenção para os diversos fatores que influenciaram na possibilidade, na necessidade e nos resultados da eclosão da Comuna. Para além disso, aquele que se debruçar sobre a obra terá a oportunidade de conhecer a gênese desse episódio nos seus aspectos mais longínquos. Com efeito, o leitor é presenteado com o conhecimento da história política e social francesa do século XIX por meio da narrativa dos fatos, e também conhece o rico debate entre seus intérpretes. Ademais, a história da Associação Internacional dos Trabalhadores e o grande debate entre anarquistas, marxistas e outras correntes políticas são passados em revista. A partir destas discussões, a Comuna de Paris é inserida em seu contexto. É esse o grande mérito do autor, diferenciando-se de outros que a tratam por si mesma, como se tivesse nascido do nada. No livro de Samis, a eclosão da Comuna é vista como resultado de todo um acúmulo de lutas e questões sociopolíticas que estavam na ordem do dia na Europa no século XIX. Assim, o autor, com propriedade — apropriando-se do conceito de autoinstituição de Castoriadis –, nega que a Comuna tenha sido a última revolução plebeia e também a primeira revolução proletária. Ela é posta no seu devido lugar: como evento autônomo e coberto de idiossincrasias. Para o bem do leitor e da teoria, trata-se de uma pesquisa que discute muito mais do que aquilo que se propõe — e que é ainda mais abrilhantada pelo prefácio de René Berthier, francês e estudioso do tema.” Publicado nesse ano que marca os 140 anos da Comuna de Paris, Negras tormentas, “o livro, hoje”, considera Moraes, “é a principal referência sobre o estudo da Comuna de Paris já publicado no país”.

Alexandre Samis é Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense e professor do Colégio Pedro II. É militante da Federação Anarquista do Rio de Janeiro e diretor do SINDSCOPE. Autor dos livros “Clevelândia: anarquismo, sindicalismo e repressão política no Brasil” (Imaginário/Achaimé, 2002) e “Minha pátria é o mundo inteiro: Neno Vasco, o anarquismo e o sindicalismo revolucionário em dois mundos” (Letra Livre, 2009).

“Além de Partidos e Sindicatos: Organização Política em Anton Pannekoek”, de José Carlos Mendonça: Em meio ao fracasso, atestado pelas diversas convulsões sociais que continuam estourando por todo o mundo, das teses presentes nas crônicas de muitas mortes anunciadas (formuladas desde uma esquerda envergonhadas até uma direita enraivecida; que pronunciavam o “fim” das ideologias, da luta de classes, do socialismo, enfim, da própria História), o que presencia é a longevidade do único “sujeito” que nenhum desses apologetas espera ver falecer; o capital. A capacidade que esta relação social tem de continuar se reproduzindo ampliadamente, de forma alguma responde apenas a determinações econômicas.

José Carlos Mendonça é Doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp e Pesquisador do Laboratório de Sociologia do Trabalho (LASTRO-UFSC).

ESPETÁCULO “LETRAS PARA COMPOSIÇÕES INVERNAIS”, COM JÉFERSON DANTAS E JÚNIOR GUERRA

Amig@s!

Convidamos para o espetáculo “Letras para composições invernais” (Ensaio 1), com Jéferson Dantas (violão elétrico e voz) e Júnior Guerra (violão acústico).

ONDE: Teatro da Ubro
QUANDO: 27 de agosto de 2011 (sábado)
HORÁRIO: 20h
QUANTO: R$ 10,00 (Inteira) e R$ 5,00 (Meia-entrada)
INGRESSOS: à venda com os músicos ou diretamente na bilheteria do Teatro da Ubro (Escadaria da Rua Pedro Soares, 15, Centro, Florianópolis/SC).

RELEASE:
O espetáculo apresenta um repertório de 23 canções, tendo como temáticas centrais: o amor, a amizade, a solidão e a paisagem sulista imortalizada nas milongas. O show é um ‘ensaio’ para o espetáculo futuro Milongas Urbanasconcebido por Jéferson Dantas e o percussionista de origem uruguaia, Pablo Mizraji, tendo a participação especial do baixista, Gilberto Borges. Júnior Guerra se integra a este projeto com arranjos de cordas. Todos os músicos são integrantes do grupo poético-musical Casa da Ginga.
As letras das canções são de autoria de Danielle Antunes, Jéferson Dantas e Pablo Mizraji.

Influências musicais: Vitor Ramil, Secos & Molhados, Kleiton & Kledir, Leopoldo Rassier, César Passarinho e Victor Hugo.

Segue em anexo set list do espetáculo, um texto-manifesto sobre as ‘milongas urbanas’ (escrito por Pablo Mizraji) e foto dos músicos (com créditos de Dienífer Dantas Bartnik).

Links (Projeto Milongas Urbanas)
Youtube: http://youtu.be/__vNqQLD1nE
http://youtu.be/6nVbc4EXIPU
http://youtu.be/p3iEQ1kyH2o

No Facebook, acesse o link    https://www.facebook.com/pages/Projeto-musical-Milongas-Urbanas/142178712531538

http://desacato.info/2011/06/milonga-urbana-resignificacao-ou-autenticidade/

Palco MP3 Jéferson Dantas: http://palcomp3.com/jefdantas/#

Fraterno abraço,
Jéferson Dantas e Júnior Guerra.

Primeiro Curso de Formação Política do Fórum do Anarquismo Organizado – Região Sul

Reuniram-se em Curitiba, entre 23 e 24 de julho de 2011 algumas organizações especifistas do anarquismo brasileiro e também individualidades com afinidades com essa proposta para uma formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), conduzida pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e organizada pelo Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC), de Curitiba. Além da FAG e do CALC, estiveram presentes as seguintes organizações: Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, Organização Dias de Luta, de Joinville, além de individualidades de Florianópolis e de outras regiões do sul/sudeste do Brasil com afinidade com a proposta do anarquismo especifista.

Curitiba 23-24 de julho de 2011

FORMAÇÃO REGIONAL DO FAO EM CURITIBA

Reuniram-se em Curitiba, entre 23 e 24 de julho de 2011 algumas organizações especifistas do anarquismo brasileiro e também individualidades com afinidades com essa proposta para uma formação do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), conduzida pela Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e organizada pelo Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC), de Curitiba. Além da FAG e do CALC, estiveram presentes as seguintes organizações: Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo, Organização Dias de Luta, de Joinville, além de individualidades de Florianópolis e de outras regiões do sul/sudeste do Brasil com afinidade com a proposta do anarquismo especifista.

Marcado pelo clima de solidariedade e pela calorosa recepção, todos os presentes puderam discutir durante dois dias distintos temas em torno do anarquismo que, por meio da dinâmica adotada, puderam apreender e debater significativamente, o que certamente acrescenta muito ao processo nacional brasileiro que o FAO vem buscando impulsionar desde 2002 quando foi fundado.

A formação teve uma agenda densa, com distintos temas que tinham por objetivo fortalecer teoricamente o conjunto da militância. Foi trabalhada em cinco eixos fundamentais: A formação política da corrente libertária (uma leitura do anarquismo), história social de processos revolucionários com participação anarquista, teoria da organização política anarquista, marco teórico e categorias de análise (método de análise) e via estratégica e poder popular. O eixo propaganda de intervenção foi tratado apenas brevemente.

Descrevemos muito sinteticamente os temas tratados para dar uma idéia ao leitor do conteúdo da formação.

Vale reforçar que a formação foi ministrada pela FAG e que, por isso, o conteúdo reflete a sua elaboração teórica, que tem muitas similaridades e algumas diferenças em relação a outras organizações que compõem o FAO. Nesse sentido, todo o conteúdo é de sua responsabilidade e queremos que ele contribua para o debate e o fortalecimento de nossa corrente.

Temos todo interesse de fortalecer o processo organizativo nas regiões e – no caso específico dessa formação conduzida pela FAG – de impulsionar, além do próprio Rio Grande do Sul, os estados de Santa Catarina, Paraná. Havendo interesse de aproximação nessas regiões, não deixe de nos escrever. Outras organizações do Brasil encarregam-se no momento de outras regiões; por isso, se houver interesse de militantes de outras regiões, entre em contato e daremos o encaminhamento necessário. Pedimos aos interessados que entrem em contato pelo e-mail fagsorg@riseup.net.

A CONSTRUÇÃO DO ANARQUISMO DE BASE ESPECIFISTA NO BRASIL

A formação realizada em Curitiba, conforme avaliação do FAO, foi uma experiência muito relevante. Realizada pela FAG anteriormente para seu conjunto de militantes, pôde ser aperfeiçoada e estendida a um coletivo mais amplo. Essa atividade de formação evidenciou a necessidade de construção de um material próprio de formação, capaz de potencializar aquilo que se convencionou chamar de anarquismo especifista no Brasil.

O momento parece bastante propício. O FAO constitui um espaço de debate e articulação entre organizações, grupos e indivíduos anarquistas que trabalham ou têm a intenção de trabalhar utilizando como base os princípios e a estratégia do anarquismo especifista. O objetivo maior do FAO é criar as condições para a construção de uma verdadeira organização anarquista no Brasil, de caráter especifista. Tarefa que sabemos não ser de curto prazo, mas que precisa ser iniciada desde já. Fazem parte do FAO hoje, cinco organizações pelo Brasil: Federação Anarquista Gaúcha (FAG), do Rio Grande do Sul; Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP), de Alagoas; Rusga Libertária, do Mato Grosso; Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), do Rio de Janeiro e a Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), de São Paulo. Encontram-se em processo de aproximação organizações e grupos dos seguintes estados: Santa Catarina, Paraná, Ceará, Pernambuco, além de individualidades em outros estados. Portanto, esse momento tão importante para o anarquismo especifista que avança lutando e organizando, forjando as bases para uma unidade que permita constituir uma organização nacional.

Temos abertamente a intenção de fortalecer os estados em que estamos presentes e de conseguir aproximar a militância de outros estados, afim de fortalecer esse processo organizativo. Se você se interessa pelas nossas propostas, não deixe de entrar em contato!

Não tá morto quem peleia!
Arriba los que luchan!

Militância envolvida no Primeiro Curso de Formação Política da Região Sul
Fórum do Anarquismo Organizado – Brasil

http://www.vermelhoenegro.org

Declaração de Princípios e Intenções (FAO)
http://www.anarkismo.net/article/17346

Julho de 2011

FARSA DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Por Pablo Mizraji

  1.  Introdução: descentralização e desintegração do trabalho

Jürgen Habermas advoga que a centralidade do trabalho configura-se agora em um universo residual que, de certa forma, negando o avanço do capitalismo a nível global, o importante e prioritário é observar as sociabilidades e os novos valores. Essas ópticas fazem parte do pensamento pós-modernista, cada vez mais complexificado de elementos pluralistas. Assim, a partir dos anos 70 aproximadamente, ideólogos vão analisar que, no auge das emergentes sociabilidades, convergem com o advento do personal computer, o famoso PC, ou computador pessoal. Esse item, encontrado nas lojas de informática e de eletrodomésticos, é tão emblemático quanto sua história “pessoal”. A ciência tecnológica que desenvolveu ao longo do século XX grandes máquinas para uso matemático, viagens espaciais, cria o ENIAC, modelo para uso militar durante a Segunda Guerra Mundial, além dos mainframes para as megacorporações iniciarem a construção de redes interligadas. Desta forma seria muito mais fácil controlar os negócios na Ásia sem estar “presente”. Outros defendem que a revolução tecnológica não foi o PC, mas o mouse, como uma corruptela análoga dos primórdios da humanidade quando o homem passou a usar o polegar.

Determinadas questões que deveríamos fazer é se a relação homem-trabalho e homem-máquina (o homem híbrido de Bruno Latour), de fato caracterizaria definições globais de sociedade? Crianças que trabalham em feirões, mais de sete horas, que moram nas periferias suburbanas, não tem tempo para estudar, formando exércitos de milhões de crianças e adolescentes em todo o país, América Latina, África, Ásia e também nos países do Eixo Norte, com certeza algum dia, nas suas vidas ouviram falar da maravilhosa máquina que pode se comunicar à distância. Mas isso realmente representa um salto a uma Era Digital? Não estamos realmente potencializando o discurso mercantil da megaprodução de computadores em “escala global” para colar descuidadamente sobre um rótulo social novo? O número de analfabetos reais e funcionais ultrapassa a escala de fibras ópticas espalhadas pelo mundo. Será mesmo que esta titulação de sociedade informatizada contempla, de fato, todas as outras sociedades? Com certeza os teóricos do pós-modernismo pragmático (ativistas) não poderiam responder a estas questões dado o alcance macro da análise. Seria muito mais fácil obter os elementos de estudo através daquela média categoria que consome mais propriamente os modelos de Intel, IBM e Macintosh. Se perguntássemos a um adolescente hoje o que acha do computador, ele responderia: “É legal, é divertido, podemos jogar”. Mas certamente os mesmos jovens também devem se perguntar, por que afinal não temos acesso às máquinas de jogos e outros tem com tamanha facilidade? Por que somos analfabetos funcionais e outros não? Por que alguns de nós conseguem estudar e outros não? Por que alguns de nós raramente passam no vestibular ou completam os cursos médios e outros com facilidade estão empregados?

Há uma diferença fundamental nestas questões, assinalando que mesmo o acesso “irrestrito” ao computador não evidencia de modo algum, quebra ou evolução alguma no que diz respeito a uma nova sociedade digitalizada. Poder-se-ia advogar que cultura é tudo aquilo que torna o ambiente humano transformado ou transformador, mas não necessariamente a cultura se limita aos objetos por ele inventados. Os costumes, as crenças, a arte, os símbolos, os conhecimentos são elementos culturais. As promessas tecnológicas não podem de modo algum abraçar toda a humanidade, pois são desprovidas do elemento principal que as rege: o fator humano. Os múltiplos sistemas de gerenciamento e controle dos saberes e do espaço comercial são heterogêneos mesmo entre si, obliterando o pleno desenvolvimento da informatização na “sociedade pós-industrial.” Ao contrário do novo movimento primitivista, que descarta toda evolução tecnocientífica, apesar de, considerar em suas críticas grandes verdades, convém reconhecer que se pretende apenas subtrair o discurso homogêneo da megaprodução de computadores tanto quanto exporta-lo para o pensamento social contemporâneo, como se fosse um novo paradigma.

2.      Revolução Web 2.0 e a regência do capitalismo tecnológico

Por outro lado, a revolução tecnológica de fibras ópticas – revolução, no sentido sociológico do termo, como Revolução Industrial dos séculos XVIII-XIX, com a invenção da eletricidade -, reconfigurou grande parte do mercado financeiro, tornando o capital em interconexões de capitais flutuantes. Como de costume, toda invenção é creditada a um indíviduo/empresa, e neste caso da tecnologia digital, o conhecido www (world wide web, sistema de hipermídia de informações) pertence ao físico inglês Sir Timothy Berners-Lee, que coordena a Fundação World Wide Web, o Laboratório de Inteligência Artificial, Instituto de Ciência Web e membro da Academia Nacional  de Ciências dos EUA. Lee, considerado o “pai da internet” é militante radical a favor da proteção de direitos de propriedade, conceito hoje tão atacado pelos ativistas pró-internet. Segundo Lee[1], em entrevista coletiva no Parlamento Europeu defendia que castigos como desconexão e exclusão da internet eram cabíveis contra movimentos que alegam a livre circulação de informação, assim como redes sociais, etc. Ele, enquanto detentor de parcelas da internet patenteada por grandes empresas, hoje trabalha junto ao governo britânico com base de trabalho na Força-Tarefa de Poder da Informação, uma entidade internacional que atua dentro de um departamento específico da ONU.

A discussão sobre inclusão digital é o norte dos objetivos principais da ONU que interliga relações informacionais com os países cooperados, em aliança com políticas para a iniciativa pública/privada de investimento na área tecnológica. Porém, o que parecia uma norma, pelo menos substancialmente no Hemisfério Norte, em relação a uma “sociedade amplamente composta de novos usuários da rede”, evidenciou-se um enorme buraco entre o piso sócio-econômico da maioria dos países fora do eixo imperialista com aqueles outros. Os experts da ONU e da Força-Tarefa perceberam que era impossível engajar uma nova alcunha à sociedade “pós-industrial” pelo motivo mais aparente: a diferença econômica entre os usuários, ou seja, classe social, interfere acertadamente no uso e acesso aos PC’s, mesmo em lan houses, TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação) implementadas em espaços públicos dos governos, como escolas, instituições políticas e projetos de inclusão digital. Apesar dos esforços aparentes dessas instituições, o processo de inclusão é barrado pela desintegração dos recursos, pela desigualdade social, onde as tecnologias da informação como celular, TV e internet são, no máximo, filtros para utilitarismos imediatos, ineficazes e inexistentes de verdadeiras inclusões. A maioria dos experts em cultura digital reproduzem incontesti o discurso quantitativo de seus “progressos” mediante números de acesso, pouco caracterizando de fato, o desenvolvimento eqüitativo de um projeto social específico (jornalismo comunitário, novos talentos/programadores, trabalhadores formais e informais) ou uma planificação para a construção de uma “sociedade digitalizada.” O que a cúpula da Força-Tarefa viu na grande maioria dos países com PIB abaixo do normativo ou IDH (medida que engloba riqueza e educação prioritariamente) foi a falta de infra-estrutura, aos equipamentos e qualidade de serviços prestados, todos dependentes de países fornecedores; analfabetismo funcional e capacitação, indicando que só o acesso à informação não garante conhecimento; uso dos recursos, ou a limitação da educação para uma “nova sociedade” informatizada.

Existe um imaginário político de conformismo em relação ao papel do uso da tecnologia (determinismo tecnológico) que está vinculado ao aspecto quantitativo, a perspectiva política da infra-estrutura como fim em si mesma. Na mesma medida em que prevalece a lógica de mercado ou a política da engenharia civil, voltadas exclusivamente para o o urbano (política do asfalto), o fator humanizante e social (qualitativo) é deslocado para uma precarização cada vez maior.

Novamente, não há dúvidas em defender a política da tecnologia digital, enquanto elemento importante e capacitador do desenvolvimento humano e social. A questão que se debruça nesta polêmica é o contrasenso político-econômico de imposição estrutural sobre uma realidade que reflete o oposto do discurso. A ciência produz meios tecnológicos novos para a sociedade mediante esforços capitais. A grande massa consumidora se apropria e ao mesmo tempo, têm nas mãos as condições reais de transformação, mas não como uma sociedade homogênea, sem contrastes. Nossas sociedades são explicitamente desiguais. Aqueles que não podem ou não fazem parte desta “sociedade nova” são os excluídos, poderão participar da Revolução 2.0? Esta afirmação parece soar um tanto anacrônica, já que esse modelo ideal de sociedade, além de não poder contemplar toda a estrutura social vigente, assim como o fazem hoje os ideólogos batizando-a de novos rótulos, está visivelmente fora dos processos considerados “sócio-dinâmicos” (eras) pela história. Desta forma, ela só é incorporada pelo fruto do trabalho de marketing das corporações da indústria tecnológica que atendem a um mercado global, porém, não em sua totalidade, apesar de interferir nas condições de vida da classe média. Quando interfere, geralmente pelo pior método, ou seja, pela sua exclusão. Como toda forma de consumismo está ligada a padrões de mercado sociais, o seu uso tecnológico digital é inteiramente individual. A relação indivíduo/máquina se torna cada vez mais estabelecida em conformidade com os meios midiáticos que intensificam a somatória dos lucros de empresas de hardware e software, além das políticas públicas como as TIC’s também relacionam a conectividade ao descentralismo com o “faça você mesmo.” Quando inseridos dentro de um processo de desenvolvimento social e utilização integral de todas as ferramentas digitais, a idéia de autonomia está correta, ela obstaculiza quando alija-se dos fatores educacionais de transformação coletiva, burocratiza-se e desestimula-se aos novos conectados. Esse individualismo, ora nos Ipods, nas escolas, nas lan houses, nos laptops portáteis, em casa, no trabalho, acaba por alimentar referências culturais um tanto consideradas alienantes, no ponto de vista sociológico. Ao mesmo tempo em que se defende a “rede social” como novo espaço criado para sociabilidades antes jamais pensadas, cria-se e gera-se uma via de mão dupla, que é a sedentarização em relação ao universo social, “desconectados” do mundo real material, dependências cibernéticas, desagregação do sentido de identidade, gerada muitas vezes por uma descarga acelerada de informação em massa. Altera e agrava fatores fundamentais nos comportamentos e interesses. A questão da materialidade é elemento preponderante à análise, ao contrário da limitação do uso das ferramentas. À realidade é conferida a reflexão das imagens externas, consideradas como reais internamente, o mundo conhecido é o mundo que se vê. Quando os indivíduos passam a ver na realidade virtual como forma a substituir ou como prioritariamente desencadeadora de eventos reais, as visões do cotidiano se alteram para conformar-se com aquela realidade virtual. As verdades sociais são agora regidas por bytes.

3.      A Sociedade da Informação tecida por capital-bytes

A centralidade da visão informacional adequa, nos seus interesses propagandísticos, um mote social, como ideal a ser reproduzido. Torna uma categoria social configurada pela classe de consumidores de informática, uma generalidade social. Isso ocorre pela miragem reducionista sobre a proposição na idéia futurista de que uma nova sociedade composta por empreendedores emergentes, democratizações ao acesso das ferramentas, geração de empregos, transformem rapidamente a condição de vida de milhões de pessoas. A “nova economia” para uma sociedade que representa um “mosaico de diversidades fluidas”. Esse aspecto redencionista do mercado que o substitui pelo bem imaterial não poderia nunca abarcar justamente suas pluralidades materiais. O conceito de sociedade digitalizada não está isento de teorizações parciais construídas pelas vanguardas do capitalismo avançado e defendido pelos experts da cultura digital. Partidos de um fundamentalismo tecnológico, essa nova classe emergente de gestores culturais, info-gerências, ativistas “independentes”, administradores de banco de dados empresariais, alimentam a cada dia o imaginário do virtualismo real como uma “nova era”, destinada a prosseguir para a próxima fase sem as velhas bandeiras das ideologias. Articulados com a “nova ideologia” tecnocientífica, dirigem suas verdades abstratas para uma massa de trabalhadores que por condições sociais severas, são imputados novos estigmas, como a analfabetização digital, por exemplo, já não bastasse suas reais condições de sobrevivência.

Os “novos excluídos” agora lotam o exército de reserva, uma massa de milhões de pessoas já precarizadas pelo sistema global. Segundo os dados da Nova Estatística de Usuários de Internet de 2011[2], a porcentagem de pessoas que tem acesso a rede na África é de 10%, América do Norte 77%, América Latina 34%, Ásia 21%, Oriente Médio 29%, Europa 58%, e total no mundo 28%. Esses dados são interessantes de avaliar no sentido de que, mesmo que a margem de crescimento seja sempre ascendente de ano para ano, não se caracteriza a capacitação qualitativa e funcional com os números de acessos por IP’s. Outro fator importante, é que a maioria dos usuários da rede pertença aos continentes ajustados geopoliticamente e que o inglês continua sendo a “língua oficial” no mundo digital, segundo os experts digitais, “mundo das pluralidades”. No Brasil, 37% das pessoas tiveram acesso à internet segundo o IBGE em 2010, dados de usuários ativos e inativos, porém, entre os mais pobres, somente 0,6% tem acesso a rede e entre os mais ricos, 56,3%. São novas soluções temáticas que trazem em seu cerne novos problemas sociais, pela cauda do cometa o vislumbre da nova tecnologia de ponta. É o canto da sereia das inovações e do rompimento progressista rumo à evolução desenvolvimentista. Um sistema capitalista renovado, oxigenado pela fluidez dos novos recursos técnicos, gerido e descentralizado por experts da eletrônica, cada vez mais atuante, onipresente nos PC’s, nos celulares, na TV, na rádio, nas redes sociais, na vida das pessoas, agregando e concentrando capital-bytes em todos os pontos.

Conclusão

Basta observarmos que a inclusão digital não inclui socialmente, como o Estado e empresas divulgam. O grande problema é como, num universo físico cada vez menor, onde os espaços de luta são esvaziados pela militância virtual, podemos utilizar as ferramentas tecnológicas com capacitação, sem que dependêssemos exclusivamente delas. O novo fluxo de informações deve prosseguir, aqui não refuta-se os fins, apenas salienta-se que na história social, a informação sempre sofreu e sofrerá constantes adaptações, anteriormente com o impresso e os jornais, posteriormente com as redes, mas no momento atual, o que se discute é o como o processo se dá quando, através de imposturas, sistematizações equivocadas da realidade, oriundas de um ofuscamento do deslumbre são vindas à tona. A luta por melhores condições de vida sempre existiu, independente de panfletos, jornais, TV ou internet, pois desde que o homem ocupa o lugar da centralidade de todo processo de relações com o meio e o personagem histórico da transformação social (e não as ferramentas para atingir os seus fins) substitui-lo pela imaterialidade é um verdadeiro contrasenso humano.

Advogar pelo fim da centralidade do trabalho como um ocaso residual das esferas da “velha sociedade” e suas contradições econômicas em prol de uma nova economia informacional e imaterial redunda em uma miopia sociológica profunda. Cada vez mais somos bombardeados pelos manufaturados chineses, fábricas que comportam milhares de operários – a produção industrial chinesa já é a maior do mundo em escala -, o crescente número de info-proletários de call centers no mundo, principalmente no Brasil – o setor trabalhista assalariado que mais cresce -, Índia, Rússia e América Latina são respostas imediatas contra a idealização genérica do trabalho social desta época. As teorias pós-fordistas invocam a nova corrente sob os olhares ambiciosos dos gestores e ideólogos como o FMI, OMC e ONU, além de BNDES mundo afora. Em vista de uma utopia redencionista atropelam seqüelas sociais históricas cada vez mais alijadas do direito às condições básicas de vida e coletividade.

Referências Bibliográficas

AMBROSI,PEUGEOT e PIMIENTA, Alain, Valérie e Daniel, Desafios de Palavras: Enfoques Multiculturais sobre as Sociedades da Informação, Editora C & F Éditions, 2005.

ANTUNES, BRAGA, Ricardo e Ruy. Infoproletarios: degradação real do trabalho virtual. São Paulo. Boitempo, 2009.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Exclusão digital: A miséria na era da informação. Fundação Perseu Abramo. 2001

___ Felipe, Sônia T., ed. (1998).Justiça como Eqüidade:Fundamentação e interlocuções Polêmicas (Kant, Rawls, Habermas) [Justice As Equality:Foundations and Debates (Kant, Rawls, Habermas). Florianópolis, Santa Catarina, Brazil: Editora Insular / Núcleo de Estudos em Éthica e Filosofia Política.

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